domingo, 25 de agosto de 2013

Investimento de Risco

Investir é empregar tempo ou dinheiro sem visar um resultado imediato, mas sim tendo em vista um benefício maior no futuro. Gasto imediato é consumo, seja para satisfazer uma necessidade essencial ou um desejo supérfluo. Boa parte não investe simplesmente porque não ganha nem para o essencial. Mas muitos não investem porque gastam tudo em consumo supérfluo. Entretanto, para investir é preciso ter tempo ou dinheiro sobrando. Ou seja, é preciso ser rico.

Rico é quem tem mais do que precisa. Não adianta ganhar muito e gastar tudo. Esse será pobre em breve. É preciso ganhar o suficiente, além do essencial e saber controlar o desejo. A carência mais frequente não é física, mas afetiva. Por isso o problema da sociedade não é tanto a escassez de recursos para satisfazer as necessidades de todos, mas a inflação dos desejos de alguns tantos. O segredo é precisar de pouco e investir a sobra. Quem age assim gera riqueza em sua vida em mais de um sentido. Esse é o verdadeiro rico. De tempo ou de dinheiro e, no mais das vezes, dos dois.

Aliás, riqueza aparente é o gasto. Tanto mais rico é considerado quanto mais supérfluo e suntuoso é o seu gasto. Na busca da riqueza aparente, muitos se endividam e empobrecem a sua vida em muitos sentidos além do financeiro.

Paralelamente, do lado do tempo, a produtividade aparente é a ocupação. O mais ocupado, apressado e estressado parece mais produtivo. Para se sentirem mais úteis, muitos se ocupam integralmente numa rotina estressante e também empobrecem a sua vida.

Mas guardar dinheiro só por guardar é a maior loucura. Assim como permanecer num ócio estúpido ou distraído. É preciso investir a sobra – visar uma vida mais rica no futuro. O problema é que o futuro é incerto. O medo da incerteza faz com que as pessoas se aferrem ao presente, a uma rotina de trabalho rápido e consumo supérfluo.

Uma coisa é investir em si, outra é investir no outro. Ao investir no outro, multiplicamos nossas capacidades e o investimento é alavancado. Entretanto, o risco é maior. Há três formas de investir no outro: o empréstimo, a associação e o investimento de risco.

Quando eu empresto eu invisto tempo ou dinheiro, mas espero um pagamento certo num futuro determinado. Em princípio o risco está só do lado do tomador e não do prestamista. Para este, o risco é baixo, mas há necessidade de confiança (crédito). O problema do empréstimo é que o ganho futuro é tão mais baixo quanto mais garantido.

Quando eu me associo eu invisto tempo ou dinheiro por um período indeterminado e ilimitado com uma expectativa de compartilhamento proporcional dos ganhos futuros. O ganho e o risco são compartilhados. O problema da associação é o controle sobre os critérios de decisão de proporcionalidade tanto dos ganhos quanto dos eventuais prejuízos. Como as associações se fazem, em princípio, para a vida toda, o grau de confiança é muito elevado, apesar da percepção de risco ser menor. E esse risco é maior para o minoritário, que, portanto, sempre buscará aumentar o seu grau de controle.

Quando eu faço um investimento de risco eu invisto tempo ou dinheiro por um período indeterminado, mas limitado. Além disso, necessariamente, assumo um papel subalterno ou minoritário e confio que o crescimento que proporcionarei ao outro será recompensado dentro do período estipulado. O problema do investimento de risco é... o risco, que só é limitado pelo tempo.

Ou seja, o investidor de risco entra num negócio pensando em ganhar (ou perder pouco) na saída. Em contraste, um sócio entra para ficar. Além disso, o investidor de risco tem mais interesse em crescimento do que em lucratividade. Ou seja, o investidor de risco privilegia o reinvestimento e a alavancagem, enquanto o sócio privilegia a lucratividade e a distribuição de dividendos.

Muitos confundem as três formas de investimento e no Brasil há uma tradicional aversão ao risco. Recém agora está se começando a investir em Bolsa. Mas, até a Bolsa, existem outros três níveis de investimento de risco: anjo, “venture” e “private equity”. Todos visam uma participação minoritária aportando níveis crescentes de investimento e todos, além do capital aportam também expertise e networking. Entretanto, com uma dedicação menor do que a de um sócio.

