<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575</id><updated>2012-02-08T08:44:44.526-08:00</updated><category term='Epícteto'/><category term='competição'/><category term='jornalismo'/><category term='Brasil'/><category term='probabilidade'/><category term='PowerSelf'/><category term='Privacidade'/><category term='informação'/><category term='priorização'/><category term='Pirro'/><category term='empreendedorismo'/><category term='dinheiro'/><category term='Prigogine'/><category term='incerteza'/><category term='limite'/><category term='Junior Achievement'/><category term='filosofia'/><category term='organização'/><category term='CGI'/><category term='esquerda'/><category term='ataque'/><category term='Economia'/><category term='ideologímetro'/><category term='Sêneca'/><category term='prazo'/><category term='Internet'/><category term='Desejos'/><category term='Neutralidade'/><category term='ética'/><category term='radical'/><category term='determinismo'/><category term='moral'/><category term='posicionamento político'/><category term='início'/><category term='Corrupção'/><category term='administração do tempo'/><category term='Epicuro'/><category term='Marco Aurélio'/><category term='fim'/><category term='ICANN'/><category term='estoicismo'/><category term='comprometido'/><category term='Carnéades'/><category term='direita'/><category term='tempo'/><category term='finanças'/><category term='ignorância sistemática'/><category term='método'/><category term='planejamento'/><category term='dúvida'/><category term='investimento'/><category term='Liberdade'/><title type='text'>Reflexões à Margem do Tempo</title><subtitle type='html'>Textos de Jaime Wagner.  Twitter: @jaime_wagner</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>51</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-5048878606524886959</id><published>2011-04-24T07:26:00.000-07:00</published><updated>2011-04-24T07:42:23.319-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Corrupção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desejos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Epicuro'/><title type='text'>A Inflação dos Desejos</title><content type='html'>Leio em reportagem de ZH sobre a corrupção na polícia a sentença do jornalista Carlos Etchichury: “são as carências das polícias que abrem margem para a corrupção”. A princípio tende-se a concordar com o raciocínio meridiano, que, aliás, é o mesmo usado pelo Judiciário para justificar altos salários, construções opulentas e mordomias especiais. Isso me lembrou máxima que cunhei há anos ao orientar orçamentos empresariais: “o problema não está na escassez dos recursos, mas na inflação dos desejos”. Onde se situa o limite do desejo para que não cause a sensação de carência? Aí é que está: carência é um “sentimento” ´de dor e infelicidade que resulta da insatisfação de alguma necessidade. Mas qual necessidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Epicuro classificava os desejos em três categorias, conforme a natureza e a necessidade e aconselhava a maneira sábia de lidar com eles. Os desejos naturais e necessários (alimento, sono) precisam ser buscados e realizados. Os desejos naturais e não necessários (a boa mesa, a música, o sexo) devem ser desfrutados na justa medida, sem apego demasiado. Os desejos não naturais e nem necessários (a acumulação de dinheiro, os vícios) devem ser evitados. Para Epicuro, não existiam desejos necessários e não naturais. Ele não viveu numa sociedade tecnológica onde o possível rapidamente se torna necessário. Parece que ninguém consegue viver hoje sem celular, automóvel e Internet. Ou melhor, uma vida sem essas facilidades tecnológicas parece insuficiente. Mas devemos usar a tecnologia sem nos deixarmos usar por ela.Então, ouso expandir os conselhos de Epicuro, dizendo que as coisas necessárias e não naturais devem ser usadas sem apego e sem subserviência e proponho a seguinte Matriz dos Desejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-RKR0OpP5xck/TbQzlG-LeTI/AAAAAAAAAsQ/0EWLFkffvfI/s1600/Matriz%2Bdos%2BDesejos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 319px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-RKR0OpP5xck/TbQzlG-LeTI/AAAAAAAAAsQ/0EWLFkffvfI/s320/Matriz%2Bdos%2BDesejos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599156949347957042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à corrupção da polícia, ela se justificaria, segundo o jornalista, pela carência de veículos e salários. Veículos vá lá, mas quanto aos salários cabe indagar: qual o salário necessário para saciar o desejo pelo supérfluo e pela acumulação ostentatória? Para um caráter fraco, que se avalia pelo ter, esse limite é dados pelas posses do outro. Os policiais olham para os juízes que olham para os deputados, que olham para os empresários mais abastados, que olham para os milionários, que olham uns para os outros. A inveja do ter é a mola negativa da competição. O orgulho de ser é a sua mola positiva. Nossa sociedade não é apenas mais tecnológica do que a sociedade grega dos tempos de Epicuro. Ela também é mais competitiva. Para o bem ou para o mal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-5048878606524886959?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/5048878606524886959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=5048878606524886959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5048878606524886959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5048878606524886959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2011/04/inflacao-dos-desejos.html' title='A Inflação dos Desejos'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-RKR0OpP5xck/TbQzlG-LeTI/AAAAAAAAAsQ/0EWLFkffvfI/s72-c/Matriz%2Bdos%2BDesejos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-5345756931274635346</id><published>2011-04-04T16:10:00.000-07:00</published><updated>2011-04-04T20:36:15.413-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neutralidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ICANN'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Liberdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Privacidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CGI'/><title type='text'>Quatro aspectos da Liberdade na Internet</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Liberdade e Identidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os meios eletrônicos, em tese, permitem controle absoluto. Entretanto, a Internet foi administrada até hoje sob a égide da liberdade. Principalmente porque nela a identidade é apenas declaratória e não requer comprovação. Eu posso declarar ser o Pato Donald com endereço na Disneylândia e ninguém tem a obrigação de verificar a veracidade da minha afirmação. Isso garante a privacidade e a liberdade de expressão, evitando a censura e o controle. Em contrapartida, esse anonimato facilita a ação ilícita e dificulta a localização dos perpetradores para desespero de policiais, juízes e autoridades ao redor do mundo. Ademais, toda autoridade no mundo real tem jurisdição e a Internet não tem fronteiras. Pode-se conversar com ou cometer crimes no outro lado do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O delicado equilíbrio entre liberdade e controle na Internet tem um tom mais liberal pela ação da ICANN (Internet Corporation for Assigned Numbers and Names). A forma de identificação que permite o endereçamento e a troca de informações na Internet é o Sistema de Nomes de Domínios (DNS) acoplado ao endereçamento IP. A administração deste sistema foi delegada à ICANN no governo Clinton. A ICANN é uma empresa sem fins lucrativos, organizada sob as leis da Califórnia, com um sistema de gestão "bottom up, multistakeholder, private sector led", razoavelmente internacionalizado e relativamente independente. O modelo de governança multi-setorial (academia, setor privado, governo e terceiro setor) inspirou inclusive a criação do CGI.br. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns governos querem colocar as funções da ICANN sob o controle da UIT, um órgão da ONU. Embora ainda esteja um pouco sob a égide dos EUA, a tendência refletida na estrutura da ICANN é de uma entidade independente, sem subordinação a nenhum país, o que é muito diferente de estar subordinada a todos os países (e seus governos). O único órgão de decisão na ICANN é o Board, composto por voluntários indicados pelas Organizações de Suporte, Comitês de Assessoramento e pelo Comitê de Nomeação, respeitando critérios de conhecimento bem como de diversidade, tanto geográfica quanto de gênero. As três SOs "Supporting Organizations" são: GNSO ("Generic Names"), ccNSO ("Country Codes") e ASO ("Address"). Elas formulam as propostas de políticas nas áreas fim da ICANN: nomes de domínios (genéricos ou de países) e endereços IP, respectivamente. Na ICANN os governos têm o mesmo status que o terceiro setor e apenas com função de aconselhamento através do GAC (Government Advisory Committee) e do ALAC (At Large Advisory Committee), respectivamente. Obviamente, os governos não gostam desta falta de poder. Há outros dois Comitês de Assessoramento mais técnicos: RSSAC (Root Servers Advisory Committee) e SSAC (Security and Stability Advisory Committee). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diversas forças dentro da ICANN querem imputar às empresas registradoras a obrigação de identificação final dos registrantes de domínios. Embora alguns cuidados maiores possam e devam ser tomados para dificultar a ação criminosa, o requisito de validação de identidade pelo registrador equivaleria a decretar a censura na Internet. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na questão da identificação a ICANN tem feito um bom trabalho de governança, mas há outras ameaças à liberdade na Internet que ultrapassam sua esfera de atuação. A mais premente, talvez, seja a questão da neutralidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Liberdade e Neutralidade &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por falta de jurisdição os governos não têm tanto poder na Internet. Não se pode dizer o mesmo das empresas que fornecem acesso ou plataformas colaborativas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CGI.br formulou dez &lt;a href="http://bit.ly/g6zl0V"&gt;Princípios para a Governança da Internet &lt;/a&gt;. O princípio da neutralidade reza: “Filtragem ou privilégios de tráfego devem respeitar apenas critérios técnicos e éticos, não sendo admissíveis motivos políticos, comerciais, religiosos, culturais, ou qualquer outra forma de discriminação ou favorecimento”. Ou, nas palavras do conselheiro Carlos Afonso, “todos os bits são iguais perante a rede”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A qualidade do serviço pode ser percebida pelo tempo de resposta, mas como é razoável uma certa variação, o usuário não tem meios para comprovar ou verificar a qualidade que lhe está sendo oferecido. É razoável as empresas fornecerem distintos graus de serviço a diferentes preços. Por motivos técnicos, o tráfego de aplicações em tempo real também é privilegiado. Porém, não é aceitável que o tempo de resposta obedeça a critérios comerciais do fornecedor, para favorecer parceiros ou prejudicar concorrentes, por exemplo, sem o conhecimento nem o consentimento do usuário. Não é aceitável, mas é praticado. Aqui a fiscalização por autoridades governamentais se impõe, embora seja dificultada pela questão da jurisdição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma não é aceitável que os governos bloqueiem ou filtrem determinados tipos de tráfego por motivos políticos ou religiosos e isso também é praticado, como eventualmente ocorreu no Egito, e sistematicamente ocorre no Iran e na China. Embora qualquer bloqueio na Internet possa ser burlado, essa prática deteriora radicalmente a qualidade do acesso a determinados conteúdos. É importante que se reafirme que a fiscalização do grau de serviço não é uma atribuição da ICANN. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Liberdade e Privacidade &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Outro abuso de poder das empresas ocorre muitas vezes com a conivência relativamente inocente do usuário. Ferramentas de “data mining” analisam suas preferências de navegação para oferecer facilidades de navegação, atalhos, formatos de telas, produtos e serviços talhados ao seu gosto. Em nome da economia de tempo e da melhoria da experiência digital as informações do usuário são guardadas e utilizadas, muitas vezes com o seu consentimento, mas às vezes sem o seu conhecimento. Por trás disso há um processo de engenharia social com consequências assustadoras. Um executivo da Google mencionou que seus dados permitiriam prever a probabilidade de separação de um casal antes mesmo que qualquer um dos dois reconhecesse qualquer incompatibilidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente do consentimento ou não do usuário, há aí uma interferência no fluxo de dados que não obedece apenas a critérios técnicos e que limita ou molda a experiência de navegação, afetando a neutralidade da rede. Mas o mais grave é a guarda de um banco de dados privados que pode ser acessado devida ou indevidamente por terceiros. Na Europa, principalmente, mas também nos EUA e no Brasil, discute-se regular os limites para essa prática. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Liberdade e Interoperabilidade &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Internet só se tornou um espaço de colaboração livre porque o desenvolvimento do seu núcleo se baseou em padrões abertos, que permitiram a interoperabilidade de distintas redes e equipamentos e a participação de todos em seu aprimoramento contínuo. Mas, nas palavras de Jaron Lanier [1] “arquiteturas de redes digitais naturalmente incubam monopólios”. O “efeito rede” onde cada elemento do sistema (máquina, pessoa ou estrutura de dados) passa a depender da aderência a um mesmo padrão é buscado incessantemente por empresas que querem estabelecer o seu diferencial competitivo. Criam-se assim ilhas de padrões proprietários que impedem a livre migração dos usuários de uma plataforma para outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interessante é que o próprio usuário contribui para o seu aprisionamento, pois essa “reserva de mercado” é potencializada pelo fenômeno “free”. Embora os protocolos ou algoritmos básicos de uma plataforma sejam proprietários, cria-se uma camada de plugins gratuitos que permitem o desenvolvimento de ferramentas sobre ela. No modelo “free” típico não é preciso pagar nada pelo uso da plataforma ou para desenvolver aplicativos e ferramentas para ela. Assim o custo dessas ferramentas para o usuário também é reduzido ou zerado, porque o seu maior agregado de valor não é necessariamente a excelência técnica, mas sim o tamanho da legião dos seus consumidores e do número de agregados desenvolvidos em cima dela por parceiros, um fator puxando o outro num fenômeno de realimentação positiva. Essa legião de usuários não só se constitui em barreira de entrada a possíveis competidores, como também em uma “audiência” que transforma esta plataforma tecnológica em uma mídia, onde o que se vende é o usuário e não o serviço. Assim, serviços “gratuitos” de grande utilidade atraem milhões de usuários que são “vendidos” a grandes e pequenos anunciantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Conclusão &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Seja por governos (legítimos ou não) seja por empresas (éticas ou não) a liberdade na Internet é constantemente ameaçada. É importante que se busque a consolidação e a legitimidade do modelo de governança multi-setorial em que o governo não tem mais o papel primordial. Talvez o terceiro setor, representando o usuário, seja o grande protagonista nesta nova ordem, mas sua legitimidade ainda é questionável. O modelo da ICANN é a primeira experiência, mas cobre apenas o DNS e a questão da identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discute-se no IGF (Internet Governance Forum) o futuro modelo para a governança da Internet. Uma corrente, representada principalmente por governos, deseja um modelo multi-lateral de internacionalização, nos moldes da ONU. Outra corrente, constituída basicamente pelos outros setores (setor privado, academia e terceiro setor) busca estender o modelo multi-setorial. Entretanto, as discussões têm escorregado pelas boas e más intenções, sem resultados concretos até agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo brasileiro teve grandeza de visão ao deixar a administração do registro.br a cargo de uma entidade civil sem fins lucrativos: o NIC.br. A Assembleia Geral do NIC é constituída pelo CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), que, por sua vez, é reconhecido por Decreto Presidencial como órgão de assessoramento do governo para todas as questões relativas à Internet. O CGI tem 21 conselheiros com maioria de representação da sociedade civil de 11 membros eleitos pelos respectivos setores (3 da academia, 4 do terceiro setor e 4 da iniciativa privada), 9 membros são indicados por órgãos do governo e o Presidente do NIC.br é um membro independente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A área de influência do CGI.br não se restringe ao domínio .br, mas nas outras áreas seu papel é de aconselhamento. Portanto, seu escopo excede aquele da ICANN, que lhe serviu de modelo. Por isso, o CGI teve a iniciativa inédita em termos mundiais de elaborar uma Carta de &lt;a href="http://bit.ly/g6zl0V"&gt;Princípios para a Governança da Internet,&lt;/a&gt; que está servindo de modelo a outros países e que pode ser um caminho para o IGF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Lanier, Jaron. "You Are Not a Gadget". New York, Alfred Knopf e-book, 2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-5345756931274635346?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/5345756931274635346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=5345756931274635346' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5345756931274635346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5345756931274635346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2011/04/quatro-aspectos-da-liberdade-na.html' title='Quatro aspectos da Liberdade na Internet'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-6512983784418745288</id><published>2011-02-23T15:03:00.000-08:00</published><updated>2011-02-24T04:56:22.308-08:00</updated><title type='text'>Rol de Paradoxos</title><content type='html'>Enquanto a virtude privada é a iniciativa, a virtude pública é a probidade. O agente privado pode tudo que a lei não proíbe. O agente público só pode o que a lei autoriza expressamente. O agente privado explora os limites da lei e novas leis são feitas para defender a sociedade dos excessos dos indivíduos. Portanto, a lei tem mais o sentido de vedar do que o de permitir. Daí, seria de esperar que amplitude da esfera pública fosse bastante restrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o que se verifica no Brasil. Aqui todos (pessoas físicas e jurídicas) cobram iniciativa do governo e procuram atrelar seus vagões à pretensa locomotiva estatal. E depois todos criticam os excessos de iniciativa que antes reclamaram. País paradoxal, difícil de entender e de dar certo, como já dizia Tim Maia. “No Brasil traficante se vicia, prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, pobre é de direita e rico é de esquerda”. Acrescentemos ao rol dos paradoxos: o político tem iniciativa e o cidadão é probo e pacato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos, assim todos esses personagens se declaram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-6512983784418745288?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/6512983784418745288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=6512983784418745288' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/6512983784418745288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/6512983784418745288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2011/02/rol-de-contrastes.html' title='Rol de Paradoxos'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-697722270702307616</id><published>2010-11-06T08:04:00.001-07:00</published><updated>2010-11-06T12:06:11.348-07:00</updated><title type='text'>Mobilização pela FAPERGS</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt; &lt;p&gt;Sem saber e sem pedir fui indicado este ano pela Governadora Yeda Crusius para integrar o Conselho da FAPERGS (&lt;a href="http://www.fapergs.rs.gov.br/"&gt;http://www.fapergs.rs.gov.br/&lt;/a&gt;). Fiquei muito honrado com a distinção, mas como é do meu feitio não pretendo apenas comparecer a reuniões. Pretendo defender a pesquisa e o desenvolvimento (P&amp;amp;D) na Universidade, mas tenho convicção, por experiência própria, que o ciclo virtuoso só se consolida quando as empresas passam a investir em P&amp;amp;D diretamente com vasos comunicantes com a academia. A oportunidade agora é a mobilização pela aprovação de três emendas ao orçamento do Estado para 2011, já encaminhado pelo Governo à Assembléia Legislativa do RS.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A Comissão de Orçamento da AL tem até o dia 11 de novembro para apreciar as emendas. O relator da comissão é o Deputado Kalil Sehbe, que já foi Secretário de Ciência e Tecnologia e conhece a situação. Entretanto, como política é a arte da pressão e do escorregão, sempre cabe alguma ação. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;As três emendas - duas populares (uma de R$45 e outra de R$4 milhões) e outra do Deputado Adão Villaverde (R$2,5 milhões) - aumentariam a previsão de repasse em 2011 para R$62,5 milhões, já que o Orçamento encaminhado pelo Executivo repete o mesmo valor do orçamento de 2010: R$11 milhões. Os R$62,5 ainda estão aquém dos R$70 milhões necessários para dar andamento aos projetos previstos e seriam apenas 32% dos R$219 milhões, correspondentes aos 1,5% da Receita Líquida que a Constituição Estadual determina. Vale dizer que por muitos anos a FAPERGS não tinha estrutura operacional para viabilizar a aplicação dos recursos. Felizmente, este não é mais o caso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Agenda 2020 (&lt;a href="http://bit.ly/5fxVXr"&gt;http://bit.ly/5fxVXr&lt;/a&gt;), resultado de um amplo debate na sociedade, apontou que ser "referência em inovação e tecnologia" é um dos três diferenciais competitivos que o RS deveria buscar persistentemente para viabilizar a visão de ser "o melhor estado para se viver e trabalhar". Isso não pode ficar só no discurso! Não se pode ser referência em inovação sem investir em ciência e tecnologia (C&amp;amp;T). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Concedo que investimentos privados locais podem ocorrer independentemente do investimento público. Porém a sinalização política é dada por este. Nesse aspecto, o repasse à FAPERGS é um limitante à capacidade de atração de investimento de organismos federais (BNDES, FINEP), internacionais (Banco Mundial) e até mesmo de grandes empresas (Vale, Microsoft) que requerem uma contrapartida mínima do governo local para investir em programas de fomento à pesquisa e desenvolvimento no Estado. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se o Estado quer ser referência em inovação e tecnologia, a realidade está muito longe do discurso e isso é uma responsabilidade de todos nós, não apenas do Executivo. Se a Agenda 2020 teve inspiração nas entidades empresariais, estas têm uma responsabilidade muito maior nesta correção de rumos. Demonstro a seguir a distância que separa o discurso da prática.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dados comparativos de que disponho são de 2009. Comparam os repasses a 17 das 22 FAPs no Brasil (&lt;a href="http://bit.ly/bIwnTk"&gt;http://bit.ly/bIwnTk&lt;/a&gt;). Em termos absolutos, o RS está em 12º lugar, mas o gráfico é mais eloquente.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 196px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536455669663503938" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_OMqERvPJ67o/TNVxGSD9lkI/AAAAAAAAArI/D3UTwkBogpE/s320/Repasses+%C3%A0s+FAPs+2009.png" /&gt;&lt;br /&gt;O RS investe em C&amp;amp;T apenas 1,4% do que SP. Sem contar que a FAPESP tem ainda fontes de recursos próprios, vedadas por lei à FAPERGS (um PL que altera isso está para enviado pelo Executivo à AL). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se considerarmos o investimento por habitante, o RS cai ainda mais: para o 15º lugar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 199px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536456443484674210" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_OMqERvPJ67o/TNVxzUxTmKI/AAAAAAAAArQ/0TGiJwhtqVI/s320/Repasses+%C3%A0s+FAPs+por+hab+2009.png" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A prática dos governos, independentemente de partido, se distancia cada vez mais do das intenções da sociedade (Agenda 2020) e do próprio discurso político (os 1,5% da Constituição Estadual) como demonstra a tabela abaixo. A tabela mostra que o % repassado nos quatro anos de mandato dos últimos quatro governadores, se distancia cada vez mais do que manda a Constituição. