sábado, 20 de junho de 2009
Diário da ICANN Sydney – 21-06-2009
Estarei relatando minha participação no 35º Encontro da ICANN em Sydney, Austrália, mas este primeiro artigo visa explicar o que é a ICANN. Tentarei ser breve e didático, mas é impossível deixar de usar siglas, já que a ICANN e seus órgãos formam uma constelação de siglas ininteligíveis.
A criação da ICANN marca o início da internacionalização da governança da Internet, processo ainda em curso. Governança da Internet soa estranho, pois nenhum governo tem poder sobre a rede como um todo. A ICANN não manda na Internet, mas sim regula o DNS. O núcleo da Internet é o seu sistema de endereçamento hierárquico (DNS - Domain Name System), que permite mapear nomes de domínios em endereços IP, identificando qualquer máquina na rede e permitindo a troca de mensagens entre elas. A ICANN distribui endereços IP e supervisiona o registro de domínios em todo o mundo.
A Internet é uma criação americana, porém Clinton entregou à ICANN a missão de regular o DNS. De fato, a governança da Internet ainda é americana, pois a ICANN é uma ONG organizada sob as leis da Califórnia e está sujeita a um acordo (JPA) que dá poder de veto ao Departamento de Comércio dos EUA. Seja por receio de entregar poder a outros governos e, ao mesmo tempo, desejo de manter o caráter internacional da rede, seja por inclinação liberal e visionária inspirada em suas origens acadêmicas, a ICANN foi criada com um sistema de gestão "multistakeholder", colegiado envolvendo governo, academia, iniciativa privada e sociedade civil organizada. Modelo, aliás, que serviu de inspiração para o CGI.br.
Além da importância estratégica como chave para o funcionamento da Internet, o DNS também constitui um mercado: o de registro de domínios. Mercado cartorial, equivalente aos registros civil e de imóveis no mundo real, sua exploração é entregue pela ICANN a "Registries" [1]. O "Registry" é uma empresa ou organização que explora um Domínio de Primeiro Nível (TLD - Top Level Domain) a título oneroso (ou não) e repassa a "Registrars" a tarefa de vender (ou dar) os domínios de segundo ou terceiro nível aos usuários. A Verisign e a Affilias são Registries de gTLDS. O NIC.br é o Registry do ccTLD “.br”, responsável pelo registro de todos os domínios que terminam com “.br”. Os provedores brasileiros (UOL, Terra, Locaweb, iG, etc) representam o papel de Registrars tanto revendendo domínios para o NIC.br quanto para a Verisign. Outros operadores de gTLDs não são muito ativos no mercado brasileiro.
Um "Registry" pode criar domínios de segundo nível, mas deve obedecer a critérios da ICANN para isso. O "Registrar", por sua vez, pode vender tantos domínios de terceiro nível quanto queira. Suas obrigações são de manter um cadastro dos seus usuários e operar o respectivo servidor de DNS.
A receita da venda de domínios no terceiro nível não chega a viabilizar uma empresa de porte, constituindo-se, no mais das vezes, numa receita complementar de provedores de outros serviços na Internet. Até pode haver um mercado no segundo nível, dependendo das condições. Entretanto, no primeiro nível, o mercado de domínios é bastante interessante. A receita anual da Verisign é de US$ 1,15 bilhão e a do NIC.br é de R$ 60 milhões. Os empreendedores brasileiros, por ignorância, têm desprezado este mercado. Há uma janela de oportunidade aberta na medida em que se discutem as regras (bem mais estritas que as existentes) para a criação de novos gTLDs.
[1] A estrutura do DNS é uma árvore, criada sob inspiração de acadêmicos (americanos) custeados pelo governo (americano). A raiz é o "ponto" ("dot"). Acima da raiz estão os Domínios de Primeiro Nível ou TLDs (Top Level Domains) sempre grafados com o "ponto" na frente (.com, .net, .br, .us).