O investimento anjo ou capital semente financia empresas em estágio nascente com quantias que vão de R$10 mil a R$500 mil. A saída do investidor anjo se dá pela entrada do “venture capital” ou pela compra por um sócio estratégico. O “venture capital” visa empresas em fase de consolidação e crescimento acelerado, investindo de R$500 mil a R$5 milhões. Sua saída se dá pela entrada de fundos de “private equity” ou de um sócio estratégico. Os fundos de “private equity” aportam de R$10 milhões a R$100 milhões em empresas já consolidadas que tenham potencial e apetite de crescimento e sua saída se dá no IPO ou pela venda para um sócio estratégico.

domingo, 28 de julho de 2013

Cronos e Kairos

Os gregos tinham duas palavras para referir tempo: Cronos e Kairos. Cronos denotava o tempo quantitativo associado à medida do movimento, contado em segundos, minutos, horas, dias, meses, anos. Uma dimensão em que o presente é um instante sem duração que avança continuamente, devorando o futuro e deglutindo o passado. É o tempo que usamos na programação do dia-a-dia. Já Kairos tinha o significado mais sutil de "momento certo" ou "oportuno" e refere um tempo qualitativo, um momento de ação ou propício para agir, de maneira a alterar o destino.

Kairos não é contado em unidades de tempo, mas em feitos, e avança por eventos significativos. É o tempo das histórias que contamos. Kairos não é contínuo, mas se desdobra em janelas de oportunidade em que o destino é alterado por ação, por omissão ou por acidente.
A Índia antiga tinha as mesmas duas noções de tempo. O equivalente em sânscrito de Cronos é Kala. O nome hindu para Kairos é Ritu. Cronos e Kala se associam com a ideia de morte. Cronos era personificado pelos gregos como o deus Saturno ou Júpiter, que devorava seus filhos. Kala dá o nome à deusa Kali, que dançava sobre cadáveres com um cinto de caveiras e demandava sacrifícios humanos em seus rituais. Já Kairos era pintado pelos gregos como um jovem alado, que voava ou andava sempre correndo, com uma navalha na mão e que tinha um topete e a nuca careca. As asas significavam como os momentos Kairos eram tênues bem como agudos como a navalha, podendo ser aproveitados ou não, pender para um lado ou outro. O topete era para que aquele que o encontrasse o agarrasse de frente e a careca significava que aqueles por quem Kairos passou, por mais que queiram, não conseguirão pegá-lo por trás.

Viver em Cronos é viver na rotina dos hábitos definidos pelo relógio (a hora de acordar, de trabalhar, de comer, de dormir, de tomar banho) e pelo calendário (o dia do jogo, o dia da festa, do aniversário, as férias, o tempo de plantar e de colher). O redemoinho das engrenagens das rotinas sincronizadas nos suga para satisfazer a máquina de produção e consumo da sociedade moderna. Lutamos para entrar no redemoinho e nele ficamos contentes por merecer um Kairos padronizado sem grandes riscos e surpresas: nascer, brincar, estudar, formar-se, arrumar emprego, casar, ter filhos, construir casa, comprar carro, formar filhos, aposentar-se, brincar de novo, adoecer e morrer.
Vivemos em Cronos, mas somos Kairos. As realizações que nos orgulham e nos constituem, via de regra, fogem à rotina. Os infortúnios que nos afetam também.

Em 1985 um grupo de líderes religiosos negros da África do Sul redigiu o Manifesto Kairos em resposta ao endurecimento do Apartheid, que começava assim: “O tempo é agora. Chegou o momento da verdade.” O Manifesto evocava a ideia de um tempo maduro para a mudança no sentido do avanço ou do retrocesso, dependendo da ação ou da inação. Mas os momentos Kairos não precisam ser dramáticos, trágicos ou heroicos. Podem ser também pequenos momentos na vida de uma pessoa, vividos com plenitude ou em estado de fluxo. Aqueles momentos perfeitos que ficam para sempre na nossa lembrança.
Cronos e Kairos têm ritmos complementares. Se Cronos tarda a passar, Kairos se acelera. Os dias são longos, mas as crianças cresceram e se foram. As semanas de trabalho são intermináveis, mas chafurdamos na rotina para ganhar a vida e nem notamos como ela passou depressa, exceto pelas rugas e cabelos brancos – as marcas de Cronos.