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Governador_ Receita Líq._ Repasse FAPERGS % Repassado&lt;br /&gt;Britto______ 12.174,56 ___ 42,19 ________&lt;strong&gt;0,35%&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Olívio _____ 16.344,33 ____49,36 ________&lt;strong&gt;0,30%&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Rigotto ____ 34.968,20 ____57,31 ________&lt;strong&gt;0,16%&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Yeda _____  50.629,53 ____48,70 ________&lt;strong&gt;0,10%&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;________(valores em R$ milhões)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Repito: a responsabilidade por este estado de coisas não é só do Executivo. De fato, o cobertor das finanças é curto para tantas demandas e desmandos de tantos setores da sociedade gaúcha. Não há como fazer omelete sem quebrar ovos. Definir prioridades não é dizer o que se quer, mas sim fazer escolhas. Querer tudo é coisa de criança. Definir prioridades é incorrer no custo de oportunidade daquilo que se deixa de fazer quando se opta por uma alternativa, com a consciência de que ela é a melhor. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por exemplo, a origem dos recursos apontada pelas três emendas são verbas destinadas ao pagamento de precatórios (dívidas do Estado com seus cidadãos), que aliás tem, por lei a destinação dos mesmos 1,5% da Receita Líquida. Eu, por meu turno, acredito que viabilizar o futuro é mais importante do que saldar o passado. Entretanto, muitas pessoas e até entidades empresariais hesitam na hora de se posicionar.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-697722270702307616?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/697722270702307616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=697722270702307616' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/697722270702307616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/697722270702307616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2010/11/mobilizacao-pela-fapergs.html' title='Mobilização pela FAPERGS'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_OMqERvPJ67o/TNVxGSD9lkI/AAAAAAAAArI/D3UTwkBogpE/s72-c/Repasses+%C3%A0s+FAPs+2009.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-6890816037869971377</id><published>2010-09-16T03:06:00.000-07:00</published><updated>2010-09-16T04:22:35.246-07:00</updated><title type='text'>The true digital divide</title><content type='html'>Broadband Internet access is being worded as "the" digital divide between those that are connected and those that are not. What is at stake here is a matter of resources: communication channels, IP addresses and, of course, investment.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Once this first barrier is surpassed it will be unveiled another twofold digital divide. Remote previously unconnected places will engage the connected world mainly as consumers of information content and as users of tools, both produced and developed abroad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I have doubts if the developed and rich part of the world will devote the same effort and resources to overcome this new divide in a true digital world as it is devoting to overcome the access barrier.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anyway these considerations are not made with the intention to delay the pace of inclusion in this brave new digital world but to initiate debate on the ways to deal with this other divide and its implications.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-6890816037869971377?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/6890816037869971377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=6890816037869971377' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/6890816037869971377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/6890816037869971377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2010/09/true-digital-divide.html' title='The true digital divide'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-9114713829987312197</id><published>2010-04-17T09:30:00.000-07:00</published><updated>2010-04-17T09:48:15.449-07:00</updated><title type='text'>Cap.1 Escravos do Tempo - Parte 6</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Tempo Efêmero – Vida Virtual&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Todos idolatram a inovação, o conhecimento e a informação como se fossem fins em si mesmos. Esquecem que a informação é um instrumento, embora seja um poderoso cinzel. Ao invés de usá-la como escultores, muitos se deixam moldar por ela, tornado-se as próprias esculturas. Aqui, vale citar Tzvetan Todorov : “A ciência não produz valores, só conhecimento, a política e a moral é que produzem valores. Toda pretensão de fundar a política ou a moral sobre a ciência é uma impostura, porque se pretende que são por razões científicas que preferimos uma política a outra. Na realidade, é sempre porque nossa vontade escolheu tal valor ou outro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma enorme indústria de mídia, cuja matéria-prima é a novidade, a notícia que, depois de consumida, perde seu valor. O diferencial competitivo entre produtos, empresas e pessoas, relacionado à inovação, é cada vez mais efêmero. Se um produto inovador faz sucesso, logo em seguida é copiado. Se uma empresa inova na forma de prestar um serviço, logo é imitada. A velocidade de difusão da informação torna a diferença efêmera, a obsolescência rápida e faz da padronização a regra. A qualidade total, em produtos e serviços, normatizada e adotada universalmente, é um requisito que, em pouco, não constitui mais diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moda, impulsionada pela mídia e pela comunicação, também é cada vez mais universal e, paradoxalmente, efêmera. Há uma moda universal, de massa, e uma moda local, segmentada. Só que o “local” não tem mais nada a ver com a localização geográfica. A comunicação entre grupos com interesses comuns cria estilos de vida típicos, independentes de origem ou país. O vínculo cultural local e natural é substituído por um vínculo cultural virtual e adotado. Estudam-se hábitos de consumo, os tipos são catalogados e classificados por um mercado fornecedor que lhes oferece produtos sob medida. Neste processo, a diferenciação é catalogada, estereotipada e produto e consumidor se padronizam mutuamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lê-se mais jornal do que livros, pois não há tempo a perder. Entretanto, jornalismo e filosofia lidam com informação e conhecimento de formas opostas. À filosofia interessa a informação mais perene: a verdade essencial e permanente. O jornalismo lida com a notícia: a novidade imediata e fugaz. Enquanto a sabedoria mais antiga é a melhor filosofia, a notícia de ontem já é velha. A filosofia sonda os aspectos mais sutis das idéias e das palavras, procura a perspectiva múltipla que questiona a si mesma, buscando o olhar mais incomum para tornar-se mais universal. O jornalismo, assim como a propaganda que o alimenta, busca a universalidade pela identidade. Usa a linguagem popular, local e comum, traduzindo e filtrando tudo o que possa não ser compreendido pela cultura em que se insere. Nos tempos que correm, a inundação de notícias, propaganda e informações fugazes é tanta que o público perdeu a noção das antigas verdades maiores. Assim, elas ganharam ares de novidade, viraram notícia. Boa nova: a sabedoria reciclada em auto-ajuda é comercializada nas esquinas da Internet da mesma maneira que os sofistas faziam na antiga Atenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pessoa não mais interessa. Interessa a imagem que ela projeta. A mídia celebra a imagem. As relações não se fundam mais na convivência, no relacionamento, não há tempo para isso. As relações são trocas pontuais e fragmentadas, retalhos de imagens projetadas nos diversos meios em que o indivíduo circula. Nessa lufa-lufa, não é de se admirar que os indivíduos percam a noção de si mesmos. Afinal quem sou eu? Onde está o meu valor como pessoa? A resposta a estas questões fundamentais é dada rapidamente, pois, afinal, não há tempo a perder. Fica-se na casca da personalidade, nas “personas”, nas máscaras sociais, nas imagens projetadas. “Fulano é um executivo de sucesso. Seu valor pode ser atestado pelo crescimento da sua empresa.” E então o próprio fulano se vê assim. Quem sou eu? Sou um executivo de sucesso! Um papel assume a preponderância e nele se centra toda a sua vida. Não é de se admirar que lhe falte equilíbrio, que se sinta muitas vezes um pai medíocre ou uma pessoa sem amigos verdadeiros. É natural que se sinta inseguro em relação ao seu valor pessoal, pois o valor da imagem na qual está centrado lhe pode ser retirado, de uma hora para a outra, por circunstâncias fora do seu controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Administrar o tempo-vida é uma questão de valores e de auto-conhecimento. É uma questão ética e moral. É uma única questão que não se situa no campo da administração ou da economia, mas no da filosofia. E esta questão é: “O que fazer do meu tempo?”. A resposta que cada um dá a esta questão define o significado e o valor da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois pilares da sabedoria no templo de Apolo, em Delfos, eram: “Conhece-te a ti mesmo” e “Nada em excesso”: auto-conhecimento e equilíbrio. Até que ponto conhecer e aceitar a si mesmo e até que ponto mudar? Até que ponto aceitar as circunstâncias e até que ponto buscar modificá-las? Reconhecer que a mudança interior é a base necessária para a mudança das circunstâncias. Refletir sobre estas questões é o que torna as pessoas livres e responsáveis: homens de ouro, na acepção platônica. Este é o início da correta administração do tempo. Não ter tempo para elas é escolher manter-se como homens de ferro, escravos do tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-9114713829987312197?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/9114713829987312197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=9114713829987312197' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/9114713829987312197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/9114713829987312197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2010/04/cap1-escravos-do-tempo-parte-6.html' title='Cap.1 Escravos do Tempo - Parte 6'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-4710834744361488554</id><published>2010-04-17T07:49:00.000-07:00</published><updated>2010-04-17T09:00:49.299-07:00</updated><title type='text'>Resposta Atrasada</title><content type='html'>Quero agradecer os comentários do Sanches e do Bruno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bruno fez uma pergunta objetiva e eu gosto de responder objetivamente. Sim, eu uso smartphone sincronizado com o Outlook. Na verdade eu vivo experimentando novidades. Já usei vários Palms e agora uso o Iphone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha rotina de trabalho é no computador e com muita comunicação por e-mail e skype. Então, a base da minha organização é o MS Outlook. O Outlook 2003 não era muito flexível, mas o Outlook 2007 (em conjunto com o One Note) pode ser adaptado para usar o método PowerSelf no que tange à organização. A dica é o uso de sinalizadores para os e-mails e contatos. Para compromissos com hora, minha agenda é o Outlook sincronizado com o Iphone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não deixei de usar o Power Planner. Acredito que as ferramentas em papel têm um caráter de visualização holística que a eletrônica ainda não conseguiu alcançar. Além disso, o imediatismo da entrada de dados em papel está mais adequado às exigências de velocidade destes novos tempos do que os gadgets informáticos. Paradoxo: a eletrônica aumentou a velocidade das interações, com isso aumentou a pressa das pessoas e ainda não tem a velocidade suficiente para satisfazer esta ansiedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente, uso o Plano Diário para fazer o planejamento do dia (decisão sobre prioridades e confirmação dos compromissos agendados no Outlook) e as Notas Diárias para anotação dos contatos ao longo do dia. Estes dois formulários já fazem parte dos meus hábitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros três formulários eu uso como disciplina - isto é, nem sempre e com esforço :-). Assim é que uso o Índice das Notas como uma forma de disciplinar a sua revisão. Outros formulários que me disciplino a usar são a Avaliação Semanal e o Plano Semanal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, creio que o planejamento com uma visão maior funciona melhor se feito semanalmente e no papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa minha intuição que é bem antiga, parece ser confirmada pelo sucesso dos métodos ágeis de gerenciamento de projeto em detrimento da abordagem tradicional de montagem de cronogramas e orçamentos. O modelo de gestão adaptativo está tomando o lugar do preditivo, pelo menos na indústria de software e internet, que costumam ser precursoras das inovações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um dos temas que estou desenvolvendo na nova versão do livro. Um parto de elefante ao qual só consigo me dedicar esporadicamente. Entretanto, nos últimos seis meses, dediquei-me um pouco mais e consegui bastante progresso. Esse foi o principal motivo de ter deixado este blog meio de lado. E por isso peço desculpas por esta resposta tardia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-4710834744361488554?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/4710834744361488554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=4710834744361488554' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/4710834744361488554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/4710834744361488554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2010/04/quero-agradecer-os-comentarios-do.html' title='Resposta Atrasada'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-8469816079096738622</id><published>2009-08-31T10:49:00.000-07:00</published><updated>2009-08-31T10:51:34.829-07:00</updated><title type='text'>Cap.1 Escravos do Tempo - Parte 5</title><content type='html'>&lt;a name="_Toc20886152"&gt;&lt;strong&gt;Tempo Partilhado – Vida Que&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;brada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio deixa de ser um instrumento para tornar-se o ditador supremo da vida. Todos esquecem o porquê dos relógios e dos horários, esquecem que marcam hora para sincronizar a sua vida com a dos outros de modo interdependente. O cumprimento do horário se torna mais importante do que a interação em si, o relógio importa mais do que o outro. Pior, ao invés de assumir compromissos de forma espontânea e integral, alguns se comprometem com “o relógio” de forma automática e dependente. Encaram os compromissos como algo a que devem se submeter contra a vontade, uma obrigação sem liberdade de escolha. Com esta atitude, externalizam a responsabilidade. E então o “eu”, agente autônomo, já não está lá. Agem como vítimas do compromisso, o qual se torna um símbolo da sua fraqueza, um reforço negativo para sua auto-imagem. Ter compromissos, ter “hora”, torna-se um fardo. Atlas esmagado sob o peso do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tendência geral é compartimentalizar a vida em horários e em personalidades bipartidas. Das 8 às 18h , existe uma pessoa, das 18h em diante, outra. Parece que não se age mais como pessoa integral, pois personalidades distintas são incorporadas em função do horário. Pior, são personalidades em conflito umas com as outras, dentro da mesma pessoa, de modo neurótico. Foi-se a inteireza e, talvez até, a integridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="_Toc20886153"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a name="_Toc460208208"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a name="_Toc460145767"&gt;&lt;strong&gt;Tempo Consumido&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; – Vida Vazia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Todos têm as mesmas 24 horas por dia. O que se faz com elas se chama vida. Ter tempo significa ter vida. Mas pode-se “ter” vida? Esta é uma outra face da confusão dos tempos modernos, que gira em torno do conceito de emprego e que embala o adágio de que “tempo é dinheiro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo é muito mais do que dinheiro. Conseguir dinheiro é uma questão de tempo, mas o inverso não é verdadeiro. Tempo não é uma questão de dinheiro. Tempo é vida. E o valor da vida não tem preço. Meu tempo é minha vida. É tudo que me acontece e que eu faço acontecer. Administrar bem o tempo é viver bem. Mas a questão é: o que é viver bem? Esta é uma questão ética, questão de valores e prioridades. Na sociedade de consumo parece que viver bem é ter dinheiro para comprar o que se quiser. Será mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos dizem que trabalham para ganhar a vida, para subsistir, ter o que comer e vestir, onde dormir. Porém, imagine que você perdesse o emprego ou a sua fonte de sustento. Você, realmente, não teria onde dormir, não teria o que comer e vestir? Ou poderia perfeitamente viver com menos, aceitando a ajuda ou mesmo a dependência de outros? Embora a maioria das pessoas não tenha problemas efetivos de subsistência, parece que todos têm urgência em ganhar a vida para sobreviver, o que se traduz em fazer coisas que gerem dinheiro para pagar as contas. Mas estas contas devem-se, em grande parte, à forma consumista como se usa o tempo livre. Ao invés de usá-lo de forma produtiva e criativa, a grande maioria das pessoas utiliza o seu tempo livre em consumo, sem grande correlação com qualquer necessidade efetiva. O próprio lazer virou mercadoria. Assim, o tempo do trabalho é visto como o tempo que se vende e não como um período livre para criar, produzir e contribuir. O próprio trabalho é encarado como um encargo necessário e não como uma contribuição espontânea. Em que isso difere de uma mentalidade escrava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos são chamados a consumir através de apelos mais ou menos sutis, que mexem com as emoções e interferem nas noções de valor. Na sociedade de consumo tudo vira mercadoria. A noção de valor é expressa em cifras. O dinheiro é o ídolo, e o mercado é o juiz supremo. A religião já ocupou este lugar. Na sociedade medieval o valor se expressava na salvação e o juiz era a Igreja. Ter e possuir cada vez mais coisas torna-se, em muitos casos, um outro vício, sem relação com as noções de necessidade e utilidade. Pessoas tomam “banhos de loja”, compram de forma compulsiva e consomem acima das suas possibilidades financeiras, endividando-se e criando uma poderosa carga de estresse adicional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade moderna cultua o mito do ócio como ideal de vida, e o trabalho duro como caminho para atingi-lo. Depois de “ganhar a vida” vendendo suas horas de trabalho, o empregado visualiza a aposentadoria como um éden de ócio, sem nada para fazer. Trabalha como escravo do tempo, como se criasse uma poupança de tempo futura, quando, então sim, irá viver “sem ter nada para fazer”. Em horizontes de tempo mais estreitos, a história se repete. Trabalha-se durante a semana para “viver” no fim de semana. Trabalha-se um ano para “gozar” nas férias. E, então, a superficialidade cobra seu preço na forma de tédio. Após algum tempo ocupando-se com distrações, o vazio de uma vida sem sentido torna o ócio insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, o tempo do lazer é aquele em que se desenvolve uma atividade livre da pressão da necessidade, mas cujo sentido, significado e finalidade são dados pela própria pessoa. Não se trata apenas de “matar o tempo”, mas de preenchê-lo com algo que conduza à realização pessoal. Este lazer, produtivo e criador, absorve; a pessoa usa todas as suas energias e, paradoxalmente, se revigora. Ou seja, o verdadeiro lazer é uma forma de preencher o tempo de modo produtivo e livre. Portanto, o lazer pode acontecer no trabalho. Não naquela forma de trabalho alienado em que se troca tempo (e vida) por dinheiro. Mas no trabalho que dá sentido à vida da pessoa, que desenvolve suas potencialidades, que lhe permite estabelecer vínculos afetivos e de cooperação com outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o lazer moderno tornou-se um produto de consumo para o tempo ocioso. Todo um setor de serviços oferece lazer empacotado, pré-pronto, na forma de distração de consumo rápido. O lazer não é mais desfrutado, mas consumido ansiosamente. São tantas as opções que o afã de lazer estressa tanto quanto o trabalho. E a superficialidade acaba por entediar, exigindo cada vez mais doses de distração. Este tipo distorcido de lazer torna-se também um vício, avidamente buscado e proporcionado em doses maciças pela sociedade de consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, a confusão tempo/dinheiro leva a querer “poupar” tempo. Deixar para depois toda a realização mais significativa, que sempre envolve uma aplicação mais demorada, sem frutos imediatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensa-se antes no dinheiro renovável e esquece-se do tempo insubstituível. Todos esquecem que o consumo implica demandas sobre o tempo. Por exemplo, uma pessoa que deseja comprar um barco, pensa antes nas suas possibilidades financeiras, sem levar em conta o tempo necessário para escolher, desfrutar e manter este novo brinquedo que, eventualmente, dadas as suas outras prioridades, poderá ficar sem uso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os valores pós-modernos da sociedade de consumo não se harmonizam com muitas das “virtudes aristotélicas”: a moderação, a justiça, a solidariedade e talvez até a integridade, mas principalmente, o amor. Cria-se uma versão de consumo empobrecida da velha história da música de Casablanca, que serve de epígrafe a este capítulo, em que “a luta por amor e glória” torna-se uma “luta por sexo e dinheiro”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-8469816079096738622?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/8469816079096738622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=8469816079096738622' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8469816079096738622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8469816079096738622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/08/cap1-escravos-do-tempo-parte-5.html' title='Cap.1 Escravos do Tempo - Parte 5'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-3971172348383182454</id><published>2009-08-22T09:05:00.000-07:00</published><updated>2009-08-22T11:39:27.330-07:00</updated><title type='text'>Cap. 1 - Escravos do Tempo - Parte 4</title><content type='html'>&lt;a name="_Toc20886151"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a name="_Toc460208207"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="_Toc460145766"&gt;&lt;strong&gt;Tempo Sincronizado&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; – Vida Amarrada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a era das organizações e dos sistemas. A complexidade da vida moderna, desde as atividades mais rotineiras até as mais elaboradas, exige o trabalho conjugado de várias equipes. A contribuição individual autônoma do inventor solitário ou do artesão, praticamente desapareceu, exceto, talvez, nas artes. O trabalho é tão complexo e envolve a mobilização de tantos recursos que apenas uma organização ou uma rede de relacionamentos pode levá-lo a cabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, para que tantas pessoas trabalhem de maneira organizada, com objetivos comuns, é preciso que as suas vidas estejam sincronizadas. Criam-se amarras de tempo entre elas, pois a organização requer controle centralizado da sincronização das partes. Foi nos mosteiros da Europa medieval que os relógios imprecisos (clepsidras) e locais (relógios de sol) até então usados começaram a ser substituídos por relógios mecânicos mais precisos e universais. O termo horarium é cunhado para atender à necessidade de estruturar e regular o trabalho no mosteiro e na comunidade em torno do tempo dedicado à oração, marcado por relógios mecânicos e anunciado por sinos para sincronizar a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a aceleração dos eventos, a necessidade de sincronização se afina. Já não são mais os carrilhões a marcar as horas, mas bips eletrônicos a soar a cada segundo. A economia globalizada funciona como um grande sistema que encerra todo o planeta numa malha de horários, que regula as trocas e interações mútuas. Em todas as esferas de suas vidas, as pessoas estão sincronizadas segundo a segundo, num ritmo único e cada vez mais acelerado, marcado por horários de trabalho, de estudo, de refeições, de reuniões, dos bancos, das lojas, das bolsas, do noticiário, da TV, do esporte, do cinema e do teatro. “Sem perceber, o homem civilizado, como Gulliver em Lilliput, encontra-se preso por milhões de tênues fios. Isolados, mal são percebidos; juntos, privam-no da sua liberdade.”