No início, quando a Internet ainda era exclusivamente americana, os TLDs tinham apenas três letras que mapeavam o mundo (os EUA) em comunidades de interesses (gov, org, edu, com). Com a internacionalização da Internet criou-se a categoria dos Códigos de Países (ccTLDs - Country Codes Top Level Domains) com dois dígitos (".br", ".us", ".fr", ".ar") e ps TLDs já existentes passaram a ser chamados de genéricos (gTLDs). A definição do registry autorizado a explorar os ccTLDs foi deixada a cargo de cada país. No Brasil, o CGI foi criado para essa finalidade.
Eventualmente, a exploração de alguns gTLDs foi repassada à empresa Verisign, junto com a responsabilidade pela operação dos servidores da raiz. Posteriormente, a pressão por concorrência no mercado de domínios levou a ICANN a criar novos gTLDs (com 3 letras ou mais, por exemplo “.travel”, “.mobi”, “.asia”), autorizando novos "registries" a explorá-los. A ICANN também foi levada a forçar a Verisign a entregar a outra empresa a exploração do domínio .org.
Mais acima (ou na frente) do primeiro nível, vem o segundo nível, e assim por diante. Quase todos os países (ccTLDS) adotaram as mesmas categorias de três letras existentes no primeiro nível genérico para os seus segundos níveis. Assim, temos ".com.br" e ".gov.br" como exemplos de domínios de segundo nível do ccTLD ".br". Vale lembrar que o ".com" é um gTLD de primeiro nível explorado pela Verisign, que repassou a exploração do domínio de segundo nível ".br.com" a um Registrar privado, no caso uma pequena empresa inglesa.
sábado, 13 de junho de 2009
Princípios para a Internet no Brasil
Princípios para a Internet no Brasil
1. Liberdade, privacidade e direitos humanos
O uso da Internet deve guiar-se pelos princípios de liberdade de expressãode privacidade do indivíduo e de respeito aos direitos humanos, reconhecendo-os como fundamentais para a preservação de uma sociedade justa e democrática.
2. Governança democrática e colaborativa
A governança da Internet deve ser exercida de forma transparente, multilateral e democrática, com a participação dos vários setores da sociedade, preservando e estimulando o seu caráter de criação coletiva.
3. Universalidade
O acesso à Internet deve ser universal para que ela seja um meio para o desenvolvimento social e humano, contribuindo para a construção de uma sociedade inclusiva e não discriminatória em benefício de todos.
4. Diversidade
A diversidade cultural deve ser respeitada e preservada e sua expressão deve ser estimulada, sem a imposição de crenças, costumes ou valores.
5. Inovação
A governança da Internet deve promover a contínua evolução e ampla difusão de novas tecnologias e modelos de uso e acesso.
6. Neutralidade da rede
Filtragem ou privilégios de tráfego devem respeitar apenas critérios técnicos e éticos, não sendo admissíveis motivos políticos, comerciais, religiosos, culturais, ou qualquer outra forma de discriminação ou favorecimento.
7. Inimputabilidade da rede
O combate a ilícitos na rede deve atingir os responsáveis finais e não os meios de acesso e transporte, sempre preservando os princípios maiores de defesa da liberdade, da privacidade e do respeito aos direitos humanos.
8. Funcionalidade, segurança e estabilidade
A estabilidade, a segurança e a funcionalidade globais da rede devem ser preservadas de forma ativa através de medidas técnicas compatíveis com os padrões internacionais e estímulo ao uso das boas práticas.
9. Padronização e interoperabilidade
A Internet deve basear-se em padrões abertos que permitam a interoperabilidade e a participação de todos em seu desenvolvimento.
10. Ambiente legal e regulatório
O ambiente legal e regulatório deve preservar a dinâmica da Internet como espaço de colaboração.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Cap. 1 - Escravos do Tempo - Parte 1
A fight for love and glory,
A case of do or die.
As Time Goes By
(música do filme Casablanca)
Na República [1], Platão divide as pessoas em três classes, de acordo com a natureza de suas almas: os homens de ouro (natureza racional), os de prata (natureza espiritual) e os de ferro ou bronze (natureza apetitiva). Embora todas as almas contenham todos os três elementos, há uma natureza distintiva, determinada pelo elemento dominante.