Da mesma forma quando Kairos tem um ritmo intenso Cronos parece se estender. Como aconteceram coisas neste último ano: compramos a casa, iniciamos a empresa, o filho foi morar longe, o pai morreu! Parece que foi uma década!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os Três Motivos dos Políticos

17/2/2013

Vivemos em duas esferas: a privada e a pública. Estamos na esfera privada quando cuidamos das nossas coisas e assuntos individuais. Passamos à esfera pública sempre que atendemos os interesses dos demais. Ação política é justamente a ação na esfera pública.

Os três grandes veículos da ação pública são o Estado (executivo, legislativo e judiciário), o mercado (empresas) e a sociedade organizada (igrejas, sindicatos, associações, ONGs, condomínios). Estas instituições canalizam e orientam, estimulando e limitando, a ação pública de todos os indivíduos.

A ação privada, por seus efeitos, é muito mais egoísta do que a ação pública. A grande maioria da população vive na esfera privada e só age na esfera pública motivada pelo interesse próprio, trabalhando em troca de dinheiro ou subsistência. Paradoxalmente, costuma condenar o interesse próprio dos indivíduos que têm um papel mais atuante na esfera pública: políticos, empresários e dirigentes de organizações sociais. Se computarmos o investimento de tempo e o benefício público das ações dos que criticam e dos que são criticados a injustiça da crítica se evidencia.

Quem age na esfera pública se expõe à crítica. Do síndico ao presidente da república. A crítica motivada pela inveja é um ônus inútil puramente destrutivo. Já o protesto motivado pelo interesse próprio dos que criticam é construtivo, pois o consenso possível entre interesses conflitantes faz a boa política. Ambas as críticas são formas de participação política, mas a defesa do interesse próprio é ativa, enquanto a crítica destrutiva tende a ser mais passiva.

Há três motivações para a ação política: o interesse próprio, a vaidade e o espírito público.

Das três motivações mencionadas, o interesse próprio é o mais mal visto. Entretanto, além de ser o mais frequente é o mais legítimo. No limite, o interesse próprio é puramente individual – egoísmo puro. Mas a ação pública visando o benefício próprio não implica necessariamente prejuízo para os demais. Aliás, quem presta um serviço motivado apenas pelo salário faz exatamente isso. Também pode ser condenável a ação em benefício da família ou do grupo – o corporativismo. Entretanto, a representação de interesses de classe ou grupo é exatamente a base do sistema legislativo. Inclusive, o objetivo de muitas entidades da sociedade organizada é exatamente exercer influência e participar da ação legislativa.

A vaidade é tão mal falada quanto frequente. Realmente, a função pública vem acompanhada da notoriedade, corolário da exposição. Em comparação com quem busca a fama pela fama, apenas pela exposição de sua intimidade em “reality shows”, o reconhecimento que o serviço público recebe é uma honra digna. Que isso envaideça é compreensível. Que o reconhecimento se torne um fim em si mesmo pode ser condenável como um vício vão, mas que pode, paradoxalmente, ensejar ações nobres com grande benefício público.

O espírito público, a noção transcendente do valor de servir é saudada como uma das mais nobres virtudes morais. Esta transcendência é característica do idealista, que coloca um ideal acima do interesse próprio e imediato. Porém, mesmo distante do interesse próprio, o idealista prescreve aos demais a virtude que pratica. E, muitas vezes, no exercício do poder público, além de prescrever, impõe.