&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="_Toc20886152"&gt;&lt;strong&gt;Tempo Partilhado – Vida Que&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;brada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O relógio deixa de ser um instrumento para tornar-se o ditador supremo da vida. Todos esquecem o porquê dos relógios e dos horários, esquecem que marcam hora para sincronizar a sua vida com a dos outros de modo interdependente. O cumprimento do horário se torna mais importante do que a interação em si, o relógio importa mais do que o outro. Pior, ao invés de assumir compromissos de forma espontânea e integral, alguns se comprometem com “o relógio” de forma automática e dependente. Encaram os compromissos como algo a que devem se submeter contra a vontade, uma obrigação sem liberdade de escolha. Com esta atitude, externalizam a responsabilidade. E então o “eu”, agente autônomo, já não está lá. Agem como vítimas do compromisso, o qual se torna um símbolo da sua fraqueza, um reforço negativo para sua auto-imagem. Ter compromissos, ter “hora”, torna-se um fardo. Atlas esmagado sob o peso do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tendência geral é compartimentalizar a vida em horários e em personalidades bipartidas. Das 8 às 18h , existe uma pessoa, das 18h em diante, outra. Parece que não se age mais como pessoa integral, pois personalidades distintas são incorporadas em função do horário. Pior, são personalidades em conflito umas com as outras, dentro da mesma pessoa, de modo neurótico. Foi-se a inteireza e, talvez até, a integridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; SERVAN-SCHREIBER, Jean-Louis. A Arte do Tempo. S.Paulo, Cultura Editores Associados, 1991.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-3971172348383182454?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/3971172348383182454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=3971172348383182454' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/3971172348383182454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/3971172348383182454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/08/cap-1-escravos-do-tempo-parte-3.html' title='Cap. 1 - Escravos do Tempo - Parte 4'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-2270657097981932306</id><published>2009-08-16T07:28:00.000-07:00</published><updated>2009-08-22T11:39:00.690-07:00</updated><title type='text'>Cap. 1 - Escravos do Tempo - Parte 3</title><content type='html'>&lt;a name="_Toc20886150"&gt;&lt;strong&gt;Tempo Fracionado – Vida Superficial&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem tempo livre para a reflexão, a ansiedade toma conta. A multiplicidade de eventos que se apresentam fraciona o tempo de tal maneira que não se consegue dar atenção a nada. Nada merece consideração maior do que alguns minutos. Nenhuma questão pode ser profunda. Os resultados precisam ser práticos e imediatos. A vida torna-se superficial e apressada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tem tempo para amar ou para fazer diferença? O amor e a honra perderam a essência do seu valor. Busca-se a aparência e o efeito, desvinculados da essência, da prática das virtudes que são sua causa. O desejo é de sexo – o amor instantâneo que não precisa ser cultivado e mantido pela atenção. O desejo é de dinheiro fácil – a riqueza imediata que não precise de trabalho. O desejo é de fama instantânea – a glória rápida que não requer esforço nem mérito. Inverte-se o ideal platônico, quanto mais aparente e efêmero, melhor. A aparência vale mais do que a essência. Se tudo muda e nada permanece, então a imagem instantânea é tudo. O que importa é parecer, o ser torna-se secundário. Informática, comunicações, internet, moda, notícia, lazer, terapias psi, todas as indústrias de serviços da sociedade pós-moderna vivem da manipulação de imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa sociedade virtual, em que milhares de versões se multiplicam sem que ninguém saiba se há um fato, a versão precede o fato e acaba por criá-lo. Os criadores de versões adquirem poderes demiúrgicos, de criar realidades a partir de virtualidades. A mágica se torna uma ciência e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pressa, o ritmo acelerado da vida torna-se um vício. Semelhante à nicotina, à cocaína e a outras drogas que, uma vez experimentadas, demandam doses cada vez maiores, a adrenalina, decorrente do estresse e da pressa, também vicia. Se, antes, a comunicação por carta satisfazia, hoje fica-se impaciente diante do e-mail que demora segundos para ser visualizado, ou puxa-se ansiosamente o papel da máquina de fax, porque demora a sair. Antes ia-se a pé para o trabalho. Hoje buzina-se ansiosamente porque o carro da frente demora três segundos para arrancar quando o sinal abre. Quando os carros surgiram, a velocidade de 60 Km/h assustava. Hoje, as pessoas ficam ansiosas ao dirigir a essa “baixa” velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida sem urgência parece perder a graça. A capacidade de reagir rápido parece ser mais importante do que a de agir certo. Assim, abdica-se daquilo que distingue o homem dos outros animais e dos autômatos: a capacidade de escolher como agir, ao invés de reagir de maneira padronizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) torna os usuários cada vez mais eficientes. Realmente, hoje pode-se fazer mais em menos tempo. Mas a que preço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A TIC cria uma distorção: valorizar mais a eficiência do que a eficácia. Valoriza-se mais a resposta rápida do que o questionamento do resultado que se pretende e isto faz com que as pessoas não tenham tempo para pensar, questionar, entender. Tornam-se vítimas das circunstâncias e perdem a influência sobre elas. Ouso afirmar que quanto mais "tecnológica" é a pessoa, menores são as suas chances de ser eficaz, de fazer diferença e, de modo geral, de sentir-se realizada. Por que? Porque a tecnologia multiplicou as interações e acelerou a capacidade de reagir a elas. E a reação rápida de base emocional nem sempre é a melhor do ponto de vista racional. A TIC acaba por produzir tics (nervosos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O culto ao instantâneo tem dois efeitos maléficos: 1) a frustração de verificar que mesmo com ferramentas mais rápidas, versáteis e portáteis, a capacidade de entendimento não aumenta; 2) o estreitamento do horizonte de tempo, priorizando a adaptação às circunstâncias imediatas em detrimento de uma visão crítica que possa modificá-las no longo prazo. Assim cria-se uma distorção da perspectiva do tempo e da vida e o que preocupa é que esses efeitos afetam ainda mais, e cada vez mais, os jovens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-2270657097981932306?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/2270657097981932306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=2270657097981932306' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/2270657097981932306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/2270657097981932306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/08/cap-1-escravos-do-tempo-tempo.html' title='Cap. 1 - Escravos do Tempo - Parte 3'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-8230921884182980968</id><published>2009-08-11T11:22:00.000-07:00</published><updated>2009-08-22T11:40:54.007-07:00</updated><title type='text'>Cap. 1 - Escravos do Tempo - Parte 2</title><content type='html'>&lt;a name="_Toc20886149"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a name="_Toc460208206"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="_Toc460145765"&gt;&lt;strong&gt;Tempo Acelerado&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; – Vida Saturada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos antepassados percebiam o tempo pela passagem dos dias, pelas variações climáticas, pelos ciclos de nascimento e morte. A vida era feita de acontecimentos naturais e cíclicos, dos quais o homem participava, mais ou menos passivamente, integrado à natureza, como parte do ciclo. Já, na vida moderna, os acontecimentos são convenções. É a hora de acordar, a hora do trabalho, a hora do almoço, a hora do jogo, a hora da novela, a hora do noticiário, a hora de dormir. O tempo dos homens não se submete mais aos ciclos naturais. O homem cria eventos, é o senhor das horas, o dono do tempo. Programa e sincroniza tudo para que a organização artificial da rede econômica funcione a contento. E, a cada dia, novas convenções são criadas, na forma de produtos e serviços que multiplicam os acontecimentos amarrando o homem à velocidade das máquinas. Assim, o tempo se acelera, pois a mesma duração é povoada por um número cada vez maior de eventos. O tempo pós-moderno é mais rico, mais coisas se criam, mudam e desaparecem a uma velocidade cada vez maior. Mas, a aceleração das mudanças traz embutido o aumento do risco, vive-se em permanente crise. O ritmo do mundo artificial está acima da capacidade do organismo natural. Tentando dar conta de tudo, o homem deixa de dar-se conta de si e perde o controle de suas emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada instante novas oportunidades se descortinam em todos os campos, de maneira interligada e interdependente: na vida profissional e na pessoal, no lazer e no trabalho. Os interesses, os vários papéis que assumimos espicaçados pelas inúmeras ofertas e possibilidades, também se multiplicam. Atualmente, é raro encontrar uma pessoa que tenha uma única área de interesse. Cada vez mais, pode-se conhecer mais sobre mais assuntos, experimentar mais situações distintas, abrir-se a novos pontos de vista. Os profissionais tornam-se especialistas-generalistas. E, na ânsia de realizar tanto em tantos e distintos campos, no afã de aproveitar as muitas oportunidades que se descortinam, saturam a própria disponibilidade. Vivem ansiosos, com um grande medo de perder tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por medo de “perder tempo” todos se ocupam rapidamente. Reagem às demandas e oportunidades saturando o tempo com atividades. Contraditoriamente, queixam-se da falta de tempo livre, mas logo tratam de ocupá-lo. Vivem na urgência, acossados pela perspectiva da perda, tangidos pelas demandas, sem tempo para questionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tempo livre não é tempo ocioso, e sim aquele cujo uso é decidido livremente, conforme as próprias prioridades. É justamente quando se questiona sobre o que fazer no tempo livre, que surgem, de fato, as questões fundamentais sobre o que se quer da vida (sentido) e quem se é afinal (identidade). Então, o uso do tempo torna-se uma questão ética. Ocupadas e sem tempo livre para pensar, as pessoas perdem o sentido da vida e tudo que fazem parece irrelevante. Levadas pelas circunstâncias, reagem como vítimas do tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-8230921884182980968?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/8230921884182980968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=8230921884182980968' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8230921884182980968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8230921884182980968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/08/cap-1-escravos-do-tempo-tempo-acelerado.html' title='Cap. 1 - Escravos do Tempo - Parte 2'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-8543551999883515502</id><published>2009-06-21T19:20:00.001-07:00</published><updated>2009-06-21T21:33:31.733-07:00</updated><title type='text'>Diário da ICANN Sydney 22-06-2009</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Chegamos a Sydney às 7h30 de um sábado chuvoso depois de 29 horas de vôo. Somem 13 horas no fuso horário e o correspondente jet lag e me desculparão por não ter assistido à reunião das 9h. Entretanto, das 13h às 18h30 participei da reunião do GNSO e à noite tive um jantar/reunião da ISPCP Constituency. A reunião terminou às 22h, pois arriscávamos afogar de cara no prato de sopa, de tanto sono.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A palavra somem no parágrafo anterior é propositalmente ambígua. Significa tanto "somar" (somem vocês 13 horas a mais) quanto "sumir" - 13 horas sumiram da minha vida. Interessante sensação, parece que me adiantei no tempo. Escrevo agora as 5h30 da manhã de segunda enquanto vocês aí no Brasil ainda estão curtindo o finalzinho do domingo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É preciso entender a estrutura da ICANN (http://www.icann.org/en/structure/) para compreender os relatos que se seguirão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O órgão máximo é o Board (Conselho Diretor). Os diretores não são remunerados, nem mesmo o Presidente do Conselho - aliás, isso é uma das discussões em curso. A função executiva remunerada é desempenhada pelo CEO e o pessoal do staff. Nenhum órgão ou função decisória em toda a estrutura é remunerado, mas sim custeado - despesas para viagem e reuniões.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quem paga a conta são os "Contratados" representados nas SOs "&lt;em&gt;Supporting Organizations&lt;/em&gt;": GNSO ("&lt;em&gt;Generic Names&lt;/em&gt;"), ccNSO ("&lt;em&gt;Country Codes&lt;/em&gt;") e ASO ("Regions"). O grosso do sustento vem dos contratos com os Registries e Registrars (Contratados "&lt;em&gt;contracted parties&lt;/em&gt;" - no jargão ICANN), representados na GNSO. Está em curso a reestruturação do Conselho da GNSO dando mais poder aos Contratados numa estrutura bicameral. De um lado ficarão os Contratados e do outro os Usuários (termo que a ICANN não usa). Nesta reunião de Sydney, o Conselho se reúne pela última vez na estrutura anterior. Com mais poder para quem paga a conta, o mercado de registro de domínios tende a crescer. Por isso, o assunto dominante na ICANN é a abertura para novos Domínios Genéricos de Primeiro Nível (gTLDs). Mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Poder pode ser grana ou voto. Na governança da Internet, os EUA querem dar poder à grana, o resto do mundo quer dar poder ao voto. Na ICANN, os governos estão representados no GAC (&lt;em&gt;Government Advisory Committee&lt;/em&gt;) - uma espécie de ONU. Interessante: a ONU abaixo de um Conselho e no mesmo nível dos Contratados. Obviamente, os governos ficam furibundos. Há briga (diplomática) no GAC e multiplicam-se fóruns para discutir a governança da Internet fora da ICANN, com o intuito de transferir seu poder para a esfera da ONU ou de uma organização &lt;em&gt;multistakeholder&lt;/em&gt; mais internacionalizada a ser criada.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A grande novidade do conceito "multistakeholder" é o poder de fiel de balança (entre a grana e o voto) dado ao terceiro setor. Leia-se ONGs ou o jargão "sociedade civil organizada", representada na ICANN através da ALAC (&lt;em&gt;At Large Advisory Committee&lt;/em&gt;). O problema aqui é a legitimidade e a força da representação. Surge um novo tipo de "empreendedor sem grana" ou "representante sem voto", que organiza e representa uma causa, um setor, etc. Não deixa de ser uma iniciativa privada, mas o problema é o etc. Por aí corre-se o risco de entrarem interesses ilegítimos. E o fiel da balança pode pender ora para a grana (dinheiro privado) ora para o voto (dinheiro público) [1].&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A estrutura se completa com os órgãos mais técnicos: RSSSAC, que reúne os responsáveis pela operação dos servidores da raiz; SSAC, comitê assessor para segurança e estabilidade do sistema DNS. Algumas organizações de caráter técnico existentes à época da constituição da ICANN ganharam representação na sua estrutura. O IETF tem um destaque especial e criou-se um Grupo de Ligação, composto por 4 outras entidades: European Telecommunications Standards Institute (ETSI), International Telecommunications Union's Telecommunication Standardization Sector (ITU-T), World Wide Web Consortium (W3C), e o Internet Architecture Board (IAB).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A IANA (Internet Assigned Names Authority) é uma função da ICANN embora historicamente a preceda. A IANA foi criada para cuidar da base de dados da raiz da Internet e organizar a distribuição de endereços IP. Além dos nomes e IPs, todos os parâmetros dos protocolos Internet são armazenados na IANA. Finalmente, a própria documentação da Internet (os RFC) eram uma função da IANA exercida pessoalmente por Jon Postel. Postel, até 1998, ano de sua morte, confundia-se com a própria IANA.[2]&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Brasil, através dos representantes do governo, participa ativamente no GAC e, através do pessoal do NIC, tem certa liderança no CCNSO. O terceiro setor brasileiro também é muito ativo na ALAC. O setor privado participa através das "&lt;em&gt;constituencies&lt;/em&gt;" do GNSO. A representação privada brasileira é mais tímida, pois o setor privado brasileiro como um todo demonstra pouco interesse pelo mercado de registro de domínios. Através do LACNIC o Brasil também tem voz na ASO.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nivaldo Cleto, Flávio Wagner e eu acompanhamos, nos dois primeiros dias, as reuniões do GNSO. Os assuntos em discussão são os novos gTLDs e a reestruturação do GNSO para a estrutura bicameral. Demi Getschko se juntou a nós no domingo. Aliás, o Demi estava no Board da ICANN até agora, mas seu mandato expirou. O Brasil está sem representante no Board.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em relação aos gTLDs, foram apresentados estudos que embasarão a terceira revisão do Manual de Qualificação (Applicant Guidebook) para registro de novos gTLDs, cuja edição está prevista para setembro. Os estudos cobrem o que no jargão da ICANN é chamado de "questões globais" ("&lt;em&gt;overarching issues&lt;/em&gt;"): Proteção de Marcas; Potencial para Comportamento Ilícito; Escalabilidade da Raiz; Análise de Custos e Benefícios para o Usuário. Se tudo correr como previsto, no fim do ano começarão a ser avaliadas as solicitações de novos domínios de primeiro nível. Hoje são 21 os existentes[3].&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quanto à revisão da estrutura, a reunião foi uma tediosa edição de texto, pois as grandes decisões já haviam sido tomadas e agora se trata de votar o detalhe. Embora digam que é no detalhe que o diabo se esconde, confesso que não consegui enxergá-lo. Talvez por falta de malícia suficiente.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;[1] Interpretação liberal. "There is no free lunch", poder se traduz sempre em dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;[2] Devo este esclarecimento ao Demi&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;[3] Postei a lista em http://jaime-wagner.blogspot.com/&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-8543551999883515502?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/8543551999883515502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=8543551999883515502' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8543551999883515502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8543551999883515502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/06/diario-da-icann-sydney-22-06-2009.html' title='Diário da ICANN Sydney 22-06-2009'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-572564640251425738</id><published>2009-06-21T18:11:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T18:55:37.113-07:00</updated><title type='text'>Lista dos gTLDs existentes</title><content type='html'>Genéricos e Genéricos Restritos&lt;br /&gt;.BIZ&lt;br /&gt;.COM&lt;br /&gt;.INFO&lt;br /&gt;.NAME&lt;br /&gt;.NET&lt;br /&gt;.ORG&lt;br /&gt;.PRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Genéricos Patrocinados (sponsored)&lt;br /&gt;.ARPA (RESERVADO PARA OPERAÇÕES DE INFRAESTRUTURA DA IANA)&lt;br /&gt;.AERO&lt;br /&gt;.ASIA&lt;br /&gt;.CAT&lt;br /&gt;.COOP&lt;br /&gt;.EDU&lt;br /&gt;.GOV (RESERVADO PARA O GOVERNO AMERICANO)&lt;br /&gt;.INT&lt;br /&gt;.JOBS&lt;br /&gt;.MIL (RESERVADO PARA DEPTO DE DEFESA AMERICANO)&lt;br /&gt;.MOBI&lt;br /&gt;.MUSEUM&lt;br /&gt;.PRO&lt;br /&gt;.TEL&lt;br /&gt;.TRAVEL&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-572564640251425738?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/572564640251425738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=572564640251425738' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/572564640251425738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/572564640251425738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/06/lista-dos-gtlds-existentes.html' title='Lista dos gTLDs existentes'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-1695701163212563308</id><published>2009-06-20T18:53:00.000-07:00</published><updated>2009-06-20T19:06:01.488-07:00</updated><title type='text'>Diário da ICANN Sydney – 21-06-2009</title><content type='html'>A ICANN (&lt;a href="http://www.icann.org/"&gt;http://www.icann.org/&lt;/a&gt;) é uma ilustre desconhecida no Brasil, mesmo entre aqueles que trabalham com Internet, que sofrem as consequências das suas decisões e participam, marginalmente, das oportunidades abertas por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estarei relatando minha participação no 35º Encontro da ICANN em Sydney, Austrália, mas este primeiro artigo visa explicar o que é a ICANN. Tentarei ser breve e didático, mas é impossível deixar de usar siglas, já que a ICANN e seus órgãos formam uma constelação de siglas ininteligíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criação da ICANN marca o início da internacionalização da governança da Internet, processo ainda em curso. Governança da Internet soa estranho, pois nenhum governo tem poder sobre a rede como um todo. A ICANN não manda na Internet, mas sim regula o DNS. O núcleo da Internet é o seu sistema de endereçamento hierárquico (DNS - Domain Name System), que permite mapear nomes de domínios em endereços IP, identificando qualquer máquina na rede e permitindo a troca de mensagens entre elas. A ICANN distribui endereços IP e supervisiona o registro de domínios em todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Internet é uma criação americana, porém Clinton entregou à ICANN a missão de regular o DNS. De fato, a governança da Internet ainda é americana, pois a ICANN é uma ONG organizada sob as leis da Califórnia e está sujeita a um acordo (JPA) que dá poder de veto ao Departamento de Comércio dos EUA. Seja por receio de entregar poder a outros governos e, ao mesmo tempo, desejo de manter o caráter internacional da rede, seja por inclinação liberal e visionária inspirada em suas origens acadêmicas, a ICANN foi criada com um sistema de gestão "multistakeholder", colegiado envolvendo governo, academia, iniciativa privada e sociedade civil organizada. Modelo, aliás, que serviu de inspiração para o CGI.br.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da importância estratégica como chave para o funcionamento da Internet, o DNS também constitui um mercado: o de registro de domínios. Mercado cartorial, equivalente aos registros civil e de imóveis no mundo real, sua exploração é entregue pela ICANN a "Registries" [1]. O "Registry" é uma empresa ou organização que explora um Domínio de Primeiro Nível (TLD - Top Level Domain) a título oneroso (ou não) e repassa a "Registrars" a tarefa de vender (ou dar) os domínios de segundo ou terceiro nível aos usuários. A Verisign e a Affilias são Registries de gTLDS. O NIC.br é o Registry do ccTLD “.br”, responsável pelo registro de todos os domínios que terminam com “.br”. Os provedores brasileiros (UOL, Terra, Locaweb, iG, etc) representam o papel de Registrars tanto revendendo domínios para o NIC.br quanto para a Verisign. Outros operadores de gTLDs não são muito ativos no mercado brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um "Registry" pode criar domínios de segundo nível, mas deve obedecer a critérios da ICANN para isso. O "Registrar", por sua vez, pode vender tantos domínios de terceiro nível quanto queira. Suas obrigações são de manter um cadastro dos seus usuários e operar o respectivo servidor de DNS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A receita da venda de domínios no terceiro nível não chega a viabilizar uma empresa de porte, constituindo-se, no mais das vezes, numa receita complementar de provedores de outros serviços na Internet. Até pode haver um mercado no segundo nível, dependendo das condições. Entretanto, no primeiro nível, o mercado de domínios é bastante interessante. A receita anual da Verisign é de US$ 1,15 bilhão e a do NIC.br é de R$ 60 milhões. Os empreendedores brasileiros, por ignorância, têm desprezado este mercado. Há uma janela de oportunidade aberta na medida em que se discutem as regras (bem mais estritas que as existentes) para a criação de novos gTLDs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] A estrutura do DNS é uma árvore, criada sob inspiração de acadêmicos (americanos) custeados pelo governo (americano). A raiz é o "ponto" ("dot"). Acima da raiz estão os Domínios de Primeiro Nível ou TLDs (Top Level Domains) sempre grafados com o "ponto" na frente (.com, .net, .br, .us).