Para Platão os homens de ouro estão no topo da hierarquia como aqueles que, pela via da racionalidade, aprendem a reconhecer o que é o “bem em si”, o “valor verdadeiro”, apresentam um comportamento ético e equilibrado, cultivam as virtudes e realizam o seu potencial humano, buscando sempre o aprofundamento do saber através da reflexão filosófica. Para Platão, apenas a alma racional pode vislumbrar o conhecimento “verdadeiro” das idéias por trás das coisas e assumir completamente a responsabilidade pelo seu destino. Os homens de ouro constituiriam a “classe ociosa” dedicada à filosofia – estudo e contemplação das idéias e da verdade –, à arte – criação e contemplação do belo – e à política como administração da justiça. No mundo grego, a verdade, a beleza e a justiça eram os valores máximos. Utilidade, técnica e economia não eram valores, mas encargos. O ócio era um atributo nobre e o trabalho um encargo vil.
Os homens de ouro seriam os únicos que poderiam alcançar a verdadeira felicidade, pois tinham aquilo que os gregos chamavam de sofrosyne. Moderação, sobriedade, temperança, chegam perto do seu significado de meio termo entre impulsividade e insensibilidade. Somos sofron quando nos recusamos a ser pegos pelo imediatismo de uma situação, quando consideramos as conseqüências futuras de nossos atos. Talvez a melhor tradução de sofrosyne seja aquilo que hoje se entende por inteligência emocional [2].
Na base inferior da pirâmide platônica, os homens de ferro consomem a vida em prazeres imediatos ou afundados na rotina cotidiana, sem consciência de si mesmos e sem o comando da própria vida, condenados a uma vida servil e alienada.
A forma ideal de governo preconizada por Platão, na República, era a aristocracia ou governo dos melhores[3]. A aristocracia helênica não privilegiava sangue ou classe, mas repousava na distinção entre os que conhecem a si mesmos e vivem a verdade e aqueles que não o fazem. Qualquer um poderia ascender nesta escala desde que aprendesse a dominar sua vontade e a praticar a racionalidade.
Para os helênicos a alma se sobrepunha ao corpo, e a razão seria o principal atributo da alma, única forma de conhecer as idéias, consideradas mais verdadeiras do que as coisas. O cristianismo substitui a razão pela fé, mantém o primado da alma, mas a razão não basta para atingir a verdade. Trata-se, então, de ser iluminado por Deus. A idéia de Deus só é intuída por um ato de Sua graça. O clero torna-se uma nova classe ociosa a dedicar-se aos serviços espirituais, voltados para a busca de graça e da salvação. Mais tarde, o Renascimento marca a volta do ideal grego da razão como fonte de todo conhecimento, porém o conhecimento dos fatos (a ciência) se sobrepõe ao conhecimento das idéias (a filosofia). A ciência se torna prática, gerando a tecnologia e a indústria. O mundo passa a girar em torno da economia e a utilidade se torna o grande critério de valor. Protestantismo, liberalismo e marxismo, a religião e as ideologias da sociedade industrial condenam o ócio, e o trabalho passa a ser o grande criador de valor, num mundo essencialmente econômico.
Na filosofia moral, a razão pura, como origem de todo bem, encontra em Kant sua expressão máxima, para se revelar em Schopenhauer, como a outra face de uma abnegação (ou negação de si mesmo) que leva a uma frieza mortal e à negação da vida. É Nietzsche quem reage e coloca o corpo, a emoção e o indivíduo numa posição privilegiada. Neste caminho, surgem a psicanálise de Freud e a psicologia científica de Pavlov e Skinner a mostrar que os motivos do comportamento humano têm componentes inconscientes e subconscientes que a razão desconhece; surge Marx e as ciências sociais a mostrar que as condições sociais e históricas determinam comportamentos, valores e idéias; Darwin vem mostrar que o homem é apenas uma espécie entre outras; e, por fim, a ecologia mostra que apesar de todo progresso material, ou melhor, por causa dele, talvez essa espécie não seja a mais apta a sobreviver. Essa é a famosa desconstrução pós-moderna da razão: a noção de que a razão pode não ser a luz a iluminar a escolha da ação futura, e que é muitas vezes uma desculpa para a ação passada, permitindo que o homem não depare com o seu lado negro e possa esconder da própria consciência motivos desagradáveis que atestam o pecado original de sua animalidade congênita.