Concluindo, todos temos alguma ação na esfera pública, que, numa ótica utilitarista, é a origem do valor pessoal. As virtudes privadas constituem outra fonte de valor, que, entretanto, não geram benefícios públicos. Falar mal da política e dos políticos em nome da virtude moral é uma ação política. E a mais fraca, senão a mais desprezível de todas.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Relatório da Gestão como Conselheiro do CGI

Esta publicação é um resultado de minha participação no 1º Fórum da Internet no Brasil em 14/10/2011. Mais importante do que falar é ouvir. Ouvi e concordei com proposta da Transparência Hacker para que todos os Conselheiros do CGI prestem contas perante o internauta em geral e não apenas ao seu público. Portanto publico neste espaço (público ?) o relato que fiz em e-mail enviado ao CONAPSI (conselho das Entidades de Provedores) em 2/11/10. Retirei apenas referências circunstanciais ao processo eletivo que eu disputava na ocasião.

“Quero prestar contas das iniciativas que tomei no CGI . Enumero-as e depois descrevo-as.

1. Princípios para a Governança e Uso da Internet no Brasil
2. CAPEM - Código de Autorregulamentação para a Prática de E-mail marketing
3. Retomada das Discussões sobre o bloqueio da Porta 25
4. Pesquisa CETIC sobre Provedores
5. Participação efetiva no Conselho do GNSO da ICANN
6. Criação do domínio EMP.br
7. Redução do depósito inicial do EPP
8. Acompanhamento e defesa do projeto PNBL via Telebrás.

1. Princípios para a Governança e Uso da Internet no Brasil
Quando entrei no CGI discutia-se já há tempos um Plano Estratégico, inclusive com apoio de uma consultoria externa paga. Cheguei a participar de uma reunião de planejamento quando questionei porque nunca se havia discutido sobre princípios e defendi a ideia de que antes de qualquer planejamento deveria haver uma discussão de fundo que gerasse e demonstrasse o consenso entre os vários stakeholders representados no CGI sobre a forma de conduzir a governança da Internet.
Apesar de algumas reticências e de um generalizado ceticismo, fiquei encarregado de coordenar os trabalhos de elaboração destes princípios e conduzi as discussões pelo período de um ano. Finalmente, chegamos a um consenso na redação de 10 Princípios. Ressalte-se que todo o trabalho foi feito sem apoio de nenhuma consultoria externa e custou ZERO para o CGI.

A oportunidade e o acerto da iniciativa refletiu-se tanto no plano nacional como internacional.

O MJ reconheceu que os Princípios do CGI inspiraram a ideia da proposta de um Marco Civil para a Internet que afirmasse os direitos de privacidade e liberdade de expressão e regulasse a guarda de logs, balizando legislações posteriores sobre tópicos específicos, tais como combate a crimes, propriedade intelectual, etc.
No último encontro do IGF (Fórum Mundial para a Governança da Internet) a principal contribuição do Brasil, reconhecida pelos coordenadores do Fórum foi a apresentação dos Princípios.

A Comunidade Europeia, inclusive, copiou a iniciativa e está no processo de discussão de 12 Princípios.

“Eu tenho um sonho” que defendi no IGF: a ideia de que todos os países discutam seus Princípios internamente e tragam estes documentos como subsídios a uma discussão no IGF para que se chegue a um consenso mundial em relação aos princípios gerais. É claro que há interesses contrários que preferem uma discussão bottom-up de itens que interessem aos mais interessados e bem informados, dando a aparência de que os desinformados e mais afetados participaram do processo, assim como acontece na ICANN.
Tenho insistido que o Brasil, através do MRE, adote uma postura mais focada na defesa desta ideia, mas, dada a dispersão dos interesses, ainda não obtive êxito, embora tenha sim conseguido um par de ouvidos mais atentos.

Nenhum de nós, e nem mesmo nenhum outro conselheiro do CGI, salvo o Demi Getschko e o CA, tem esse sonho. E, temo que a eles falte a obstinação diante das dispersões e dificuldades políticas que ainda se tem pela frente.
Já nas discussões do Marco Civil, creio que as entidades podem dar continuidade, principalmente a Abranet, haja vista que a pauta das demais entidades do CONAPSI parece dizer mais respeito a SCM e Anatel do que a serviços de Internet e CGI.
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2. CAPEM - Código de Autorregulamentação para a Prática de E-mail marketing