&lt;br /&gt;No início, quando a Internet ainda era exclusivamente americana, os TLDs tinham apenas três letras que mapeavam o mundo (os EUA) em comunidades de interesses (gov, org, edu, com). Com a internacionalização da Internet criou-se a categoria dos Códigos de Países (ccTLDs - Country Codes Top Level Domains) com dois dígitos (".br", ".us", ".fr", ".ar") e ps TLDs já existentes passaram a ser chamados de genéricos (gTLDs). A definição do registry autorizado a explorar os ccTLDs foi deixada a cargo de cada país. No Brasil, o CGI foi criado para essa finalidade.&lt;br /&gt;Eventualmente, a exploração de alguns gTLDs foi repassada à empresa Verisign, junto com a responsabilidade pela operação dos servidores da raiz. Posteriormente, a pressão por concorrência no mercado de domínios levou a ICANN a criar novos gTLDs (com 3 letras ou mais, por exemplo “.travel”, “.mobi”, “.asia”), autorizando novos "registries" a explorá-los. A ICANN também foi levada a forçar a Verisign a entregar a outra empresa a exploração do domínio .org.&lt;br /&gt;Mais acima (ou na frente) do primeiro nível, vem o segundo nível, e assim por diante. Quase todos os países (ccTLDS) adotaram as mesmas categorias de três letras existentes no primeiro nível genérico para os seus segundos níveis. Assim, temos ".com.br" e ".gov.br" como exemplos de domínios de segundo nível do ccTLD ".br". Vale lembrar que o ".com" é um gTLD de primeiro nível explorado pela Verisign, que repassou a exploração do domínio de segundo nível ".br.com" a um Registrar privado, no caso uma pequena empresa inglesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-1695701163212563308?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/1695701163212563308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=1695701163212563308' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/1695701163212563308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/1695701163212563308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/06/diario-da-icann-sydney-21-06-2009.html' title='Diário da ICANN Sydney – 21-06-2009'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-9177782580360208331</id><published>2009-06-13T08:50:00.000-07:00</published><updated>2009-06-13T08:59:11.459-07:00</updated><title type='text'>Princípios para a Internet no Brasil</title><content type='html'>Faço uma pausa na publicação do livro para relatar a conclusão de um importante trabalho de mais de ano no CGI.br. A Carta de Princípios para a Internet no Brasil foi objeto de ampla discussão e difícil consenso. Os Princípios pretendem orientar toda ação e decisão que possa afetar a Internet, tanto por parte de órgãos do governo como da sociedade civil. Para alcançar eficácia, devem ser objeto de ampla divulgação. Apesar da pífia visitação deste blog, faço aqui a minha parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Princípios para a Internet no Brasil&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;1. Liberdade, privacidade e direitos humanos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O uso da Internet deve guiar-se pelos princípios de liberdade de expressãode privacidade do indivíduo e de respeito aos direitos humanos, reconhecendo-os como fundamentais para a preservação de uma sociedade justa e democrática.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Governança democrática e colaborativa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A governança da Internet deve ser exercida de forma transparente, multilateral e democrática, com a participação dos vários setores da sociedade, preservando e estimulando o seu caráter de criação coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Universalidade&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O acesso à Internet deve ser universal para que ela seja um meio para o desenvolvimento social e humano, contribuindo para a construção de uma sociedade inclusiva e não discriminatória em benefício de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Diversidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A diversidade cultural deve ser respeitada e preservada e sua expressão deve ser estimulada, sem a imposição de crenças, costumes ou valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Inovação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A governança da Internet deve promover a contínua evolução e ampla difusão de novas tecnologias e modelos de uso e acesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. Neutralidade da rede&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Filtragem ou privilégios de tráfego devem respeitar apenas critérios técnicos e éticos, não sendo admissíveis motivos políticos, comerciais, religiosos, culturais, ou qualquer outra forma de discriminação ou favorecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7. Inimputabilidade da rede&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O combate a ilícitos na rede deve atingir os responsáveis finais e não os meios de acesso e transporte, sempre preservando os princípios maiores de defesa da liberdade, da privacidade e do respeito aos direitos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8. Funcionalidade, segurança e estabilidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A estabilidade, a segurança e a funcionalidade globais da rede devem ser preservadas de forma ativa através de medidas técnicas compatíveis com os padrões internacionais e estímulo ao uso das boas práticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9. Padronização e interoperabilidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Internet deve basear-se em padrões abertos que permitam a interoperabilidade e a participação de todos em seu desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10. Ambiente legal e regulatório&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O ambiente legal e regulatório deve preservar a dinâmica da Internet como espaço de colaboração.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-9177782580360208331?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/9177782580360208331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=9177782580360208331' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/9177782580360208331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/9177782580360208331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/06/principios-para-internet-no-brasil.html' title='Princípios para a Internet no Brasil'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-4553674486850668900</id><published>2009-06-11T16:24:00.000-07:00</published><updated>2009-08-22T11:41:28.617-07:00</updated><title type='text'>Cap. 1 - Escravos do Tempo - Parte 1</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;It’s still the same old story,&lt;br /&gt;A fight for love and glory,&lt;br /&gt;A case of do or die.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;As Time Goes By&lt;br /&gt;(música do filme Casablanca)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;letra e música de Herman Hupfeld&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Na República &lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, Platão divide as pessoas em três classes, de acordo com a natureza de suas almas: os homens de ouro (natureza racional), os de prata (natureza espiritual) e os de ferro ou bronze (natureza apetitiva). Embora todas as almas contenham todos os três elementos, há uma natureza distintiva, determinada pelo elemento dominante.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Para Platão os homens de ouro estão no topo da hierarquia como aqueles que, pela via da racionalidade, aprendem a reconhecer o que é o “bem em si”, o “valor verdadeiro”, apresentam um comportamento ético e equilibrado, cultivam as virtudes e realizam o seu potencial humano, buscando sempre o aprofundamento do saber através da reflexão filosófica. Para Platão, apenas a alma racional pode vislumbrar o conhecimento “verdadeiro” das idéias por trás das coisas e assumir completamente a responsabilidade pelo seu destino. Os homens de ouro constituiriam a “classe ociosa” dedicada à filosofia – estudo e contemplação das idéias e da verdade –, à arte – criação e contemplação do belo – e à política como administração da justiça. No mundo grego, a verdade, a beleza e a justiça eram os valores máximos. Utilidade, técnica e economia não eram valores, mas encargos. O ócio era um atributo nobre e o trabalho um encargo vil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens de ouro seriam os únicos que poderiam alcançar a verdadeira felicidade, pois tinham aquilo que os gregos chamavam de sofrosyne. Moderação, sobriedade, temperança, chegam perto do seu significado de meio termo entre impulsividade e insensibilidade. Somos sofron quando nos recusamos a ser pegos pelo imediatismo de uma situação, quando consideramos as conseqüências futuras de nossos atos. Talvez a melhor tradução de sofrosyne seja aquilo que hoje se entende por inteligência emocional &lt;a style="mso-footnote-id: ftn2" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na base inferior da pirâmide platônica, os homens de ferro consomem a vida em prazeres imediatos ou afundados na rotina cotidiana, sem consciência de si mesmos e sem o comando da própria vida, condenados a uma vida servil e alienada.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;A forma ideal de governo preconizada por Platão, na República, era a aristocracia ou governo dos melhores&lt;a style="mso-footnote-id: ftn3" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;. A aristocracia helênica não privilegiava sangue ou classe, mas repousava na distinção entre os que conhecem a si mesmos e vivem a verdade e aqueles que não o fazem. Qualquer um poderia ascender nesta escala desde que aprendesse a dominar sua vontade e a praticar a racionalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os helênicos a alma se sobrepunha ao corpo, e a razão seria o principal atributo da alma, única forma de conhecer as idéias, consideradas mais verdadeiras do que as coisas. O cristianismo substitui a razão pela fé, mantém o primado da alma, mas a razão não basta para atingir a verdade. Trata-se, então, de ser iluminado por Deus. A idéia de Deus só é intuída por um ato de Sua graça. O clero torna-se uma nova classe ociosa a dedicar-se aos serviços espirituais, voltados para a busca de graça e da salvação. Mais tarde, o Renascimento marca a volta do ideal grego da razão como fonte de todo conhecimento, porém o conhecimento dos fatos (a ciência) se sobrepõe ao conhecimento das idéias (a filosofia). A ciência se torna prática, gerando a tecnologia e a indústria. O mundo passa a girar em torno da economia e a utilidade se torna o grande critério de valor. Protestantismo, liberalismo e marxismo, a religião e as ideologias da sociedade industrial condenam o ócio, e o trabalho passa a ser o grande criador de valor, num mundo essencialmente econômico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na filosofia moral, a razão pura, como origem de todo bem, encontra em Kant sua expressão máxima, para se revelar em Schopenhauer, como a outra face de uma abnegação (ou negação de si mesmo) que leva a uma frieza mortal e à negação da vida. É Nietzsche quem reage e coloca o corpo, a emoção e o indivíduo numa posição privilegiada. Neste caminho, surgem a psicanálise de Freud e a psicologia científica de Pavlov e Skinner a mostrar que os motivos do comportamento humano têm componentes inconscientes e subconscientes que a razão desconhece; surge Marx e as ciências sociais a mostrar que as condições sociais e históricas determinam comportamentos, valores e idéias; Darwin vem mostrar que o homem é apenas uma espécie entre outras; e, por fim, a ecologia mostra que apesar de todo progresso material, ou melhor, por causa dele, talvez essa espécie não seja a mais apta a sobreviver. Essa é a famosa desconstrução pós-moderna da razão: a noção de que a razão pode não ser a luz a iluminar a escolha da ação futura, e que é muitas vezes uma desculpa para a ação passada, permitindo que o homem não depare com o seu lado negro e possa esconder da própria consciência motivos desagradáveis que atestam o pecado original de sua animalidade congênita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os helênicos constituíram uma civilização admirável, berço de toda a civilização ocidental, racional e científica. Entretanto, a sociedade helênica era nitidamente excludente. Seu conceito de cidadão excluía as mulheres e os não-helênicos. Além disso, o ideal platônico baseava-se na negação das emoções e dos instintos, o que Freud chamou de repressão e acusou como a causa de muitas doenças da mente e do corpo. Entretanto, o ideal grego do filósofo parece encerrar alguma verdade. Nesse sentido, as pessoas se dividem em dois tipos. As pessoas verdadeiramente livres, que praticam a filosofia, conhecendo a si mesmas (inclusive suas imperfeições) e assumindo a responsabilidade pelo que fazem do seu tempo; e as pessoas ocupadas que, por coerção, necessidade, estreiteza de visão, ou imaturidade emocional, têm o seu tempo ocupado, determinado externamente e apenas subsistem como escravos do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na civilização ocidental pós-moderna, baseada em sistemas de informação e troca em escala global, o problema da liberdade ressurge de maneira muito viva. Há quatro séculos instituiu-se o modo de vida capitalista, calcado no emprego: uma troca de trabalho, medido em tempo, por dinheiro. Girando em torno do emprego, os três conceitos se confundem. Tempo, trabalho e dinheiro parecem ser três aspectos de uma mesma realidade. Entretanto, ao pensar melhor deve-se reconhecer que tempo, dinheiro e trabalho são conceitos distintos. Tempo é vida, dinheiro é reserva de valor ou meio de troca, e trabalho é geração de valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem-se, hoje, um acesso muito mais democrático ao conhecimento. O conhecimento e a sabedoria acumulados são muito mais variados e profundos do que o eram na Grécia. O desenvolvimento tecnológico e o aumento da produtividade do trabalho permitem que, em termos médios, as pessoas tenham mais tempo livre. O desenvolvimento da medicina e das condições de higiene aumentaram a expectativa de vida média. Ou seja, a possibilidade de ócio é maior e para mais gente. Mas, embora em termos absolutos (e mesmo em termos relativos) existam, hoje, mais “homens de ouro” do que na Grécia antiga, o modus vivendi moderno tende a condicionar a proliferação de “homens de ferro”, verdadeiros escravos do tempo. A grande maioria “não tem tempo” para cultivar outros valores que não se traduzam em dinheiro e consumo.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; PLATÃO. República. Livro III.&lt;br /&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn2" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro, Objetiva, 1995.&lt;br /&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn3" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Em grego aristos significa “o melhor”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-4553674486850668900?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/4553674486850668900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=4553674486850668900' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/4553674486850668900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/4553674486850668900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/06/cap-1-escravos-do-tempo.html' title='Cap. 1 - Escravos do Tempo - Parte 1'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-8139574171534787271</id><published>2009-05-25T07:52:00.000-07:00</published><updated>2009-05-31T13:55:08.640-07:00</updated><title type='text'>Introdução - O que você encontra neste livro?</title><content type='html'>Mesmo escolhendo consciente e racionalmente o caminho do auto-aperfeiçoamento é difícil segui-lo e manter-se nele. O uso de ferramentas facilita o trabalho e a disciplina necessários. As ferramentas, no caso, compõem um Sistema de Planejamento Pessoal (SPP). É preciso conhecê-las bem para melhor utilizá-las. Assim, este volume em parte é um livro e em parte um manual de uso de um SPP. Um livro é escrito para ser lido seqüencialmente. Já um manual é feito para ser consultado aleatoriamente quando necessário, embora também devesse ser lido todo. O roteiro a seguir visa orientar o leitor na leitura do livro e na consulta ao manual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro capítulo é livro puro e caracteriza o problema do tempo na vida moderna. Quais fatores fazem com que, cada vez mais, nos comportemos como escravos do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de caracterizar o problema, o manual da solução inicia no segundo capítulo. Mostra-se o que é um Sistema de Planejamento Pessoal e porque o seu uso adequado ajuda a nos tornarmos menos escravos do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capítulo III é livro de novo, mas é uma parte fundamental para compreender o manual. A partir de uma reflexão sobre o tempo, mostra-se que administrá-lo é essencialmente definir prioridades. Analisam-se os conceitos de prioridade, urgência e importância, bem como diversos métodos de priorização e propõe-se o método ABC como o mais adequado. Por fim, mostra-se que a administração do tempo consiste, essencialmente, na capacidade de agir conscientemente e como a nossa tendência natural para a reatividade dificulta essa tarefa.  Nesta edição, retirei deste capítulo as dicas para vencer a tendência à protelação, passando-as para o novo capítulo VI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capítulo IV propõe uma série de reflexões e exercícios sobre as questões que constituem a pedra fundamental da disciplina em relação ao tempo e à vida. Nele você encontra dicas e orientações para descrever e priorizar seus valores fundamentais, identificar seus papéis significativos e fazer uma declaração de missão pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capítulo V introduz o conceito de Planejamento como processo em quatro níveis: político, estratégico, tático e operacional. O manual prático aqui se aplica ao horizonte de tempo mais longo ou profundo, na definição de metas pessoais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já disse, a maior modificação desta nova edição está no horizonte tático do dia-a-dia, ao qual é dedicado o capítulo VI. A partir de uma análise detalhada, são dadas dicas objetivas, com formulários que ajudam a planejar o dia-a-dia, a lidar com o imprevisto e evitar o acúmulo de pendências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capítulo VII, que trata do planejamento estratégico ainda está em fase de revisão. Pretendo agregar aos conceitos da Gerência de Projetos segundo o paradigma da cascata de fases, que já aparecia na primeira edição, os conceitos dos métodos ágeis, bem como algumas considerações oriundas da minha experiência na gestão de equipes para a realização de projetos complexos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o capítulo VIII se volta para o presente. Defende-se o ponto de vista de que anotar é a melhor forma de prestar atenção ao presente que efetivamente acontece e de recuperá-lo como passado imediato. Mostra-se que o que acontece no dia-a-dia é uma série de contatos que envolvem troca de informação e analisam-se os tipos de informação bem como as formas de organizá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro termina com dois apêndices para aqueles que têm um pendor mais filosófico e queiram conhecer as bases que fundamentam muitos dos conceitos expressos ao longo do livro. No primeiro, são analisadas várias visões conceituais sobre o tempo. No segundo, fala-se um pouco sobre a ética, como filosofia da ação e dos valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode usar este livro para aprender a realizar mais em menos tempo e ser mais eficiente no trabalho. Já relatei que esta foi também a minha motivação inicial quando, em 1987, participei de um primeiro curso de Administração do Tempo. Muitos que escrevem sobre este tema adotam o paradigma da eficiência, ensinando técnicas de organização voltadas para a vida profissional. Não descarto a validade e a importância dessas técnicas, que também fazem parte deste livro, mas prefiro a escola da eficácia. Segundo esta vertente, a administração do tempo é uma questão vital que abarca todas as esferas da vida de um indivíduo e não apenas a dimensão profissional. Minha experiência tem demonstrado que a disciplina de administrar o tempo dentro do paradigma da eficácia (fazer o que importa ao invés de fazer mais) é uma excelente ajuda na vida pessoal, produzindo mais realização e felicidade. Portanto, espero sinceramente que este livro e o sistema PowerSelf possam ajudar muitas pessoas a serem mais eficazes em suas vidas, de modo integral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas livrarias e bibliotecas, os autores da escola da eficiência serão encontrados, provavelmente, na estante de livros sobre administração. Já os livros da escola da eficácia, podem estar na estante de administração, na de psicologia, filosofia ou na dos livros de auto-ajuda. À semelhança desses autores, acredito que a melhor forma de uma empresa maximizar seus resultados é contar com profissionais maduros, equilibrados e felizes. Esta abordagem começa com a constatação de que tempo é vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Amar a Vida é amar o tempo. Tempo é aquilo do que a vida é feita.”&lt;br /&gt;                                                                     Benjamin Franklin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto: tempo fragmentado, vida fragmentada; tempo atribulado, vida atribulada. Por outro lado: tempo flexível, vida livre; tempo controlado, vida organizada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-8139574171534787271?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/8139574171534787271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=8139574171534787271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8139574171534787271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8139574171534787271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/05/introducao-o-que-voce-encontra-neste.html' title='Introdução - O que você encontra neste livro?'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-1490180340643100098</id><published>2009-05-19T05:40:00.000-07:00</published><updated>2009-05-31T08:07:48.441-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PowerSelf'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='método'/><title type='text'>Introdução - O que é PowerSelf?</title><content type='html'>&lt;p&gt;PowerSelf é um conceito - do inglês &lt;em&gt;power&lt;/em&gt; (força, poder) e &lt;em&gt;self &lt;/em&gt;(o eu, o si mesmo). PowerSelf significa portanto “fortalecimento do eu” ou o "aperfeiçoamento de si mesmo". O &lt;em&gt;empowerment&lt;/em&gt; ou aumento de potência pessoal, no sentido de desenvolver as capacidades necessárias para fazer o que se quer ou se julga certo. Porém, o cultivo do &lt;em&gt;self&lt;/em&gt; não significa egoísmo. Self é a unidade e unicidade do indivíduo singular, separado e, paralelamente, integrado ao mundo e aos outros eus que constituem a sociedade, com uma capacidade única e paradoxal de adaptação à realidade e de transformação desta mesma realidade. Self é o todo integral da pessoa, aquela autopercepção de unidade na multiplicidade de necessidades, papéis sociais e valores conflitantes que constituem a sua identidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Creio que através do fortalecimento do Self a pessoa evolui e supera suas limitações e, por outro lado, é capaz de aceitar-se como imperfeita. Somente um self fortalecido consegue assumir um maior controle de sua vida e de seu tempo, sem, entretanto, querer controlar tudo. Mas este fortalecimento não é algo que se possa adquirir, não é algo que possa ser dado por alguém, não é uma dádiva. É um processo, um caminho a ser trilhado pela própria pessoa e que envolve dois movimentos. De um lado, a ampliação do conhecimento e da compreensão de si mesmo e da realidade. De outro, a ampliação da responsabilidade pelas próprias escolhas e pela condução da própria vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Creio que este caminho pode ser percorrido através do exercício sistemático e continuado de três movimentos da atenção a &lt;strong&gt;atenção ao presente (percepção)&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;atenção ao futuro (planejamento)&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;atenção ao passado (reflexão)&lt;/strong&gt;, hábitos fundamentais para a correta administração do tempo e da vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A reflexão é a base do conhecimento de si mesmo e do mundo, aprimorando sempre uma visão da realidade mais livre de preconceitos, crenças limitantes e expectativas irreais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O planejamento é a chave para cumprir compromissos. Quando os desejos e sonhos se tornam compromissos consigo mesmo (metas pessoais), cumpri-los é afirmar sua identidade única e a realizar-se como pessoa. Quando os compromissos com os outros são assumidos de forma consciente, tornam-se compromissos pessoais, cujo cumprimento é a base da confiança, do crédito pessoal e da auto-estima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atenção ao presente é a única maneira de viver com qualidade, pois é só no presente que se vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses três hábitos são movimentos da atenção dirigidos às três dimensões do tempo agostiniano (ver Apêndice I). O planejamento é a disciplina de voltar a atenção para o futuro, para o que se deseja e para o que se quer evitar. A reflexão é a disciplina de voltar a atenção para o passado, para o que se conhece, para quem se é (na medida em que a identidade é o resultado de escolhas e experiências anteriores), para o que se fez e para o que aconteceu e, daí, retirar novos aprendizados. A atenção ao presente é a disciplina de vivenciar a experiência imediata, ampliando a percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses conceitos se materializam num método e num Sistema de Planejamento Pessoal (Power Planner). PowerSelf também é o nome da empresa criada para divulgar o conceito, o método e o sistema. A PowerSelf oferece cursos e palestras sobre o método e também fornece as agendas e &lt;em&gt;organizers&lt;/em&gt; que o incorporam. A missão da PowerSelf é ajudar as pessoas a realizar seu potencial, através da melhor compreensão e utilização do seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é o método, o algoritmo, o software que se executa para se conseguir resultados. O sistema PowerSelf é um hardware – uma ferramenta – projetado para facilitar a execução do algoritmo. Mas, na verdade, o hardware onde roda o algoritmo da gestão do tempo e da vida é o cérebro. Voltaremos a isso no capítulo II. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O método pode ser resumido em alguns passos:&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;Reflexão inicial para definir valores fundamentais e metas de longo prazo.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;No início de cada mês: planejamento e acompanhamento dos projetos de longo prazo.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;A cada fim de semana: avaliação da semana passada e planejamento da semana entrante, com foco no longo prazo e no equilíbrio pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diariamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a. No início do dia. Revisão e indexação das anotações do dia anterior, planejando as ações demandadas. Fazer um Plano Diário, distinguindo ações de compromissos com hora marcada e priorizando as ações em ABC. Confirmação ou renegociação dos compromissos com hora previamente agendados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b. Ao longo do dia. Marcação de compromissos futuros negociando tempo livre adequado. No tempo livre, alternar entre a rotina, as prioridades e as urgências inesperadas. Anotação sistemática dos contatos, eventos e idéias.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-1490180340643100098?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/1490180340643100098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=1490180340643100098' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/1490180340643100098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/1490180340643100098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/05/introducao-o-que-e-powerself.html' title='Introdução - O que é PowerSelf?'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-6513525846774245006</id><published>2009-05-13T11:40:00.000-07:00</published><updated>2009-05-13T11:42:28.695-07:00</updated><title type='text'>Prefácio à Primeira Edição - Ricardo Felizzola</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;“Minha filosofia, na sua essência, é o conceito de Homem como um ser heróico, tendo a felicidade como o propósito moral de sua vida, a conquista produtiva como sua mais nobre atividade, e a razão como seu único referencial.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ayn Rand&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro é uma conquista produtiva do autor, que busca disseminar uma coisa simples: como cada um de nós pode ser mais feliz administrando melhor o seu tempo, a sua vida. A contribuição aqui registrada é muito maior do que simplesmente ensinar os leitores a utilizar ferramentas que vão facilitar a execução de tarefas, que vão evitar esquecimentos, que vão permitir a comunicação segura ou o encontro ideal com um amigo, amiga ou quem sabe o seu futuro chefe. Trata-se de apontar um caminho para, através de um método, ser mais feliz, ser mais produtivo, ser racional no uso do seu maior valor: o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capacitação para escrever esta obra é fundamentada na  experiência de vida do autor como professor universitário, empresário e amante da filosofia. Trata-se de um amigo que há muito vive e experimenta o tema, comentando, lendo e se preparando para a partir de um momento decisivo criar algo de significativa grandeza como este livro. Cabe a nós aproveitar o texto, pois mais do que inspiração se trata do resultado de um trabalho intenso de pesquisa, experiência e vivência emocional profunda com todos os aspectos que permeiam o ato de existir momento a momento. Cabe a nós atentar para os processos descritos que podem realmente MUDAR a nossa vida e seguramente para MELHOR!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que pratico, de forma rebelde até, muitos dos conceitos e métodos que aqui vão ser detalhados e confesso também que isto me faz às vezes pensar que faço coisas demais. No entanto no fim de cada dia, de cada semana, de cada mês, ao refletir sobre o que se passa em minha vida, um sentimento de satisfação me percorre e a primeira impressão é substituída por um prazer intenso. Um sentimento de ter realizado o mais importante e da forma mais produtiva. Assim é com meu trabalho, minha família, com meus amigos, com os círculos que freqüento e em onde disponho dos meus momentos presentes. Aprendi muito com os conceitos do meu amigo Jaime Wagner, autor deste livro. Muito mais do que ele pensa ou acredita e este pequeno  segredo eu torno público aqui de forma indelével e para sempre selando o assunto e aproveitando de forma matreira a oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprender com pessoas que tem paixão pelo que fazem é aprender com heróis, é convencer-se. Estou convencido que os conceitos que são detalhados no livro servem na vida profissional e pessoal. Educam e produzem mais atividade, mais energia, mais ações importantes para cada um de nós, indivíduos, mais atenções para os que amamos, para os que consideramos. Meu convencimento vem da prática, da vivência e de resultados que obtive usando muitos destes conceitos. A paixão do autor pelo assunto é fácil de testemunhar, sua capacidade intelectual lhe permitiu elaborar um livro prático e ao mesmo tempo desafiador em termos de reflexão pessoal, de estímulo à mudança de comportamento, de levar a sério a vida que recebemos de nossos pais. Aproveitar esta paixão e aprender com este livro é uma oportunidade inequívoca de ser mais feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Registrar este depoimento tem um propósito: despertar em você, leitor, um interesse que não se esgote nas primeiras páginas ou no folhar deste volume ou ainda após uma primeira leitura. Aconselho que o que for exposto adiante deva ser lido e relido, de forma a ser completamente absorvido e se transformar em disciplina, em costume, em hábito. A partir disto eu asseguro estará se iniciando na vida de cada um, um novo processo, um novo momento. O hábito de viver o momento presente, com a atividade mais importante sendo exercida, eleita que foi de uma reflexão intensa e metódica é completamente poderoso. A capacidade de entender este processo é o diferencial que o livro traz nos textos de um autor entusiasmado que não poupa conhecimento no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim cabe ainda ressaltar o contexto em que vivemos, onde obras como estas chegam de fora trazendo cultura que não é a nossa. Aqui também há um diferencial: este livro considera o momento brasileiro. Momento este que necessita de ferramentas de produtividade e de felicidade para a construção de um país que prospere mais rápido e que pertença a pessoas mais felizes. A colaboração intrínseca para a formação cultural e profissional que o Jaime nos traz preenche a lacuna que uma educação formal as vezes esquece e que nos deixa sem método para enfrentar os desafios dos tempos modernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de leitura de alto valor. Aproveitem bem o seu tempo desfrutando-a no detalhe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-6513525846774245006?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/6513525846774245006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=6513525846774245006' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/6513525846774245006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/6513525846774245006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/05/prefacio-primeira-edicao-ricardo.html' title='Prefácio à Primeira Edição - Ricardo Felizzola'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-3793334653914959793</id><published>2009-05-13T11:25:00.000-07:00</published><updated>2009-05-13T11:27:52.971-07:00</updated><title type='text'>Introdução - A Doença do Tempo</title><content type='html'>Não sou um “mestre do tempo”, mas sim um típico “doente do tempo”. A doença do tempo tem três sintomas: a “falta de tempo”, o medo de “perder tempo” e, o pior de todos, “o excesso de tempo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A doença do tempo é uma doença moderna. A produtividade do trabalho aumentou, mas paradoxalmente, as pessoas têm cada vez menos tempo para si mesmas, para se acalentarem e ordenar os pensamentos e sentimentos. Não se trata de figura de retórica. Angústia, ansiedade, fadiga, depressão e estresse excessivo são sintomas orgânicos associados à “doença do tempo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta tempo e os dias são curtos porque não se consegue dar conta de tantas demandas. Entretanto, convém notar que a força destas demandas reside no fato de serem aceitas. Sempre ocupados, e com medo de “perder tempo”, todos se queixam da falta de tempo, mas não conseguem suportar o tempo livre, ocupando-o com qualquer atividade, ansiosamente. Na sociedade ocidental moderna, produtiva e pragmática, quem não está fazendo alguma coisa, quem está “parado”, só pensando, é um desocupado, um inútil, sem valor. O ócio, que na Grécia antiga era a virtude dos que se dedicavam à contemplação, na ética cristã do trabalho tornou-se o pecado dos indolentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocupamo-nos para não enfrentar nossa finitude – por medo da morte. Para evitar a consciência de que estamos morrendo um pouco a cada minuto vivido. De que o tempo que passa é um tempo que morreu. Não perder tempo para agarrar-se à vida. Agarrar-se ao presente sem olhar para o longo prazo porque “no longo prazo todos estaremos mortos”, como disse Keynes. Mas é ao aceitar a morte, que se aprende a viver com serenidade. Aprender a viver é aprender a morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vive-se na urgência, sem tempo para questionamentos mais profundos sobre o sentido da vida, sobre o que se quer no longo prazo. Mas é justamente quando as pessoas se fazem estas questões que o uso do tempo deixa de ser urgente para se tornar vital. Sem tempo livre para pensar e formar juízos, a vida se torna uma seqüência de reações condicionadas e instantâneas às demandas, apelos e ilusões. Perde-se o rumo, e a vida perde o sentido e, jogados de um lado para outro ao sabor das circunstâncias, fica-se “doente do tempo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é fazer o que se gosta. Todo mundo gosta de ter prazer: amar, divertir-se. Também é bom, pelo menos por um tempo, simplesmente não fazer nada, deixar o tempo passar. Alguns, ainda, gostam de aprender, enfrentar dificuldades, realizar metas. Por isso, há sempre a alternativa de gostar do que se faz. Aceitar os encargos como missão, assumi-los plenamente. O certo é que, quando se está fazendo algo de que se gosta, estar ocupado é uma bênção. O envolvimento é pleno e total. O problema é o conflito que, muitas vezes, se estabelece entre a pessoa e seus papéis, seus valores e sua missão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um mundo cada vez mais populoso e com recursos limitados, a produtividade é um imperativo e não mais uma opção. Urge produzir. Queira-se ou não, o valor fundamental da vida moderna é a utilidade, em detrimento da verdade, da beleza, da justiça ou da santidade, que já predominaram em outras épocas da civilização. Não se pode mais parar e o trabalho econômico é a principal finalidade da vida, fonte básica de valor e da auto-estima que fundamenta a identidade de cada um. A sociedade de consumo nos martela com uma mensagem fundamentalmente hedonista: o objetivo da vida é poder consumir, felicidade é prazer – e o prazer se compra. Mas o preço do consumo é a produção. É preciso engajar-se no processo produtivo para ganhar o dinheiro para poder consumir e viver. O trabalho é o preço do consumo. O dever de produzir é o preço do prazer de consumir. No mercado de consumo, o homem vira mercadoria e a pessoa vale o que ganha. Mas também há uma vertente da ética moralista a estimular o engajamento produtivo. Na esteira do estoicismo, a mensagem utilitarista defende que o dever de produzir se impõe por si só como dever moral e ético: a pessoa vale o que produz, não o que ganha. Está aí o líder servidor. Daí a noção de tempo como mais um recurso econômico. E, como todo recurso econômico tem seu valor de troca medido em dinheiro, confunde-se tempo com dinheiro, a grande psicopatia coletiva da nossa sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o pior sintoma da doença do tempo, o “excesso de tempo”, não é excesso de dinheiro, embora seja sim conseqüência das desigualdades econômicas. Em termos de valor econômico, os indivíduos e as sociedades não são iguais em suas possibilidades e se distinguem em pelo menos dois aspectos: dons inatos e possibilidade de acesso a recursos. Tenho um enunciado para a Lei da Gravidade da Riqueza: “O dinheiro atrai o dinheiro na razão direta da carência e na razão inversa do quadrado do medo. Geralmente, os que têm mais riqueza, têm mais produtividade na geração de riqueza. Isto é um fato, por injusto que seja. Com a produtividade crescente, o padrão de vida médio cresce exponencialmente, porém, o padrão de vida maior cresce mais do que o padrão de vida menor. Este fenômeno é efeito da divisão do trabalho e, embora seja mais agudo nas economias de mercado, também acontece nas economias planificadas ou mistas, conseqüência das diferenças de produtividade entre indivíduos e grupos. Assim, embora a qualidade de vida média cresça com o aumento da produtividade global, a desigualdade também aumenta de forma exponencial. Produz-se mais, mas os resultados da produtividade são distribuídos de forma cada vez mais desigual. Assisti uma palestra de Paul Kennedy na qual ele cita um relato hipotético de uma nave alienígena na órbita da Terra reportando inúmeras formas de vida e indicando um fato estranho a respeito de uma delas: a enorme diferença de padrão de vida entre os indivíduos daquela espécie em diferentes partes do globo, enquanto as demais espécies não apresentavam tanta desigualdade. Este aumento progressivo da desigualdade está na raiz da outra característica da sociedade moderna – a competitividade. A chave para o crescimento e o desenvolvimento está no aumento de produtividade ligado ao conhecimento e ao domínio tecnológico. A tendência de distanciamento entre os mais e os menos desenvolvidos ocorre tanto no plano das pessoas, quanto no dos grupos sociais e das nações. Alguns têm mais o que fazer, ou sabem mais o que fazer do que outros. Por exemplo, hoje em dia, quem não sabe operar um computador tem mais dificuldade, não só de encontrar emprego, mas também de ter acesso ao enorme cabedal de informação e de relacionamento disponível na Internet. Atualmente, a produtividade dos que produzem é tanta que bastaria à subsistência de todos. Entretanto, na economia de mercado, a produção se orienta para o consumo de quem produz. Pessoas que não tenham uma educação mais aprimorada, que fazem serviços de rotina, são cada vez menos necessárias, pois realizam tarefas automáticas e repetitivas, substituíveis por máquinas. O fenômeno da exclusão se acelera. Uma parcela cada vez maior da população simplesmente não precisa se educar nem produzir, e subsiste à margem do sistema, vivendo das sobras, da caridade ou do assalto violento ao processo econômico central. De uma forma que é ao mesmo tempo lógica, natural e paradoxal, os que vivem à margem consomem sem produzir, têm excesso de tempo, e assumem o papel de adoradores impotentes e revoltados da vertigem de consumo que comanda este processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante como o tempo também se distribui de forma desigual. No centro do processo produtivo falta tempo. Na margem, ele sobra. A analogia geométrica que aqui se faz baseia-se na figura de Alvin Toffler &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; das ondas da economia. No centro do processo situam-se as economias que já chegaram à terceira onda (economia pós-industrial, economia de serviços baseada nas tecnologias da informação); as economias de segunda onda (industriais) estariam numa camada mais externa; as da primeira onda (agrícolas), numa outra mais externa ainda, e o entorno do processo econômico seria ocupado pelos excluídos (economias primitivas). Nesse sentido, a África é mais “marginal” – seu processo econômico está mais distante da terceira onda – do que a América do Sul, e o interior é mais “marginal” do que a cidade. Mas, a analogia geométrica proposta não obedece aos contornos da geografia. Num mesmo país, e até numa mesma cidade, as quatro camadas (ou ondas) coexistem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O custo subjetivo do aumento da produtividade e da competitividade, o aumento da ansiedade – “o medo de perder tempo” – a pressão da “falta de tempo”, recai exatamente sobre os que produzem. E esta pressão é tão maior quanto mais próximo do centro do processo; nos EUA, mais do que no Brasil; em São Paulo, mais do que em Porto Alegre; em Porto Alegre, mais do que em Alegrete. Porque a cada onda, o processo produtivo se acelera e a competição aumenta. Os profissionais mais qualificados tendem a migrar para os centros do processo, aguçando a competição. Para o centro do processo converge também a acumulação de capital e, complementando a lógica do sistema, o aumento do consumo funciona como uma compensação psicológica para a pressão competitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, há uma dor psicológica dupla que acomete os que estão à margem ou nas camadas mais exteriores do processo, dor essa que resulta da comparação com o centro. Ao gerar menos renda na cada camada mais externa as pessoas sentem-se, comparativamente, “piores”. Ao consumir menos, alguns chegam a experimentar privação e carência do supérfluo, mas todos sentem inveja de quem tem mais e de quem faz mais. Marx&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; já notava este fenômeno. Nessa situação, o indivíduo se depara com outro sintoma (o mais doloroso) da doença do tempo: o “excesso de tempo” – o não ter o que fazer no seu nível de qualificação e não saber fazer outra coisa. É aí que a vida perde todo sentido e que a pessoa passa a duvidar do seu próprio valor. Sente-se à beira do abismo, em crise. O tempo e o conhecimento são irreversíveis, e na beira do abismo, só se tem três alternativas: paralisar-se, cair, ou aprender a voar. Aprender a voar é o próprio aprendizado: ir além das suas possibilidades atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incluo-me no rol dos doentes do tempo, pois padeço ou padeci de todos os três sintomas desta doença. Julgo-me, porém, um doente consciente, que não nega a doença e busca o remédio. Infelizmente, não existe o remédio milagroso. Não basta ler um livro como este, fazer um curso, consultar um terapeuta ou comprar um sistema de planejamento pessoal para conseguir a cura. Tudo isto ajuda, mas a doença precisa ser combatida todos os dias, de forma homeopática, pelo cultivo de bons hábitos de tempo e de vida, revigorando-se a cada dia, porque as recaídas são praticamente inevitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Toffler, Alvin. A Terceira Onda. 8 ed. Rio de Janeiro: Record, 1980.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Marx, Karl. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2002. p.74. “O rápido crescimento do capital produtivo demanda o crescimento rápido da riqueza, da ostentação e das satisfações sociais. Por isto, mesmo que as satisfações do trabalhador tenham aumentado, a gratificação social que proporcionam diminuiu em comparação [grifo meu] com o aumento das satisfações do capitalista, inacessíveis ao trabalhador. As nossas carências e satisfações têm origem na sociedade; podemos medi-las portanto em relação à sociedade; não as avaliamos em relação aos objetos que servem para a sua satisfação. Possuem uma característica relativa.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-3793334653914959793?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/3793334653914959793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=3793334653914959793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/3793334653914959793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/3793334653914959793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/05/introducao-doenca-do-tempo.html' title='Introdução - A Doença do Tempo'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-2736105136437951421</id><published>2009-05-06T14:13:00.000-07:00</published><updated>2009-05-06T14:20:39.195-07:00</updated><title type='text'>Introdução - Por que este livro?</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;“O valor da vida não está no encadeamento dos dias, mas no uso que fazemos deles.”&lt;br /&gt;Montaigne&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Este é um livro sobre planejamento pessoal, administração do tempo, organização pessoal, inteligência emocional, liderança pessoal, proatividade. Conceitos interligados que buscam uma forma de responder à questão: o que fazer para viver melhor? Esta é a questão da filosofia da ação, a ética. Sua finalidade? A felicidade. Dentro do possível. E como expandir as possibilidades? Este livro é também um manual de uma resposta neste sentido.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que este livro?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Meu interesse original pela disciplina do planejamento e da organização pessoal era o de aprender a ser mais eficiente, fazer mais em menos tempo. Após um crescimento profissional acelerado, sentia-me pouco competente para fazer frente a tantas demandas. Aos 20 anos perdi meu pai. Trabalhava, estudava engenharia eletrônica e iniciei o mestrado em Ciência da Computação junto com o último ano da Faculdade, trabalhando ainda no CPD da UFRGS. Antes de concluir o mestrado, junto com três colegas, comecei uma empresa industrial de fundo de quintal, sem nenhuma experiência, baseado apenas na vontade, na coragem e na própria ignorância. Tive uma boa formação, toda ela no ensino público. A Digitel cresceu para tornar-se a maior empresa de comunicação de dados da América Latina. Dentro da Digitel nasceu a Altus, que é hoje uma das maiores empresas de automação industrial do Brasil, exportando tecnologia para a Alemanha e América Latina. Acho que retribuí o que o país investiu em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma história de sucesso da qual me orgulho. Mas todo sucesso tem seu preço em problemas: ansiedade, angústia, tensão. Sentia na pele o que foi identificado por Kerry Gleeson&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;: “embora tenhamos sido formalmente educados para trabalhar nas nossas profissões, poucos, principalmente os trabalhadores de alto nível, aprenderam a trabalhar de forma eficiente e eficaz. Grande parte dos profissionais não tem uma idéia clara de como se organizar e processar o seu trabalho da melhor maneira”. Felizmente minha natureza era eclética e tive a oportunidade de fazer um curso de Gerência de Projetos. Comecei a planejar a longo prazo, mas faltavam muitas outras habilidades gerenciais, e com o acúmulo de demandas, passei a improvisar e reagir além dos limites do bom senso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1985, fiz um curso de administração do tempo (baseado no trabalho de Douglass&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;) e passei a praticar e estudar a organização do tempo, esporadicamente, buscando duas integrações. Uma era unir o planejamento de longo prazo da Gerência de Projetos às técnicas de organização do dia-a-dia. Além disso, buscava uma ferramenta que integrasse papel e informática. Meu objetivo era ser mais eficiente: fazer mais, reagir mais rápido, utilizar melhor o tempo como recurso. Depois de vários anos de estudo e prática, reconheci que, em verdade, e desde sempre, mais do que reagir rápido, o que importa é agir certo – a eficácia, mais do que a eficiência. E que, mais do que um recurso, tempo é vida. Administrar o tempo de forma eficaz é viver bem e ser feliz.