Os helênicos constituíram uma civilização admirável, berço de toda a civilização ocidental, racional e científica. Entretanto, a sociedade helênica era nitidamente excludente. Seu conceito de cidadão excluía as mulheres e os não-helênicos. Além disso, o ideal platônico baseava-se na negação das emoções e dos instintos, o que Freud chamou de repressão e acusou como a causa de muitas doenças da mente e do corpo. Entretanto, o ideal grego do filósofo parece encerrar alguma verdade. Nesse sentido, as pessoas se dividem em dois tipos. As pessoas verdadeiramente livres, que praticam a filosofia, conhecendo a si mesmas (inclusive suas imperfeições) e assumindo a responsabilidade pelo que fazem do seu tempo; e as pessoas ocupadas que, por coerção, necessidade, estreiteza de visão, ou imaturidade emocional, têm o seu tempo ocupado, determinado externamente e apenas subsistem como escravos do tempo.
Na civilização ocidental pós-moderna, baseada em sistemas de informação e troca em escala global, o problema da liberdade ressurge de maneira muito viva. Há quatro séculos instituiu-se o modo de vida capitalista, calcado no emprego: uma troca de trabalho, medido em tempo, por dinheiro. Girando em torno do emprego, os três conceitos se confundem. Tempo, trabalho e dinheiro parecem ser três aspectos de uma mesma realidade. Entretanto, ao pensar melhor deve-se reconhecer que tempo, dinheiro e trabalho são conceitos distintos. Tempo é vida, dinheiro é reserva de valor ou meio de troca, e trabalho é geração de valor.
Tem-se, hoje, um acesso muito mais democrático ao conhecimento. O conhecimento e a sabedoria acumulados são muito mais variados e profundos do que o eram na Grécia. O desenvolvimento tecnológico e o aumento da produtividade do trabalho permitem que, em termos médios, as pessoas tenham mais tempo livre. O desenvolvimento da medicina e das condições de higiene aumentaram a expectativa de vida média. Ou seja, a possibilidade de ócio é maior e para mais gente. Mas, embora em termos absolutos (e mesmo em termos relativos) existam, hoje, mais “homens de ouro” do que na Grécia antiga, o modus vivendi moderno tende a condicionar a proliferação de “homens de ferro”, verdadeiros escravos do tempo. A grande maioria “não tem tempo” para cultivar outros valores que não se traduzam em dinheiro e consumo.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Introdução - O que você encontra neste livro?
O primeiro capítulo é livro puro e caracteriza o problema do tempo na vida moderna. Quais fatores fazem com que, cada vez mais, nos comportemos como escravos do tempo.
Depois de caracterizar o problema, o manual da solução inicia no segundo capítulo. Mostra-se o que é um Sistema de Planejamento Pessoal e porque o seu uso adequado ajuda a nos tornarmos menos escravos do tempo.
O capítulo III é livro de novo, mas é uma parte fundamental para compreender o manual. A partir de uma reflexão sobre o tempo, mostra-se que administrá-lo é essencialmente definir prioridades. Analisam-se os conceitos de prioridade, urgência e importância, bem como diversos métodos de priorização e propõe-se o método ABC como o mais adequado. Por fim, mostra-se que a administração do tempo consiste, essencialmente, na capacidade de agir conscientemente e como a nossa tendência natural para a reatividade dificulta essa tarefa. Nesta edição, retirei deste capítulo as dicas para vencer a tendência à protelação, passando-as para o novo capítulo VI.
O capítulo IV propõe uma série de reflexões e exercícios sobre as questões que constituem a pedra fundamental da disciplina em relação ao tempo e à vida. Nele você encontra dicas e orientações para descrever e priorizar seus valores fundamentais, identificar seus papéis significativos e fazer uma declaração de missão pessoal.