Quando entrei no CGI já haviam as Comissões Temáticas. Entrei na CT-SPAM, que, como resultado prático de várias discussões, tinha encomendado (e pago) à FGV um estudo sobre legislação internacional e sobre os projetos de lei em tramitação no Congresso. Esse estudo havia sido base para um Substitutivo do Deputado Nelson Proença, que fora aprovado na Câmara e enviado para o Senado. Também havia sido elaborada pelo CERT.br uma Cartilha de Segurança na Internet. O trabalho em andamento era o apoio e acompanhamento do projeto dos Honeypots desenvolvido pelo CERT.br e que ainda está em andamento. Todo este trabalho havia sido anterior a minha gestão.

Passei a promover discussões sobre o Projeto de Lei anti-spam que fora objeto de um novo substitutivo relatado pelo Senador Eduardo Azeredo no Senado, mas que, em essência, preservava as recomendações do estudo da FGV. Havia muita resistência e críticas de muitos lados, mas principalmente das agências de marketing digital. Ao invés de reagir a essas críticas que polarizavam a discussão e dividiam o setor contrapondo enviadores e provedores, propus que se passasse a trabalhar não no combate ao spam, mas na promoção de um e-mail marketing profissional que não se confundisse com spam através da elaboração de um código que envolvesse aspectos técnicos e éticos. Formou-se um grupo de discussão aberto com a participação de várias entidades representativas das agências web, provedores, consumidores e anunciantes. Da parte dos provedores a Abranet e a Internetsul foram as únicas entidades que participaram.

O código foi elaborado - novamente sem nenhum custo para o CGI ou para as entidades. Foi criado um Conselho de Ética com duas Câmaras de Julgamento e uma de Recursos, bem como um Conselho Superior para cuja presidência eu fui eleito.
Está em elaboração um site para dar suporte aos processo de julgamento bem como os estatutos de uma associação que se responsabilize por dar eficácia ao Código, a exemplo do que aconteceu com o CONAR.
Aqui também eu tenho um sonho: criar a primeira blacklist brasileira. E a única blacklist mundial com procedimentos transparentes para inclusão e exclusão.
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3. Retomada das Discussões sobre o bloqueio da Porta 25

Quando entrei no CGI a CT-SPAM estava funcionando apenas como uma lista de discussão cujo trabalho era apoiar as iniciativas do CERT.br. Uma das iniciativas que o CERT havia sepultado devido à oposição das operadoras era o bloqueio da porta 25. Estimulei que se criasse um Grupo de Trabalho mais amplo convidando as entidades representativas e não apenas as empresas, a exemplo do que fora feito no CAPEM. Sugeri que o Henrique Faulhaber, coordenador da CT-SPAM presidisse este GT, mas me comprometi e efetivamente acompanhei todas as reuniões menos a uma, bem como fui responsável por trazer para as discussões as entidades de consumidores e o MP. O resultado, muitos dos senhores puderam acompanhar. Fomos vencendo, um a um, todos os obstáculos levantados pelas operadoras. O próximo obstáculo é trazer para as discussões o DPDC do MJ, a quem se subordinam todos os PROCONs. Ainda não chegamos lá e creio que qualquer representante dos provedores sabe da importância de levar este trabalho a cabo, em que pesem as dificuldades.
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4. Pesquisa CETIC sobre Provedores

Quando fui eleito para o CGI, estabeleci para mim um único objetivo: ter um retrato fiel do número de provedores no Brasil e sua cobertura geográfica. Eu acreditava que as próprias entidades, com apoio logístico do CGI teriam condições de coletar os dados. Para não duplicar iniciativas, apoiei o trabalho do Ricardo junto com a Teleco. Mas o primeiro esforço baseado em participação espontânea, demonstrou que as dificuldades de obter um panorama mais completo iam além das possibilidades das entidades. Apresentei projeto elaborado pelo Ricardo, mas o pleno do CGI decidiu não dar apoio financeiro para a continuidade do trabalho pela Teleco. Em função disso pleiteei então que o próprio CETIC encampasse a tarefa, de vez que essa era uma das suas responsabilidades, o que foi aceito. O trabalho está sendo feito de forma bastante profissional, e estamos na fase 4 do cronograma abaixo.