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Eficácia é mais do que eficiência e mais do que qualidade. Eficácia não significa fazer mais nem fazer certo, mas fazer o certo – as coisas que conduzem à realização e que fortalecem a integridade. Realização é um processo e não um estado de plenitude permanente. Não é uma meta, ou, se o for, é essencialmente inalcançável. Realização é a forma pela qual percorremos o caminho, o aprimoramento ao longo do percurso, e isso pode ser feito com método, seguindo uma “técnica” milenar: viver de acordo com os próprios valores e alinhá-los permanentemente com a realidade mutante. Esta técnica da eficácia é a própria ética, a filosofia da ação e das virtudes morais que, quando praticada, conduz a uma felicidade mais duradoura e mais serena do que aquela outra felicidade de desfutar o prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer que o objetivo da vida é ser feliz é um truísmo. O problema que logo se coloca é: o que é felicidade? Duas respostas milenares e aparentemente opostas. De um lado, deve-se reconhecer que felicidade é algo que se sente, portanto é uma sensação, e uma sensação de prazer. Ser feliz é sentir prazer – é a tese hedonista do epicurismo e o princípio do prazer de Freud: a busca do prazer e a fuga da dor são “o princípio de toda escolha e de toda recusa”. De outro lado, a crítica estóica de que a verdadeira felicidade deveria ser duradoura, e não uma sensação imediata e passageira. Se qualquer organismo aceita sofrer para sobreviver, a preservação da essência do ser está acima da busca do prazer. Se a essência do homem é a razão, viver segundo a razão (a virtude) vale mais do que a fruição do gozo. A felicidade moral é uma sensação sim, mas é uma sensação de segunda mão, derivada de um conhecimento. Sentimo-nos moralmente felizes quando sabemos ter cumprido um dever, ter alcançado uma meta, mesmo que isso envolva dor. Esta é a felicidade da realização, tão maior quanto maior o esforço. A felicidade de cumprir o dever é da ordem da eternidade e do conhecimento (que ficam). A felicidade de sentir o prazer está na ordem do tempo e do corpo (que passam). Uma tese não nega a outra, mas freqüentemente entram em conflito. “Rigor de Epícteto contra a suavidade de Epicuro. Vontade contra volúpia. Alegria do esforço contra o prazer do repouso. São os dois pólos do viver, entre os quais não se trata tanto de escolher, mas de oscilar ou de encontrar um equilíbrio”.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Estas duas sabedorias mais se completam do que se opõem na experiência da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre oscilando, hoje sou mais moralista do que hedonista, pois considero que o maior valor está na busca permanente de superar os próprios limites, em aprender e empreender. Mas busco um crescimento integral e harmônico, sem reprimir ou negar a realidade das emoções, do prazer e da dor. E procuro influenciar os outros a percorrer também esse caminho. Realizo-me ao praticar, reforçar e aprimorar este aprendizado, compartilhando-o com outras pessoas. Este é o motivo para escrever este livro, para desenvolver o Sistema PowerSelf e para criar e manter a PowerSelf como empreendimento. O grande prêmio desta jornada é o desenvolvimento de uma consciência mais madura e equilibrada. Mas, contabilizo ainda duas outras gratificações: primeiro, a confirmação de tantas pessoas de que o sistema PowerSelf as ajudou a agregar e gerar valor em suas vidas; depois, o feedback das pessoas mais próximas de que esta prática me tornou uma pessoa melhor para o convívio. Assim, o objeto deste livro é também o de ajudar o leitor a alcançar novos níveis de realização na sua vida pessoal e profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, este é um livro de auto-ajuda. Por que não? Embora o termo auto-ajuda esteja desgastado, não é sábio nutrir preconceitos em relação a termos. Toda terapia implica auto-ajuda. Terapia é ajudar alguém que padece. E não se pode ajudar a uma pessoa que não quer ser ajudada. Todos padecem da “doença do tempo”, embora nem todos queiram ajuda.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; GLEESON, Kerry. PEP – O Programa de Eficiência Pessoal. São Paulo: Makron Books, 1996.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; DOUGLASS,&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=390727679536754575#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Comte-Sponville, André. “A vida humana”. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2007. p76.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-2736105136437951421?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/2736105136437951421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=2736105136437951421' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/2736105136437951421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/2736105136437951421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/05/introducao-por-que-este-livro.html' title='Introdução - Por que este livro?'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-3306688832808383556</id><published>2009-05-06T14:06:00.000-07:00</published><updated>2009-05-13T11:37:27.715-07:00</updated><title type='text'>Saldando um Débito - Prefácio à 2ª Edição</title><content type='html'>Eu não sabia da dificuldade de vender cinco mil livros em três anos, mesmo sabendo ser um autor desconhecido e sem networking no meio livresco, e que a Literalis era uma editora nascente. Por ignorância ou soberba, foi assim que planejei a primeira edição. A ousadia foi compensada, e o projeto, embora mal acompanhado, chegou ao objetivo. Em 2007, a primeira edição, lançada em novembro de 2003, estava praticamente esgotada. Um orgulho e um novo desafio: revisá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira versão foi escrita ao longo de quatro anos e meio. Mesmo sem estar satisfeito com o resultado (creio que nunca estarei), resolvi publicá-la. Havia muita redundância, pois o livro foi composto para ser lido como um manual, a partir de qualquer capítulo. Tive e tenho dúvidas quanto à melhor seqüência didática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revisão foi mais fácil do que a escrita original, mas, ainda assim, muito mais lenta do que poderia ser se eu tivesse, ao natural, a disciplina que, penosamente, busco desenvolver. Houve muita poda de excesso, questão de estilo; algumas reformulações, questão de conceitos; e outros tantos implantes, questão de aprendizado e reflexão. No fim das contas, modifiquei bastante, e o que era para ser a revisão 1.1 terminou como uma nova versão 2.0. Aliás, ainda não terminou e, por isso resolvi começar a publicar por partes aqui, o que acontecerá a cada semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de fazer uma modificação de nomenclatura, mas não a fiz. Ao invés de “compromissos com hora”, desejava passar a usar a designação “horários”, mas não quis perder a força da palavra compromisso.  No capítulo I, adotei o termo pós-moderno no lugar de moderno até porque neste meio tempo desde a primeira edição aprendi o significado do primeiro termo e sua melhor adequação descritiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na introdução do Capítulo 4, incluí um texto de inspiração epicurista. No mesmo capítulo incluí a lista dos valores de Benjamin Franklin, o criador do método de “contabilidade moral”, cuja prática eu recomendo. No fim do mesmo capítulo, incluí um pequeno desenvolvimento dos conceitos de Cloninger sobre temperamento e caráter, cujo trabalho conheci através de meu amigo Paulo Abreu, a quem muito agradeço, pois os conceitos postulados, pesquisados e validados por Cloninger permitiram estruturar e aprofundar uma seara que já se perseguia na primeira edição. O capítulo 5 da versão original foi aberto em dois: um para o Plano Político e outro para o Plano Tático. Neste novo capítulo 6, está a grande mudança que justifica chamar esta nova edição de uma nova versão. Em relação a ações, incluí a análise do conceito de prazo e explicitei melhor a distinção entre as formas de atacar ações simples e complexas. Também neste capítulo, mudei a ordem de apresentação dos vários itens para melhor destacar a ligação entre rotina e a estratégia de marcação de horários, apresentada de uma forma bem mais didática. Foi incluído também um item sobre reuniões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda estou reescrevendo o novo capítulo 7 referente ao planejamento de longo prazo. E, justamente por ter empacado neste ponto, resolvi começar a publicar o livro aqui, por partes, a cada semana. Estarei apostando uma corrida comigo mesmo: terminar o capítulo antes de chegar o momento de publicá-lo :-)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a principal reformulação conceitual de fundo cabe aqui mesmo. No texto original destaquei que a disciplina da boa administração do tempo era muito antiga e era a ética, a filosofia prática. Hoje, vejo de forma diferente ou mais abrangente, ajudado por uma reflexão de Luc Ferry. A questão do tempo para o homem, está intimamente associada à consciência da própria finitude, de sua relação com a morte. A questão da perda de tempo “é” a própria questão da vida (ou da sua perda – a morte): a consciência da irreversibilidade do tempo. A questão de “o que fazer agora”, ou “o que fazer da vida” é a questão filosófica por excelência. Portanto, para além da ética, a questão da administração do tempo é a própria filosofia. “O que supõe que se percorrem três etapas: a da teoria (conhecimento do mundo e dos instrumentos que temos para conhecer), a da ética (como viver com os outros) ou filosofia prática, e a da salvação ou da sabedoria, o saber viver, feliz e livre, na medida do possível” &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=390727679536754575&amp;amp;postID=3306688832808383556#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, apesar das dúvidas, decidi por manter a capitulação original com a inclusão já mencionada e, sem nenhuma dúvida, o prefácio do meu amigo Ricardo Felizzola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedico esta segunda edição à memória do meu amigo Gilnei Marques, criador e editor do Baguete Diário, uma pessoa que eu tive a dádiva de conhecer e com quem tive o privilégio de privar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=390727679536754575&amp;amp;postID=3306688832808383556#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; FERRY, Luc. Aprender a Viver; trad. Vera Lúcia dos Reis. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. pp. 32-34.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-3306688832808383556?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/3306688832808383556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=3306688832808383556' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/3306688832808383556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/3306688832808383556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2009/05/salando-um-debito-prefacio-2-edicao.html' title='Saldando um Débito - Prefácio à 2ª Edição'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-3331093244667241708</id><published>2008-11-06T09:36:00.000-08:00</published><updated>2008-11-09T15:26:42.595-08:00</updated><title type='text'>Confiança</title><content type='html'>A administração do tempo é uma disciplina. Aliás, várias. São vários pequenos hábitos de comportamento não naturais, que, justamente por não serem naturais, precisam ser cultivados. A prática dos hábitos melhora os sentimentos, que facilitam a prática dos hábitos, num ciclo virtuoso. Da mesma forma, o desleixo dos hábitos piora os sentimentos, que dificultam a prática dos hábitos, num ciclo vicioso. A saída de um para o outro ciclo depende do sentimento dominante. A questão central é se o sentimento está à mercê de causas fortuitas ou da vontade. Não deixa de ser uma espécie de moralismo falso praticar um hábito bom sem o respectivo ânimo. Mas o sentimento, mesmo que comece como fingimento, acaba se tornando verdadeiro: quem finge dor logo estará chorando sinceramente; quem finge alegria termina rindo de verdade. Se esse auto-engano funciona, melhor fazê-lo funcionar a favor dos bons sentimentos e dos bons hábitos. Eis o segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentimento do tempo depende da atitude da pessoa em relação a si mesma e aos outros e de suas crenças a respeito. O melhor sentimento a cultivar é a confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiar é diferente de esperar. A confiança está além da esperança e aquém da certeza. Uma potência entre duas impotências. A esperança não age porque espera – é um confiar no além. A certeza não leva à ação, apenas ao movimento ou à contemplação daquilo que é certo e inevitável, que é apenas destino. O que resulta da certeza é apenas efeito, não chega a ser causa. Reação de um objeto e não ação de um sujeito. A confiança é que nos leva a agir apesar do risco (aliás, só há confiança se há risco, senão já seria certeza) e a mudar o curso natural das causas e dos efeitos, alterando as probabilidades a nosso favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como confiar na sorte, sabendo que a dor é certa? Como confiar no outro sabendo que o mal existe? Confiantes, entramos no avião ou ligamos o computador. Confiança ou esperança? Quantos milhões de promessas precisam ser cumpridas e quantos acidentes precisam não acontecer para que o avião e a Internet funcionem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tal de Segredo, que vendeu muitos livros, parece ser esse: o que nos acontece depende de nossa atitude interior, que podemos aprender a controlar conscientemente. Basta confiar em si, no cosmos e nos outros que tudo conspira a favor. Ora, isso é a ingenuidade estóica do Logos, que o pensamento moderno desmascarou. Pensar que há uma ordem benfazeja (a favor do homem) no universo. Por trás desse psicologismo entusiamante está uma confiança no poder da consciência que beira a esperança. Confiança em excesso é esperança, é fé, é um pensamento mágico, loucura talvez. Nesse aspecto, fico com Epicuro: melhor não temer os deuses, e pensar que sua vontade (boa ou má) é imune à nossa influência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há salvação. Não há felicidade plena. A dor é inevitável. Pode-se, no máximo, aprender a suportá-la. Esse é outro segredo. O mais bem guardado, pois ninguém ousa confessar. Até porque não queremos que nossos filhos saibam, pois, apesar de toda evidência, desejamos para eles a felicidade completa. Saber que a dor e a morte são certas, não é motivo para não buscar uma felicidade possível, por breve que seja. Não há porque desistir de tentar, mesmo sabendo disso. Confiança é exatamente o que nos livra do niilismo cético e da inação diante da dor de saber. Melhor esquecer a morte, a dor, a miséria, o mal? Não há porque esconder isso da consciência para poder confiar. Aliás, a certeza da salvação não é confiança, é fé – a crença contra a evidência. É a desconfiança (a confiança pelo avesso) que nos salva dessa loucura. Então confiança nunca pode ser demais, senão vira esperança e fé. E nunca pode ser de menos, senão vira certeza contemplativa e tédio. Não há salvação senão buscar o equilíbrio, sempre instável, sempre tênue, sempre difícil, porque impossível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-3331093244667241708?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/3331093244667241708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=3331093244667241708' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/3331093244667241708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/3331093244667241708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2008/11/confiana.html' title='Confiança'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-492298903609029734</id><published>2008-08-24T07:01:00.000-07:00</published><updated>2009-05-13T11:44:18.864-07:00</updated><title type='text'>Retórica</title><content type='html'>Retórica é a arte do argumento e do convencimento do outro. Velha arte sofista ensinada nas Academias e praticada nas bancas de defesa e acusação. Desde lá a denúncia platônica de que a finalidade da retórica é a vitória na argumentação e não a busca da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para convencer bem é preciso, primeiro, convencer-se: eliminar a dúvida, forçar a convicção, embriagar-se do argumento. Tão mais eficaz é a retórica quanto mais entranhada é a convicção. O argumento torna-se o centro de tudo e a argumentação passa a ser a única finalidade: arte pela arte, falar por falar - o entusiasmo segue-se do embevecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O argumento mais eficaz é o mais simples: reto, não admite desvios ou vacilos. É aí que aparecem as curvas do real a complicar. É quando, em nome da eficácia e do convencimento fácil, o argumento simplifica e patrola a realidade. Então, a retórica dobra os ditames da lógica, força os limites do razoável, entorta as prescrições da moral, rompendo os compromissos com a verdade e com a justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, neste exato momento, o nosso retórico conquista sua primeira vitória, faz seus primeiros cativos: sua integridade moral e sua sanidade mental, presas do argumento. Vitória de Pirro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-492298903609029734?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/492298903609029734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=492298903609029734' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/492298903609029734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/492298903609029734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2008/08/retrica.html' title='Retórica'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-9078391226218269073</id><published>2008-08-20T18:11:00.000-07:00</published><updated>2008-08-24T07:01:28.916-07:00</updated><title type='text'>Salvos e Eleitos</title><content type='html'>Bem aventurados os que conhecem a Palavra e foram ungidos pela graça da Verdade revelada. Impávidos e serenos, eles habitam o reino da verdade eterna e cristalina, acima das mazelas dos comuns, sem se deixar tocar pelos enganos e desenganos deste mundo de sombras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa postura olímpica de quem está acima das incertezas e das dúvidas é típica dos fanáticos e dos convertidos. A tal Palavra pode ser a Bíblia, o Corão, a Torá, o Capital , A Riqueza das Nações, A Evolução das Espécies, ou as obras completas de Freud. O importante é que, uma vez adotada uma chave de explicação do mundo em torno da qual se irmanam os eleitos, estes cumpram o ritual sistemático do congraçamento e da reafirmação mútua, reforçando e cristalizando a certeza da salvação pela inspiração do intelecto ou pelo sopro divino. Os salvos têm a certeza das suas convicções pois elas são as únicas verdadeiras. Eles serão sempre tentados pelos perdidos, que vivem no lodaçal da dúvida, enredados no erro, mas a certeza da salvação (o desejo profundo da segurança do seio materno) torna-os imunes e surdos aos apelos deste mundo confuso. Não há caminho mais certo para a fuga da realidade incômoda, ou seja, para a loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coerência extrema prescrita por um sistema de crenças fechado em si mesmo é a chave para as portas do céu das certezas. A porta que abre o vão das certezas ideais é a mesma que fecha a abertura para o real. Dois vãos com uma só porta. O caminho para o ideal é a fuga do real: loucura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-9078391226218269073?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/9078391226218269073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=9078391226218269073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/9078391226218269073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/9078391226218269073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2008/08/salvos-e-eleitos.html' title='Salvos e Eleitos'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-5033318621091654739</id><published>2008-05-13T03:36:00.000-07:00</published><updated>2008-05-13T03:37:16.141-07:00</updated><title type='text'>Princípios, Valores e Vísceras</title><content type='html'>Todos têm princípios: crenças sobre o que é verdadeiro. Todos têm valores: crenças sobre o que é certo. Nem sempre em harmonia, princípios e valores embasam a identidade de qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora toda crença seja parcial, toda base precisa ser sentida como firme. Não é a base que precisa ser certa e firme – é o sentimento que precisa ser convicto. Convicção é um sentimento entranhado e visceral, com lugar e temperatura. Embaixo (na barriga – intestino) é fria. Em cima (na cabeça – cérebro) é morna. No centro (no peito – coração) é quente. Intestino, coração e cérebro – vísceras. Miúdos, diria o açougueiro. Similares em aparência, outra semelhança os une: são o lugar da convicção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há certezas que contrariadas dão um frio na barriga. Essas são filhas do medo. Medo da perda. Quem as cria? O pai, o patrão, todo aquele, enfim, de quem dependemos, que nos garante a vida ou o sustento. Essas certezas são rígidas. Abaladas se quebram. E há o medo de que com elas se quebre também a identidade e a integridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há a convicção do entusiasmo, o calor no peito de um coração quente. Certeza que vem da confirmação dos correligionários, dos irmãos, dos iguais. Crença compartilhada aos hurras e expressa em gestos, que enleva, irmana e embebe a todos. Porém volúvel, varia ao sabor das companhias e das maiorias de ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim há a convicção que emana da reflexão (solitária) e do diálogo (com o oposto). Seu lugar é a cabeça, sua víscera é o cérebro. Certeza provisória, flexível e morna, quase fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convicções sempre viscerais, portanto. Mas com a maturidade parece que as certezas vão subindo no corpo e buscando um meio termo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-5033318621091654739?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/5033318621091654739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=5033318621091654739' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5033318621091654739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5033318621091654739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2008/05/princpios-valores-e-vsceras.html' title='Princípios, Valores e Vísceras'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-7524184770643208390</id><published>2008-05-05T16:19:00.000-07:00</published><updated>2008-05-05T16:23:49.601-07:00</updated><title type='text'>Vida requer Subjetividade</title><content type='html'>Digo que tempo é vida, mas isto é verdade apenas no sentido particular: o meu tempo é a minha vida. No sentido geral, vida não é tempo. Vida não é apenas duração. A pedra não tem vida. Vida requer animação, não apenas movimento. "Anima" - alma - toda vida tem alma, requer ação, movimento intencional. Não apenas um fluxo de eventos objetivos "cheio de fúria e sem significado". Vida requer intencionalidade, subjetividade. O tempo, definido como fluxo de eventos, para que se constitua em vida, requer subjetividade. Precisa que se agreguem aos eventos objetivos do universo externo a mim, todos os eventos subjetivos do meu universo interior: da minha alma, da minha consciência, do meu cérebro racional e emocional.&lt;br /&gt;Mas subjetividade num sentido lato. No sentido em que se pode considerar subjetiva a intenção da planta de buscar a luz. Pode-se dizer que a planta quer a luz. Mas não se pode dizer que o  rio quer o mar. Em ambos os casos há movimento dirigido e explicável pelas leis naturais, mas no rio não há vida e na planta sim.&lt;br /&gt;Mas o que há de subjetividade no fototropismo de uma planta? Ora, não basta encerrar um fenômeno numa explicação científica para retirar-lhe a magia da subjetividade incognoscível. Reconhecer o fototropismo como fenômeno, não retira a dramaticidade da vida de uma árvore contorcida que, das gretas, cresceu lentamente e lutou contra todos os obstáculos, em busca da luz.&lt;br /&gt;O que é objetivo é observável. Já o reino da subjetividade alheia, por definição, é incognoscível. Tudo o que podemos saber da subjetividade do outro é fruto da projeção da nossa própria vida subjetiva.&lt;br /&gt;E subjetividade é drama. É a luta da intenção contra os limites do real. É o dever ser e o querer ser opondo-se ao que apenas está. Mas na raiz mesma deste drama está o seu poder transformador, sua capacidade de influir na lógica fria das causas e efeitos, na cadeia das ações e reações. É a subjetividade que dá sentido, que através da escolha, da ação objetiva comandada por uma vontade subjetiva, empurra o fluxo de eventos objetivos no sentido do que deve ser porque ainda não é. É através da subjetividade que o futuro adquire um sentido como finalidade. Senão ele seria apenas um sentido determinado, ou melhor, a completa falta de sentido. É a subjetividade que cria a possibilidade para além da probabilidade, que manipula o determinismo de acordo com a vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* texto escrito em setembro de 2000&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-7524184770643208390?