O capítulo V introduz o conceito de Planejamento como processo em quatro níveis: político, estratégico, tático e operacional. O manual prático aqui se aplica ao horizonte de tempo mais longo ou profundo, na definição de metas pessoais.
Como já disse, a maior modificação desta nova edição está no horizonte tático do dia-a-dia, ao qual é dedicado o capítulo VI. A partir de uma análise detalhada, são dadas dicas objetivas, com formulários que ajudam a planejar o dia-a-dia, a lidar com o imprevisto e evitar o acúmulo de pendências.
O capítulo VII, que trata do planejamento estratégico ainda está em fase de revisão. Pretendo agregar aos conceitos da Gerência de Projetos segundo o paradigma da cascata de fases, que já aparecia na primeira edição, os conceitos dos métodos ágeis, bem como algumas considerações oriundas da minha experiência na gestão de equipes para a realização de projetos complexos.
Finalmente, o capítulo VIII se volta para o presente. Defende-se o ponto de vista de que anotar é a melhor forma de prestar atenção ao presente que efetivamente acontece e de recuperá-lo como passado imediato. Mostra-se que o que acontece no dia-a-dia é uma série de contatos que envolvem troca de informação e analisam-se os tipos de informação bem como as formas de organizá-la.
O livro termina com dois apêndices para aqueles que têm um pendor mais filosófico e queiram conhecer as bases que fundamentam muitos dos conceitos expressos ao longo do livro. No primeiro, são analisadas várias visões conceituais sobre o tempo. No segundo, fala-se um pouco sobre a ética, como filosofia da ação e dos valores.
Você pode usar este livro para aprender a realizar mais em menos tempo e ser mais eficiente no trabalho. Já relatei que esta foi também a minha motivação inicial quando, em 1987, participei de um primeiro curso de Administração do Tempo. Muitos que escrevem sobre este tema adotam o paradigma da eficiência, ensinando técnicas de organização voltadas para a vida profissional. Não descarto a validade e a importância dessas técnicas, que também fazem parte deste livro, mas prefiro a escola da eficácia. Segundo esta vertente, a administração do tempo é uma questão vital que abarca todas as esferas da vida de um indivíduo e não apenas a dimensão profissional. Minha experiência tem demonstrado que a disciplina de administrar o tempo dentro do paradigma da eficácia (fazer o que importa ao invés de fazer mais) é uma excelente ajuda na vida pessoal, produzindo mais realização e felicidade. Portanto, espero sinceramente que este livro e o sistema PowerSelf possam ajudar muitas pessoas a serem mais eficazes em suas vidas, de modo integral.
Nas livrarias e bibliotecas, os autores da escola da eficiência serão encontrados, provavelmente, na estante de livros sobre administração. Já os livros da escola da eficácia, podem estar na estante de administração, na de psicologia, filosofia ou na dos livros de auto-ajuda. À semelhança desses autores, acredito que a melhor forma de uma empresa maximizar seus resultados é contar com profissionais maduros, equilibrados e felizes. Esta abordagem começa com a constatação de que tempo é vida.
“Amar a Vida é amar o tempo. Tempo é aquilo do que a vida é feita.”
Benjamin Franklin
Portanto: tempo fragmentado, vida fragmentada; tempo atribulado, vida atribulada. Por outro lado: tempo flexível, vida livre; tempo controlado, vida organizada.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Introdução - O que é PowerSelf?
PowerSelf é um conceito - do inglês power (força, poder) e self (o eu, o si mesmo). PowerSelf significa portanto “fortalecimento do eu” ou o "aperfeiçoamento de si mesmo". O empowerment ou aumento de potência pessoal, no sentido de desenvolver as capacidades necessárias para fazer o que se quer ou se julga certo. Porém, o cultivo do self não significa egoísmo. Self é a unidade e unicidade do indivíduo singular, separado e, paralelamente, integrado ao mundo e aos outros eus que constituem a sociedade, com uma capacidade única e paradoxal de adaptação à realidade e de transformação desta mesma realidade. Self é o todo integral da pessoa, aquela autopercepção de unidade na multiplicidade de necessidades, papéis sociais e valores conflitantes que constituem a sua identidade.