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5. Participação efetiva no Conselho do GNSO da ICANN

A participação do Brasil na ICANN sempre foi marcada pelo protagonismo do setor governamental e do terceiro setor. Os representantes da iniciativa privada sempre foram ouvintes ou coadjuvantes e nunca participaram do GNSO, que é o órgão apropriado para o exercício de influência efetiva. Quando muito, agiram para relatar as decisões da ICANN aos setores empresariais que representam, e não para influir durante o processo de discussão, apesar do fato destas discussões serem relativamente abertas.

Fui o primeiro representante privado brasileiro a ser escolhido para representar os provedores de ISP e de conectividade (operadoras) no Conselho do GNSO. Somos dois representantes: eu e um alemão, executivo da Deutsche Telecom. E isso tem dado bastante trabalho não remunerado.

Procurei de diversas formas informá-los e motivá-los para participar das discussões, principalmente sobre os novos GTLDs cujo registro será aberto no ano que vem, após 5 anos de debates na elaboração de um Manual para guiar o processo. Inclusive, repassei à Abranet o patrocínio da ICANN a um evento visando justamente a divulgação desta ameaça/oportunidade, embora eu creia que isso ainda não foi compreendido nem pelos provedores (a oportunidade) nem pelas empresas e a sociedade em geral (a ameaça).

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6. Criação do domínio EMP.br

Ao longo da minha gestão no CGI fiz amizade com vários outros Conselheiros. Em particular, estimulei a ideia do Conselheiro Nivaldo Cleto, representante das empresas usuárias, de apresentar a proposta de criação de um domínio a preços reduzidos para empresas de pequeno porte. A ideia dele é de que a empresa já saia da Junta Comercial com uma presença web.

Falar em redução de preços de domínios ou de serviços do NIC é um tabu no CGI, que desperta fortes resistências do terceiro setor e do governo, o que lhes dá maioria.
Ao longo das discussões com os demais setores e com o NIC, a ideia foi sendo formatada e saiu recentemente o EMP.br. A exigência de uso de EPP força que o registro deste tipo domínio seja feito através de provedores, ideia que apoiei. A exigência de fornecimento de uma página estática ao preço de R$15/ano foi colocada pelo terceiro setor e foi algo que concedi a contragosto para ver a ideia seguir adiante. Creio agora que deveria ter lutado mais, mas meu raciocínio foi de que o Google já fornece muito mais gratuitamente.

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7. Redução do depósito inicial do EPP

No bojo das discussões sobre o EMP.br consegui recolocar uma discussão que já havia tido sem sucesso com Demi e Fred (devido ao tabu já mencionado): redução do depósito inicial do EPP. Desta vez, consegui sucesso e o valor foi reduzido à metade para todos os domínios e não só para o EMP.br.
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8. Acompanhamento e defesa do projeto PNBL via Telebrás

Conheço e respeito o Rogério Santanna desde há muito tempo. Apoiei sua ideia de ressuscitar a Telebrás como operadora do PNBL desde o início, apesar da oposição de vários dos senhores. Entendi e entendo que seria interessante uma operação estatal, não para recriar o monopólio estatal, mas sim para balizar “via mercado” a atuação dos monopólios privados, já que a regulação pela Anatel não tem sido suficiente para forçar práticas éticas de concorrência por parte das concessionárias.
Parece, pela atual adesão de todos, que eu estava certo e que as reservas ou oposições iniciais eram injustificadas. E tenho certeza de que o nosso apoio foi fundamental para que o projeto do Rogério vencesse aquele apresentado pelo Ministério das Comunicações e pelas operadoras.
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Por último, quero informar que minha atividade no setor hoje se restringe a ser investidor angel de uma empresa nascente de web 2.0 (www.vakinha.com.br). Trabalham na empresa apenas 2 sócios e 2 estagiários, e, portanto estou imune à tentação de usar do prestígio do cargo para priorizar interesses próprios.

Saudações a todos e sintam-se à vontade para dar ampla circulação a esta mensagem entre seus associados.”