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/7524184770643208390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=7524184770643208390' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/7524184770643208390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/7524184770643208390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2008/05/vida-requer-subjetividade.html' title='Vida requer Subjetividade'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-8740398985059645478</id><published>2008-04-16T04:18:00.000-07:00</published><updated>2008-04-16T04:19:07.140-07:00</updated><title type='text'>Intestinal</title><content type='html'>Vivemos a dualidade entre cérebro e entranhas - "guts", diz o inglês. Conflito entre natureza animal e inspiração divina, paradoxo corpo x mente, divisão entre sistemas límbico e cortical. Formas cultas de expressar a eterna luta entre a cabeça e as entranhas. O frio na barriga ou o calor no coração refletem o desconforto emocional que nos mobiliza a agir. "Só se age para aliviar um desconforto", disse Mises.&lt;br /&gt;Ponderamos com o cérebro, decidimos com o intestino. Convicção e ação vêm das entranhas. Do cérebro, contemplação e dúvida. Por vezes o intestino comanda: decide-se sem ponderar. A falta de tempo justifica a incontinência. A urgência intestinal desconhece a calma.&lt;br /&gt;O conhecimento amplia a visão e reforça a compreensão, mas diminui as certezas. Pensar para formar convicção e acumular certezas. Como? Se a cabeça não pára de agregar dúvidas e pontos de vista distintos. Uma constipação faria melhor.&lt;br /&gt;Quando as crenças se firmam em convicções, correm o risco de se empedrar como certezas. Daí é um passo para a intolerância fanática - patologia da crença - loucura.&lt;br /&gt;E então a cobra engole o rabo. Pois a sabedoria não pode ficar só no conhecimento. O saber requer prática, vivência, experiência, aplicação - ação, em suma. E a ação requer mobilização sempre, convicção às vezes. Ambas, no entanto, entranhadas e viscerais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-8740398985059645478?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/8740398985059645478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=8740398985059645478' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8740398985059645478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8740398985059645478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2008/04/intestinal.html' title='Intestinal'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-8469562224995070331</id><published>2008-03-28T04:17:00.000-07:00</published><updated>2008-03-28T04:21:08.701-07:00</updated><title type='text'>Três Leis</title><content type='html'>A leitura do prefácio de “Isto é Biologia” de Ernst Mayr basta para inspirar. Aliás, basta uma frase sobre causalidade. “[Além das] leis universais descobertas e analisadas pelas ciências físicas, os organismos vivos obedecem a um segundo conjunto de causas, o das instruções do programa genético.” Este conceito de dualidade de causa no mundo vivo é iluminador. Junte-se um pouco de insight e o conceito dos “memes”, que Richard Dawkins cunhou em “O Gene Egoísta”, e ouso avançar a dualidade de Mayr para uma nova abordagem da liberdade humana e de seu papel na construção de (e submissão a) um terceiro conjunto de leis. Refiro-me às leis culturais (os memes sobreviventes) que se aplicam aos seres vivos inteligentes ou capazes de linguagem simbólica, cujo único caso conhecido atualmente é o da humanidade. Desta tripla determinação nascem a liberdade, a angústia e a vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os vetores das três determinações coincidem tem-se as sensações de vontade e de determinação que parecem vir de dentro do indivíduo, sendo na verdade condicionadas por leis independentes de sua vontade livre. Uma coisa é a “sensação de vontade” e outra, em certos aspectos até oposta, é a vontade como “capacidade de escolha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem sempre a tripla determinação se efetua. O vetor natural, o genético e o cultural não necessariamente convergem. A resultante é a sensação de angústia, ante-sala da liberdade. A angústia, quando não paralisa, propicia o crescimento cultural – a mutação dos memes – operada pela vontade como capacidade de escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra intuição a explorar é a da relação entre o módulo da soma vetorial da tripla determinação e a probabilidade de sobrevivência da vida inteligente. Este &lt;em&gt;insight &lt;/em&gt;seria o de que quando os três vetores apontam a mesma direção a probabilidade de sobrevivência é máxima e diminui na medida em que uma determinação anula ou contesta a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rousseau distinguia os homens dos demais animais pela sua perfectibilidade, que estaria ligada à sua relativa liberdade das determinações da natureza. Uma leitura de Rousseau, temperada por Dawkins, diria que a perfectibilidade é exatamente o processo de evolução dos memes, onde a liberdade tem apenas um papel instrumental na maximização da probabilidade de sobrevivência e não se constitui em finalidade em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo minha ousadia filosófica eu diria que a liberdade só é chamada a operar a tal perfectibilidade quando os vetores natural, genético e cultural entram em desarmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E viva a angústia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-8469562224995070331?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/8469562224995070331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=8469562224995070331' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8469562224995070331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8469562224995070331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2008/03/trs-leis.html' title='Três Leis'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-5143975163689848068</id><published>2008-02-09T11:07:00.000-08:00</published><updated>2008-02-09T11:09:05.357-08:00</updated><title type='text'>Confissão</title><content type='html'>Há tempos descobri o óbvio: que o Bem nada mais é do que felicidade; e que a finalidade da vida, da ética e de todas as ciências humanas é conseguir tornar o homem o mais feliz possível. Demorei porque essa evidência estava esquecida, ou melhor, escondida por trás de tantos outros aprendizados supérfluos dos meios para atingir a tal felicidade. Menos mal. Há quem não o saiba. Pior: há quem tente fazer o bem causando infelicidade. Talvez porque se confundam como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque então meu problema se tornou um conflito entre duas felicidades complementares que pareciam anular-se: desfrutar o prazer ou cumprir o dever. Curtir um prazer parecia implicar a transgressão de um dever. Cumprir um dever quase sempre significava adiar ou evitar um prazer. Durante muito tempo equilibrei-me num meio termo hesitante entre um hedonismo evidente e real e um moralismo virtuoso e ideal. Educado que fui, tendia mais para o moralismo. Mal educado (ou honesto) que sou nunca deixei de reconhecer o prazer. Entretanto, o pressentimento (mais do que a advertência) de que Tanatos segue na esteira de Eros sempre me serviu de freio. Mas nunca neguei outro pressentimento maior: quem governa é a emoção, não a razão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós humanos somos muito ciosos de nossa cultura e de nossa liberdade “superiores” sem ver que tudo se resume a uma propensão homeostática, um dispêndio de energia visando à manutenção de um equilíbrio impossível ao sabor de mudanças inevitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pilotado aqui de dentro parece que este corpo, este momento e este lugar (ou esse país, esse time, essa raça, essa espécie) são melhores, porque são mais... Mais o que? Presentes, reais, sensíveis. Miopia das sensações, ilusões de ótica que os óculos da razão tentam corrigir em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A razão diz que no final da aventura humana, como no final de qualquer vida: nada. Ou melhor, tudo continua mudando como dantes, sem mensagem, sem significado, sem salvação. Se o genoma humano fosse intrinsecamente melhor do ponto de vista da sobrevivência, a evolução se encarregaria de fazer com que todos os genomas se tornassem humanos e não haveria mais minhocas nem baratas, nem amebas. Do ponto de vista da sobrevivência, se é isso que significa a salvação, aposto mais nas amebas do que nos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então não há porque adiar o prazer. Mas também não há porque torná-lo um vício. Esta é a sabedoria dos antigos que retorna num mundo sem Deus, sem esperança e sem sentido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-5143975163689848068?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/5143975163689848068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=5143975163689848068' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5143975163689848068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5143975163689848068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2008/02/confisso.html' title='Confissão'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-2918366792600698933</id><published>2007-11-17T18:25:00.000-08:00</published><updated>2007-11-17T18:44:30.333-08:00</updated><title type='text'>Convergência de Modelos de Negócio</title><content type='html'>A tecnologia converge mais rápido do que as culturas e as políticas. Aliás, vai na frente e as determina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TI, Telecom e Mídia se desenvolveram com características distintas e agora se fundem pela convergência propiciada pela tecnologia digital. Diante da nova realidade tecnológica, três culturas se conciliam, buscam complementaridades e contornam conflitos. A convergência da convergência, por mais que os ideólogos resistam, acaba sendo a Internet. Os distintos modelos de negócios usuais nas indústrias de TI, Telecom e mídia também convergem na Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três mundos e suas convergências podem ser divididos em três níveis horizontais e três setores complementares, identificados nas colunas da tabela abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Níveis   \ Setores     Tecnologia           Produto       Atividade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Terciário&lt;/strong&gt;                           Uso                        Rede              Serviço&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Secundário&lt;/strong&gt;                 Produção            Equipamento      Indústria&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Primário&lt;/strong&gt;                Desenvolvimento     Componente      Pesquisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A convergência evoluiu do nível primário para o terciário, mas agora é puxada pelo nível superior. O setor de atividade mais dinâmico da economia é o de serviços, que puxa e comanda o desenvolvimento dos níveis inferiores. A rede convergente, por excelência, é a Internet, e seus novos usos engendram o surgimento de novos serviços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo Telecom surgiu e viveu à sombra do estado, pois a propriedade do principal insumo, o meio de comunicação, é pública. A exploração econômica do serviço, ou é feita diretamente pelo estado em regime de monopólio (modelo europeu), ou é concedida a determinados grupos numa competição regulada (modelo americano predominante). A importância do planejamento, da padronização e do lobby decorrem daí, bem como a possibilidade de corrupção e desvios éticos. A possibilidade de cartelização e de cooptação das agências reguladoras são tendências permanentemente combatidas e denunciadas. De qualquer forma, a competição no setor é intrinsecamente imperfeita, pois há barreiras de entrada naturais em relação ao porte das empresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A TI nasceu e se desenvolveu sob o paradigma da inovação, incorporando radicalmente a ideologia da livre competição liberal. Fermentada na academia inovadora, foi inseminada pelo empreendedorismo e alavancada pelo capital de risco. A pulverização do mercado de TI em miríades de nichos e empresas é bem distinta da estrutura do mercado tradicional de Telecom, demonstrando uma situação concorrencial mais salutar. Os valores do empreendedorismo, liberdade individual e de igualdade de oportunidades temperados pela globalização se constituem num verdadeiro inferno para governos, e entidades controladoras, criando enormes resistências a tentativas de regulação. Entretanto, a tendência à padronização de plataformas cria monopólios de fato que se aproveitam do enfraquecimento político dos governos. Incentiva-se então uma corrida de marketing mais do que tecnológica para a adoção de padrões de fato. A corrida é para ser “o” padrão de mercado que conta mais do que o lucro para a valorização da empresa. Nesta corrida, ser o primeiro importa mais do que ser o melhor. A inovação como um valor em si acelerou a obsolescência ao ponto de comoditizar a tecnologia. O conhecimento e sua produção, de diferencial que era, passou a ser requisito mínimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negócio de mídia é o mais antigo dos três (jornal), mas foi o último a ser tragado pelo redemoinho da convergência. Em comum com a Telecom, o negócio de mídia tem uma estreita relação com os governos, constituindo-se num verdadeiro quarto poder dos estados democráticos. Em comum com a TI, o negócio de mídia se nutre da competição e da inovação, se não da forma, pelo menos do conteúdo: a moda, a notícia, a novidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traçado esse pano de fundo, vejamos os modelos de negócios típicos de cada setor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os clientes de telecom são usuários que pagam uma mensalidade. A mensalidade se constitui de uma assinatura que dá direito a uma franquia de serviços/recursos e de um adicional variável caso o uso dos serviços/recursos ultrapasse a franquia. Tem-se então uma série de valores de taxas unitárias de uso de recursos que são multiplicadas pelo uso efetivo para chegar ao valor do serviço adicional. Essas taxas têm, tradicionalmente, tetos máximos fixados pela autoridade reguladora do poder concedente. Também é necessário que os fornecedores disponham de um sistema de medição de uso transparente e passível de fiscalização. A idéia é de que o serviço seja prestado ao grande público para garantir o retorno do investimento inicial elevado. A escala é garantida pela regulação da concorrência e, em paralelo, pelo tabelamento dos preços, paradigma que tem sido colocado em cheque pelo barateamento das novas alternativas tecnológicas e pela quase total amortização da malha de distribuição mais cara e mais antiga. A idéia de ter usuários cativos “ad aeternum”, verdadeiros reféns de fornecedores monopolistas, pode talvez revoltar alguns, mas certamente desperta a cobiça de todos. Diz o adágio: todo monopólio é odioso, menos o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes da Internet, a TI tinha dois modelos de negócio. Um é o modelo de serviços tradicionais de cobrar por hora/homem medida ou empreitada, usada desenvolvimento de software por encomenda, sendo comum, após o desenvolvimento, um Contrato de Suporte e Manutenção, com direito a uma franquia de horas/homem para garantir a atualização do software. O segundo modelo de negócios é o da licença de uso. Neste caso, o software é considerado uma propriedade intelectual, uma obra cujo uso é licenciado. Normalmente, a licença é renovada periodicamente e dá direito a novas versões. Nestes dois modelos tradicionais o software é disponibilizado num meio físico (disco) e é instalado no computador do cliente. A Internet trouxe uma nova forma de transporte (o download) que dispensa o meio físico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Internet possibilitou ainda um novo modelo de negócios para a venda de software que significa uma verdadeira mudança paradigmática. Na Internet, vários fornecedores passaram a disponibilizar seus softwares segundo o modelo ASP (Application Service Provider). Neste caso, o software reside fisicamente num servidor do fornecedor e é acessado pelo usuário através do seu browser de Internet padrão, o mesmo que ele usa para navegar na web. Note-se que não há mais necessidade de uma mercadoria a ser transportada (nem mesmo eletronicamente) ou transacionada. A mercadoria torna-se serviço, o cliente torna-se usuário, o fornecedor torna-se provedor. O modelo da telecom de franquias e adicionais abre-se ao fornecedor de software que agora pode baratear seus preços, tendo à sua disposição uma comunidade de usuários virtualmente ilimitada. “Só” é preciso ficar conhecido – de novo o marketing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na indústria de mídia, afora os veículos de propriedade do estado, que têm uma subvenção, o modelo de negócios tradicional é o do jornal. O custeio da produção e distribuição da informação é coberto por duas fontes de renda: assinatura (dos clientes) e publicidade (dos anunciantes). A produção de conteúdo também se divide em conteúdo informativo e conteúdo de caráter comercial ou promocional, ambas de interesse público. Ora, na medida em que o conteúdo se torna mais comercial e os veículos mais segmentados, a tendência é de que a assinatura se torne menos significativa e a verba publicitária maior. O que é “vendido” então para o anunciante é o próprio usuário. A verba publicitária é tão maior quanto maior a circulação ou a audiência do veículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, a Internet é também uma nova mídia, e qualquer site, não só dos provedores de conteúdo tradicional mas também dos provedores de serviços e ASPs, tem a “audiência” dos seus usuários. Novos serviços informáticos “gratuitos” de grande utilidade atraem milhões de usuários que são “vendidos” a grandes e pequenos anunciantes de banners. Uma quantidade enorme de pequenos anunciantes (a “long tail”) agora tem mais uma forma de publicidade nos Links e Contextos Patrocinados, inovação no modelo de negócios de mídia trazida pela Internet. Basicamente, os anunciantes “compram” palavras ou dão um lance por clique. Um site qualquer pode permitir que o seu conteúdo seja varrido por uma ferramenta que assinala as palavras compradas, as quais se tornam links que, uma vez clicados, abrem um pop-up do anunciante ou encaminham para o seu site. Alternativamente, um site de busca ou conteúdo pode apresentar janelas de publicidade em que a ordem de aparecimento depende de um ranking estabelecido pelo número de cliques recebido multiplicado pelo valor do clique daquele anunciante.&lt;br /&gt; A Internet, portanto é o mercado convergente por excelência. O processo de convergência é fluído, as cartas não estão dadas e o jogo não está jogado. A vantagem do ganhador de hoje não lhe assegura a vitória amanhã. Múltiplas tecnologias, múltiplos modelos de negócio, múltiplas culturas e múltiplos valores. Dentro dessa multiplicidade, a clareza de alternativas se anuvia. Espero ter contribuído para esclarecer o panorama, mas tudo pode mudar amanhã. O bom é que a escolha cabe a cada um, e os riscos também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-2918366792600698933?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/2918366792600698933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=2918366792600698933' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/2918366792600698933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/2918366792600698933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/11/convergncia-de-modelos-de-negcio.html' title='Convergência de Modelos de Negócio'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-4220157804646827107</id><published>2007-11-17T18:21:00.000-08:00</published><updated>2007-11-17T18:22:33.258-08:00</updated><title type='text'>Muito é Demais ou Dois Segredos</title><content type='html'>O que é demais é muito e o que é pouco falta. Haverá algo que escape a essa lei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a dor, a maldade e a desgraça pudessem sumir sem deixar saudade. Será? “Desgraça pouca é bobagem”, obviamente, é uma blague para reforçar o ânimo. Mas a vida no Éden seria mesmo tão boa? Adão e Eva eram felizes ou idiotas? A felicidade do desfrute do bem abundante ensina alguma coisa? Ou a tragédia humana é exatamente a sua grandeza: constatar que o mal e a dor são inevitáveis, e persistir. Mas não é exatamente porque o bem e o prazer são raros, que escolher um e desfrutar o outro é sublime? A eterna (porque seu fim é impossível) busca do melhor em nós – não é a essência do crescimento e da sabedoria? Por que o fim é impossível? Porque há que reconhecer que o acaso não nos prefere a nada, que Deus, se existe, é indiferente. Porque há que reconhecer que a fonte de toda maldade é esse amor próprio, essa preferência pelo próximo em detrimento do distante, essa luta pela sobrevivência da vida que é a nossa própria essência, e que nos leva a persistir nela. Há que reconhecer que o mal está em nós. Há que reconhecer, enfim, que toda essa luta é vã, porque o fim certo é a morte. Se o fim é impossível, a busca é um fim em si. Reconhecer isso talvez possa nos reconciliar com a dor, a maldade e a desgraça, e aceitá-las como adversárias necessárias. Se a luta é um fim em si, há que agradecer ao inimigo que a possibilita. Busca eterna, luta eterna, eterna tragédia de Sísifo e Atlas. Trata-se de trilhar o caminho mais do que chegar ao destino. De mirar bem, mais do que acertar o alvo. De buscar o equilíbrio e o balanço mais do que a perfeição. Porque perfeição é demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a confiança? Não seria um caso em que o excesso nunca é demais? Confiança: além da esperança e aquém da certeza. Uma potência entre duas impotências. A esperança não age porque espera – é um confiar no além. A certeza não leva à ação, apenas ao movimento e à contemplação. O que resulta da certeza é efeito, não causa – reação de um objeto e não ação de um sujeito. A confiança é que nos leva a agir apesar do risco (aliás, só há confiança se há risco, senão já seria certeza) e a mudar o curso natural das causas e dos efeitos, alterando as probabilidades a nosso favor. Como confiar na sorte, sabendo que a dor é certa? Como confiar no outro sabendo que o mal existe? Entramos no avião confiantes. Ligamos o computador confiantes. Confiança ou esperança? Quantos milhões de promessas precisam ser cumpridas e quantos acidentes precisam não acontecer para que o avião e a Internet funcionem? O tal de Segredo parece ser esse: o que nos acontece depende de nossa atitude interior, que podemos aprender a controlar conscientemente. Basta confiar em si, no cosmos e nos outros que tudo conspira a favor. Ora, isso é a ingenuidade estóica do Logos, que o pensamento moderno desmascarou. A sabedoria dos antigos, embora sábia, era ingênua. Por trás desse pcicologismo entusiamante está uma confiança no poder da consciência que beira a esperança. Confiança em excesso é esperança, é fé, é um pensamento mágico, uma crença acima de toda evidência: loucura, em suma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há salvação. Não há felicidade plena. Esse é o outro segredo. O mais bem guardado, pois ninguém ousa confessar. Até porque não queremos que nossos filhos saibam, pois, apesar de toda evidência, desejamos para eles a felicidade completa. Não há porque desistir de tentar, mesmo sabendo disso. Confiança é exatamente o que nos livra do niilismo cético e da inação diante da dor de saber. Melhor esquecer? Não há porque esconder isso da consciência para confiar. Aliás, a certeza da salvação não é confiança, é fé – a crença contra a evidência. É a desconfiança (a confiança pelo avesso) que nos salva dessa loucura. Então confiança nunca pode ser demais, senão vira esperança. E nunca pode ser de menos, senão vira certeza contemplativa. Não há salvação senão buscar o equilíbrio, sempre instável, sempre tênue, sempre difícil, porque impossível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-4220157804646827107?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/4220157804646827107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=4220157804646827107' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/4220157804646827107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/4220157804646827107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/11/muito-demais-ou-dois-segredos.html' title='Muito é Demais ou Dois Segredos'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-5303492906551577948</id><published>2007-10-19T18:55:00.000-07:00</published><updated>2007-10-19T19:26:21.885-07:00</updated><title type='text'>Imanência</title><content type='html'>Eis um conceito difícil de entender. Então, vou começar complicando. Luc Ferry defende a transcendência na imanência.  