Creio que através do fortalecimento do Self a pessoa evolui e supera suas limitações e, por outro lado, é capaz de aceitar-se como imperfeita. Somente um self fortalecido consegue assumir um maior controle de sua vida e de seu tempo, sem, entretanto, querer controlar tudo. Mas este fortalecimento não é algo que se possa adquirir, não é algo que possa ser dado por alguém, não é uma dádiva. É um processo, um caminho a ser trilhado pela própria pessoa e que envolve dois movimentos. De um lado, a ampliação do conhecimento e da compreensão de si mesmo e da realidade. De outro, a ampliação da responsabilidade pelas próprias escolhas e pela condução da própria vida.
Creio que este caminho pode ser percorrido através do exercício sistemático e continuado de três movimentos da atenção a atenção ao presente (percepção), a atenção ao futuro (planejamento) e a atenção ao passado (reflexão), hábitos fundamentais para a correta administração do tempo e da vida.
A reflexão é a base do conhecimento de si mesmo e do mundo, aprimorando sempre uma visão da realidade mais livre de preconceitos, crenças limitantes e expectativas irreais.
O planejamento é a chave para cumprir compromissos. Quando os desejos e sonhos se tornam compromissos consigo mesmo (metas pessoais), cumpri-los é afirmar sua identidade única e a realizar-se como pessoa. Quando os compromissos com os outros são assumidos de forma consciente, tornam-se compromissos pessoais, cujo cumprimento é a base da confiança, do crédito pessoal e da auto-estima.
A atenção ao presente é a única maneira de viver com qualidade, pois é só no presente que se vive.
Esses três hábitos são movimentos da atenção dirigidos às três dimensões do tempo agostiniano (ver Apêndice I). O planejamento é a disciplina de voltar a atenção para o futuro, para o que se deseja e para o que se quer evitar. A reflexão é a disciplina de voltar a atenção para o passado, para o que se conhece, para quem se é (na medida em que a identidade é o resultado de escolhas e experiências anteriores), para o que se fez e para o que aconteceu e, daí, retirar novos aprendizados. A atenção ao presente é a disciplina de vivenciar a experiência imediata, ampliando a percepção.
Esses conceitos se materializam num método e num Sistema de Planejamento Pessoal (Power Planner). PowerSelf também é o nome da empresa criada para divulgar o conceito, o método e o sistema. A PowerSelf oferece cursos e palestras sobre o método e também fornece as agendas e organizers que o incorporam. A missão da PowerSelf é ajudar as pessoas a realizar seu potencial, através da melhor compreensão e utilização do seu tempo.
O importante é o método, o algoritmo, o software que se executa para se conseguir resultados. O sistema PowerSelf é um hardware – uma ferramenta – projetado para facilitar a execução do algoritmo. Mas, na verdade, o hardware onde roda o algoritmo da gestão do tempo e da vida é o cérebro. Voltaremos a isso no capítulo II.
O método pode ser resumido em alguns passos:
- Reflexão inicial para definir valores fundamentais e metas de longo prazo.
- No início de cada mês: planejamento e acompanhamento dos projetos de longo prazo.
- A cada fim de semana: avaliação da semana passada e planejamento da semana entrante, com foco no longo prazo e no equilíbrio pessoal.
Diariamente:
a. No início do dia. Revisão e indexação das anotações do dia anterior, planejando as ações demandadas. Fazer um Plano Diário, distinguindo ações de compromissos com hora marcada e priorizando as ações em ABC. Confirmação ou renegociação dos compromissos com hora previamente agendados.
b. Ao longo do dia. Marcação de compromissos futuros negociando tempo livre adequado. No tempo livre, alternar entre a rotina, as prioridades e as urgências inesperadas. Anotação sistemática dos contatos, eventos e idéias.