Princípios de Administração do Tempo

Vivemos numa era de excessos: de informação, de demandas, de complexidade. E de apetite: queremos atender a tudo e aproveitar todas as oportunidades. E a tendência não é melhorar!

Não dá para dar conta de tudo. Um jeito é aceitar o que a vida dá. Fazer o que der e deixar-se levar, mas sem se amofinar nem reclamar. Mas quem quiser ir além da reação e da rotina precisa escolher ativa e conscientemente. Isso requer três disciplinas: Foco, Planejamento e Reflexão.

Foco é no presente e na ação. Planejamento é para o futuro com base no passado e se dá em dois níveis: a) Tático – futuro imediato; b) Estratégico – longo prazo. A Reflexão orienta o Planejamento Estratégico, que orienta o Plano Tático, que orienta o Foco.

O natural é reagir, ser vítima das circunstâncias e dos outros. Disciplina não é natural, portanto é difícil. Mas com a prática a disciplina vira hábito e a dificuldade diminui. Prática envolve o uso correto de ferramentas corretas.

Dicas:

1. Só há duas formas de comunicação: a) imediata e sem registro automático, geralmente oral; b) mediada por algum tipo de registro em papel ou eletrônico. Sem registrar as interações orais, há risco de esquecer ou distorcer a informação.

2. Só há três tipos de informação: a) demandas de ação (agir); b) informação de referência (guardar); c) lixo (eliminar). Foco é nas demandas.

3. Só há três formas de responder a demandas: a) executar (ou iniciar) imediatamente o que é rápido ou emergencial; b) agendar (ou delegar) tudo que pode esperar e não seja rápido; c) descartar o que não importa.

4. Delegar não é repassar. Delegar é uma forma de agendar - o acompanhamento. Repassar é uma forma de descartar.

5. Ao agendar nos comprometemos. Compromissos são de dois tipos: a) fazer algo com alguém numa hora e num local - compromissos com hora; b) fazer algo para alguém até um prazo - tarefas. Não se deve confundir o prazo de uma tarefa com a hora de início de um compromisso com hora.

6. Compromissos com horário devem ser marcados num calendário e confirmados numa agenda diária. Deve-se usar alarme, programado conforme o deslocamento necessário mais uma folga.

7. Ações são tarefas simples agendadas em Listas Diárias ou Listas de Pendências (sem data). Só excepcionalmente se marca hora (ou usa alarme) para ações. Descreva suas ações com verbos.

8. Diariamente deve-se parar para priorizar a lista de ações do dia seguinte e confirmar (ou desmarcar) os compromissos agendados no calendário.

9. Tarefas complexas ou projetos devem ser mantidos em listas ou pastas, analisadas semanalmente para definir as ações possíveis para a semana. Essa é a parada semanal.

10. Priorizam-se ações em função da importância e da urgência no momento da execução. Priorizar é ordenar, numerar. Antes de numerar classifique em três categorias. A: emergencial – importante e urgente; B: importante, mas não urgente; C: trivial – não importante.

11. Importância é valor. Valor é algo subjetivo e relativo. Varia de pessoa para pessoa e conforme a circunstância. Tudo tem valor, alto ou baixo.

12. Urgência tem dois significados: a) proximidade do prazo limite; b) pressa ou ansiedade. O prazo é um dado objetivo; a pressa é um sentimento subjetivo. Cuidado: a ansiedade motiva mais do que a razão e pode comandá-la.

13. Priorizam-se compromissos com horário quando surgem em função do ganho e da “negociabilidade”. A marcação de horários é um jogo de poder, mas se você é necessário para um compromisso, você pode negociar o horário.

14. Reflexão é o exercício da razão. A reflexão básica é sobre princípios (o que você acredita que é verdade) e valores (o que você acredita que é bom e o que é correto). Essas crenças orientam nossas escolhas e a definição de metas.

15. Não criamos valores, eles são dados pela sociedade, e não são coerentes. Entretanto escolhemos nossos valores e princípios, usando ora a razão, ora a emoção. Se esta base não for estável e coerente, seremos instáveis e incoerentes no agir. Melhor se orientar pela razão do que por emoções. Mas, sem estabilidade emocional, a reflexão é impossível.

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