Paradoxo, pois, num sentido, imanência é o oposto da transcendência. Transcendente é o que vai além, sai de si, busca fora o princípio e a essência. Imanente é o que fica em si e tem em si o princípio e a essência. Esta a minha explicação. Mas vamos ao dicionário: imanente é o que está compreendido na essência do todo. Por essa definição, imanência seria a idéia de fazer parte do todo, mas compreender em si o todo. Outro paradoxo. A parte está no todo e contém o todo em si - o conteúdo abarca o continente, embora a distinção fora/dentro não faça sentido desde uma perspectiva imanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De qualquer forma, a doutrina teológica do imanentismo  nega a existência de influências transcendentais sobre o mundo (não sobre o homem).&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A enciclopédia ensina que imanente é um termo usado em contradistinção a transcendente (in-manere: permanecer em si, ficar ou lidar dentro de si). Imanente refere-se ao fato ou condição de estar completamente compreendido dentro de algo. O uso mais importante do termo é teológico, na doutrina estóica de Deus como sendo a Natureza, existindo no e através do mundo criado, onde criador e criatura se confundem. Neste sentido, o imanentismo se opõe ao teísmo, que concebe Deus como um criador separado e acima do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filosofia transcendental petende basear-se apenas na razão pura, desprezando a observação e a análise de fatos objetivos dados pelos sentidos. O idealismo platônico é um transcendentalismo, afirmando a realidade última das idéias puras e considerando o mundo material apenas como aparência ou simulacro, uma instãncia inferior e derivada das essências que estão no mundo das idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o acesso às idéias puras só pode se dar através de um olhar para dentro, que silencie os sentidos e busque apenas a intuição. Subjetivismo radical. Voltamos então à expressão de Ferry: a transcedência original (o idealismo platônico) só é possível através de um mergulho radical no eu. Em mim o mundo e, mais além do mundo o todo, a esfera das idéias fixas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-5303492906551577948?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/5303492906551577948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=5303492906551577948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5303492906551577948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5303492906551577948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/10/imanncia.html' title='Imanência'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-6882969295862729531</id><published>2007-09-08T09:07:00.000-07:00</published><updated>2007-09-08T09:11:20.153-07:00</updated><title type='text'>Olhar e Ver</title><content type='html'>A criança olha, o adulto vê. Ver é reconhecer, olhar é captar. Há algo mais atento do que o olhar de uma criança de colo? Atenção pura, percepção pura, puro presente, presença total. "Ao lado disso, o restante da nossa vida nos parecerá coisa de segunda mão ou emprestada, como algo um tanto sem viço, usado, desgastado", diz André comte-Sponville. Felizes dos que mantêm essa capacidade infantil do olhar atento que se surpreende com o mundo. Pobres dos que aprendem a ver, a selecionar o que faz sentido, o que se enquadra no conhecido, e a descartar o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a criança, basta inclinar a cabeça e tudo muda. Porque muda o todo. Encantamento, mágica, fruição da percepção: o novo, o diferente, acolhidos com um sorriso. A criança olha o todo. O detalhe que muda, efetua a mudança do todo. O adulto analisa: uma parte mudou, o resto não. Sabedoria? Ou ignorância dos efeitos holísticos? Olho e não vejo. Está lá mas não reconheço. Porque minha atenção se volta toda para aquilo que, no olhar, reconheço. O brilho do que vejo ofusca o resto e me cega. Aprender a ver, desaprender a olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amadurecer. Afirmar. Não ver, por rejeitar. Olhar que não quer ver. Olhar estúpido. Estúpido porque não é amoroso, gentil, acolhedor. Porque é seletivo, porque rejeita. Olhar militante. Olhar que nega, nega reconhecimento, nega acolhida. Olhar duro, olhar arguto, olhar de rapina: fixo no objetivo. Rejeita tudo o mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envelhecer. Olhar sem ver. Olhar estúpido. Não é que nada reconheça, mas sim que nada o surpreende. Tédio que supõe conhecer tudo ou que não quer conhecer mais nada. Cansaço da surpresa. Enfado de quem não quer mais nada de novo. Enfaro, rejeição do aprendizado, vontade de ignorar tudo. Desejo do nada. Vontade de morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-6882969295862729531?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/6882969295862729531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=6882969295862729531' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/6882969295862729531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/6882969295862729531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/09/olhar-e-ver.html' title='Olhar e Ver'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-4798526711603445451</id><published>2007-09-08T08:37:00.000-07:00</published><updated>2007-09-08T09:07:27.380-07:00</updated><title type='text'>Luto</title><content type='html'>Trabalho de luto. Trabalho requer esforço. Esforço para gerar um resultado. Um resultado que tenha valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luto é trabalho. O luto requer esforço. Esforço da resignação à vida, esforço para não desistir, para resistir à morte, à tentação da morte. Esforço para voltar a escolher a alegria, para afirmar o direito à felicidade. Requer esforço, pois se sonda o abismo: a gravidade - força gravitacional, não sisudez - da morte, do nada. O luto é uma subida, uma volta ao plano e ao pleno, depois do escorregão no nada, no vazio. Vazio de sentido, vazio de sentimento, que muitos preferem à dor da perda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luto é trabalho. O luto tem um objetivo, visa um resultado. Qual? A volta. A capacidade de voltar a sorrir, mesmo sem inocência, apesar de conhecer a dor e o horror, apesar de saber. Esta é a força maior: resistir à força maior do destino. Nosso destino é a morte. Por isso é preciso escolher a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luto é trabalho. Trabalho da perda. Aprendizado da perda. Aprendizado da morte. Aprender a morrer é aprender a viver. Sem medo da própria morte, ensinava Epicuro, pois esse medo não tem sentido. Nossa morte não nos alcança: quando ela advém, já não somos nem sentimos. O sentido do medo, sua utilidade? Evitar a dor. Medo: dor subjetiva e preventiva para evitar a dor real. Não há sentido no medo de uma dor que não será sentida, que não pode ser dor presente. Medo sem sentido, da morte inevitável, inunda a expectativa. Consciência da morte, convicção do medo, pecado original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu não sofrerei na minha morte, porque sofrer por ela antes? Porque a morte nos alcança antes pela perda. Dos pais, da juventude, da saúde, da potência, da inocência, da vitalidade. Perdas naturais, esperadas, adiadas, inexoráveis. Ou perdas inauditas: a perda de um filho, a perda de um órgão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a perda do tempo! Esta morte (ou vida?) a conta-gotas, que os inconscientes não percebem ser um rio. Cada dia a mais, cada minuto a mais, é um dia a menos, um minuto a menos. Cada dia ganho de experiência é um dia a menos de vivência e um dia a menos de expectativa. Um ganho (a experiência) para duas perdas (do desfrute e do sonho). O valor do que se perde se transmite ao que se ganha, se se escolhe com consciência. Aceitar esse fato, compreendê-lo e acalentar-se com ele é o que se chama de sabedoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luto bom, luto mau. De qualquer forma, por qualquer perda, o luto requer uma parada e recolhimento. Uma quebra na continuidade inconsciente da vida agitada, do movimento sem sentido. Tempo de reflexão: afinal qual o sentido? Tempo de acalanto - desespero consciente: desistir da esperança e da ilusão - luto bem feito. Não se trata de esquecer. Esquecimento sedativo. Sedar-se, matar-se um pouco, anular um pedaço de si. Ou tempo de catarse e esquecimento - desespero inconsciente: revolta contra a desilusão, volta a uma ilusão forçada, falsidade, loucura - luto mal feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do luto bem feito, a volta. A volta ao caminho. Qual o sentido? O sentido não está no fim. Pois o fim, certamente, é a morte. O sentido da vida não está no destino, mas em percorrer o caminho. Da melhor forma possível. Se não há o bem, se não há um sentido dado, é preciso criá-los ou escolhê-los a cada passo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-4798526711603445451?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/4798526711603445451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=4798526711603445451' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/4798526711603445451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/4798526711603445451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/09/luto.html' title='Luto'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-5508103781807558772</id><published>2007-09-05T17:37:00.000-07:00</published><updated>2007-09-05T17:40:07.222-07:00</updated><title type='text'>Prazeres e dores do parto da consciência</title><content type='html'>Emoção, "e-motio": mover para fora. A raiz latina denota o fim. No fim da emoção, a ação. Na origem de toda ação, uma emoção. No fim, ou no princípio, agimos por emoção. Animais racionais? Não. Animais apenas, e, como tal, emocionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raiz da palavra denota o seu fim, eu dizia, mas omite o seu início, afirmo. O primeiro movimento é interno. É um mover para dentro, ou por dentro. E ocorre no cérebro mais animal, no sistema límbico. Cérebro: caldeirão mágico da criação de mundos ou simples panela de pressão de hormônios? Idéias e ações, o que há de mais humano ou divino no homem, para um materialista não passa de agitação hormonal, aquecimento da sopa de hormônios a excitar células. A emoção prepara a ação. A ação humana e toda a ética, no final, resultam da adrenalina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A emoção é o próprio "prazer em movimento" cirenaico. Sem emoção, não há solução. Porque, simplesmente, sem emoção não há problema a exigi-la. Sem emoção não há problema nem solução, não há dor nem prazer, não há falta nem plenitude. Desejo é falta, dizia Platão. Para suprir esta carência imensa criamos mundos, compusemos sinfonias e odes, desenvolvemos matemáticas e linguagens, fizemos guerras e construímos armas, destruímos a Terra e a reconstruímos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prazer sim, mas "em repouso", contestaria Epicuro. Prazer estável, ausência de dor: "ataraxia". Sem, inclusive, a dor do desejo: carência, ardência, esse prazer "em movimento" que produz no homem idéias (objetos de desejo) e o move no seu sentido. Ausência de dor: literalmente, indolência. Indolente, no dicionário: inativo. Epicuro que me perdoe, e com ele Buda e os estóicos, mas essa sabedoria de enterrar-se no presente e bastar-se é o que chamo de "sabedoria de abóbora": niilismo. Como se esforço significasse dor, ou melhor, como se dor fosse sinônimo de mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o prazer em movimento sempre se acompanha da dor. O prazer em repouso, que seria plenitude, é a plenitude do vazio, do nada: nada desejar ou esperar do futuro, nada lamentar ou recordar do passado e, nem mesmo, apegar-se ao presente fugidio. Desfrutar sem apego? Não! Desfrutar com moderação, "sofrosyne". Virtude do meio termo entre vício do excesso (sofreguidão) e o vício da falta (insensibilidade). Há que cuidar o equilíbrio. Que se perde quando buscado. Em materia de equilíbrio, se todo cuidado é pouco, muito cuidado é demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo de desfrutar que surge como dor, sentimento de falta. Falta que engendra a ideação de um objeto que preencha esse vazio. Fruição (ou dor) antecipada e virtual da idéia: esperança ou medo, mas sempre fantasia. Desejo de prazer sempre acompanhado de seu fantasma: o medo da dor. Duplos necessários, basta evocar um para que surja o outro. Qual o nome desta dupla fantasmagoria? Eu vos digo ou vos desvelo: seu nome é emoção. Emoção criada pelo próprio sujeito, no processo de ideação. Criação do intelecto pelo intelecto, E, na origem, a emoção. Em movimento, sempre. Prazer e dor, dois nomes para a emoção. Necessariamente complementares. Eros cria Tanatos, Tanatos engendra Eros. Gêmeos univitelinos cujo parto dá luz a um filho com vários nomes: intelecto, consciência, alma, razão. Ao longo do processo a fusão dos opostos confunde, a escolha do sentimento se impõe, a complementariedade se perde e a emoção se elabora num significado. Gêmeos fratricidas. só a um é dada a luz da consciência. O outro fica lá, espectro fetal de uma idéia abocanhada pelo irmão. Inconsciente: casa assombrada dos gêmeos natimortos. Consciência: palco iluminado de idéias mutiladas, órfãs de suas irmãs cuja existência teimam em desconhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo então, afirmo, começa com a energia propiciada pelo estresse. (E há quem não goste dele!) A questão é: como dirigi-la, ou canalizá-la. Isso requer compreensão e método. Resposta natural com uma causa ou criação original de uma vontade? Causa de si mesma, autonomia, ou efeito inexorável do acaso ou da intenção alheia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-5508103781807558772?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/5508103781807558772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=5508103781807558772' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5508103781807558772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5508103781807558772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/09/prazeres-e-dores-do-parto-da-conscincia.html' title='Prazeres e dores do parto da consciência'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-889370793855685846</id><published>2007-08-24T05:03:00.000-07:00</published><updated>2007-08-24T05:09:11.131-07:00</updated><title type='text'>Viajantes *</title><content type='html'>Há vários tipos de viajantes. Tem o “viajante perfeito” que viaja pelo mundo sem sair do lugar. Não que fique no mesmo lugar. Viaja mesmo, desloca-se. Mais que isso: descola-se. Onde quer que esteja, lá é o seu lugar. Vai, mas principalmente, está. E à vontade. Está enquanto fica e fica completamente enquanto está. E depois segue para outro lugar. Sempre seu, mas sempre diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o ”viajante caracol” viaja sem sair de casa. Não que fique em casa. Esse também vai. Vai e fica. Mas não fica “no” lugar. Transmuda o lugar para a casa que leva consigo, feito tartaruga ou caracol. É como se, em qualquer lugar, estivesse sempre na sua casa, na mesma casa. E depois segue em busca de outro lugar. Sempre seu e sempre igual à sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem também o “viajante telúrico”, arraigado à terra, à casa. Este, se viaja, volta. E correndo. Viaja por obrigação ou por necessidade. Pois não consegue levar a casa como o caracol. Viajante desterrado, nenhum lugar é seu, nenhum igual à sua casa.&lt;br /&gt; E tem aquele “ficante universal” que nunca sai de casa mas viaja o tempo todo. Mesmo sem possibilidade de viajar pelo mundo, viaja “na casinha”, na cabeça. Esse é o tipo que mais viaja na Internet. Está em todos os lugares ao mesmo tempo: onipresente virtual, turista instantâneo – sua casa é o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Este texto foi publicado originalmente no Baguete (&lt;a href="http://www.baguete.com.br/"&gt;www.baguete.com.br&lt;/a&gt;) e faz parte do meu livro "O Entregador de Sonhos". Reproduzo-o aqui por solicitação da minha querida amiga, colega e consultora: Sylvia Lemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-889370793855685846?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/889370793855685846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=889370793855685846' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/889370793855685846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/889370793855685846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/08/viajantes.html' title='Viajantes *'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-1504871097960037888</id><published>2007-07-29T17:06:00.001-07:00</published><updated>2007-07-29T17:06:44.406-07:00</updated><title type='text'>Mágica</title><content type='html'>Atenção, surpresa, perplexidade, deslumbramento: quatro momentos da mágica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mágico é o inesperado, a ruptura com o previsível, a quebra da monotonia. A rotina está ali, na seqüência indiferente dos dias quando, de repente, um ato ou um fato, por vontade ou acaso, desperta a atenção. Não é mágica ainda. É necessária a surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para surpreender, a mágica deve surgir de repente, pois, se é buscada, torna-se ilusão ou fuga. Parece um paradoxo, que uma atenção voluntária possa surpreender. É porque se trata da vontade mágica: aquela que surge sem esforço e sem comando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí vem a perplexidade. No fundo da mágica há sempre um elemento paradoxal: estranheza, contradição, conflito, quebra, separação; no mínimo, dificuldade de entendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então vem o momento crucial. Após a perplexidade, se não há realidade, sobrevém o desapontamento, ou a desilusão, talvez o sofrimento. Retorno doloroso à realidade, ou fuga definitiva para a loucura, o pensamento mágico, criando um mundo irreal. Em busca da mágica, a mágica se desfaz e nunca chega ao deslumbramento, à iluminação. Fica na esperança, a loucura dos sãos; ou na loucura, a esperança dos loucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira mágica vai além da ilusão: a perplexidade revela uma nova harmonia, cede lugar ao deslumbramento. Ocorre uma reconciliação com o real, mas num plano maior, numa nova compreensão. Iluminação, crescimento, transcendência, êxtase, entusiasmo – mágica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo a verdadeira mágica tem seu fim. O estranho torna-se familiar, o novo torna-se conhecido. Na harmonia da síntese dialética a contradição some e o conflito se desfaz. Não há mais dificuldade no domínio da nova compreensão, assimilada em nova rotina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até um outro momento mágico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-1504871097960037888?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/1504871097960037888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=1504871097960037888' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/1504871097960037888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/1504871097960037888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/07/mgica.html' title='Mágica'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-7792815974539222282</id><published>2007-07-23T17:47:00.000-07:00</published><updated>2007-07-23T17:49:10.642-07:00</updated><title type='text'>Vegetais, animais e o que mais?</title><content type='html'>O que temos em comum com a abóbora? Somos seres vivos. A abóbora nasce, cresce, amadure, apodrece e morre. Nós também. A sabedoria da abóbora é nada desejar, nada esperar, nada lamentar. Desapego, budismo, niilismo. Afundada sempre no presente, eterno enquanto dura. Aboboremo-nos pois: vivamos no presente, aqui e agora, afundados na rotina da sucessão dos dias enquanto tivermos fôlego. Afinal, do ponto de vista da eternidade, nada importa mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que temos em comum com o cachorro? Somos animais, apesar da falta do rabo. Além de viver, movemo-nos e sentimos. Fugimos da dor, buscamos o prazer, e no processo, expressamos e provocamos sentimentos. Embora nos falte o rabo para abanar ou abaixar, podemos latir, rosnar e ganir. Os sentimentos nos movem e dão sentido. Ora prá lá, ora prá cá, ao sabor das paixões, o que importa é agir. Ou reagir? Movemo-nos ou somos tangidos uns pelos outros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que somos diferentes? Falamos. Além de expressar sentimentos, produzimos palavras, conceitos que se agregam em discursos, que se comunicam, e que também fazem a nossa cabeça. Sentimentos geram idéias, que produzem sentimentos, que fazem pensar e sentir, e assim vai. Além da genética, somos produtos e veículos da memética, a propagação evolutiva e seletiva dos "memes" de Dawkins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente abóbora, gente cachorra, gente gente. A gente sempre pode se aboborar ou acachorrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-7792815974539222282?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/7792815974539222282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=7792815974539222282' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/7792815974539222282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/7792815974539222282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/07/vegetais-animais-e-o-que-mais.html' title='Vegetais, animais e o que mais?'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-2061172000985945971</id><published>2007-07-16T06:54:00.000-07:00</published><updated>2007-07-16T06:57:55.464-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dúvida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='probabilidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pirro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='determinismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carnéades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='informação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='incerteza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prigogine'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ignorância sistemática'/><title type='text'>Ignorância e Incerteza</title><content type='html'>Ignorância e incerteza são sinônimos?&lt;br /&gt;Desde sempre a inquirição sobre os limites do conhecimento, a epistemologia, é um tema predileto da filosofia. Parmênides e Platão negaram o valor cognitivo dos sentidos e afirmaram a verdade maior das idéias inatas. Os sofistas, ao contrário, defendiam o relativismo moral, afirmando que o conhecimento é sempre sensitivo e subjetivo. Afora o interregno cético e a dúvida dogmática de Pirro, que negava qualquer possibilidade de conhecimento da verdade, e recomendava a suspensão do juízo como máxima sabedoria, a dúvida foi sempre evitada. A mente, sede do espírito ou da alma, cujo conteúdo é o mundo subjetivo, foi resguardada pela aura de mistério no campo do divino inescrutável à razão, mas aberto à fé pela via da graça, enquanto o mundo objetivo, incluindo o corpo humano, ficou no campo da ciência, aberto à descoberta racional de suas leis. Esta dualidade cômoda foi atacada no século XIX pelo positivismo, resultando no surgimento das ciências humanas. O determinismo avançou, escorado no materialismo, como se fossem pensamentos gêmeos.&lt;br /&gt;O maior orgulho do homem ocidental (mais do que a arte e muito além da moral) é a ciência. A cadeia das causas e efeitos, a harmonia matemática da natureza e as leis que os regem parecem ser segredos abertos à razão e suas infinitas possibilidades de conhecimento. O desenvolvimento tecnológico, a dominação das forças naturais a serviço do homem e a criação de um mundo artificial são provas reais das possibilidades aparentemente incomensuráveis do conhecimento científico, que se confirma nas suas previsões e realizações reforçando o orgulho das certezas, transformando-as em convicção. Certeza de conhecimento, convicção de poder: reforço e confirmação mútuos, que se recriam e reafirmam sucessivamente. A confiança no poder da ciência confunde-se com a convicção da certeza na determinação dos eventos. Incerteza torna-se sinônimo de ignorância. Para o homem medianamente esclarecido, a ciência se transmuda em fé no progresso humano, fé que não admite o pecado da dúvida.&lt;br /&gt;A escrita, a fotografia, e outras formas de registro parecem transformar o passado em presença objetiva, enquanto a arquelogia e a história o tomam como objeto de estudo científico objetivo. Ao mesmo tempo, as ciências físicas parecem dotar o futuro da mesma categoria de certeza objetiva pelo determinismo de suas leis.&lt;br /&gt;Se o orgulho das ciências físicas e da tecnologia é uma das características distintivas da cultura ocidental, sua outra marca é o entendimento da ética como uma espécie de ciência moral, dentro da tradição socrática e estóica. A ética, filosofia da ação, ciência da decisão, da escolha de acordo com valores objetivos, em harmonia com a Natureza e o destino natural das coisas.&lt;br /&gt;Epicuro já apontava o paradoxo: há liberdade de escolha e responsabilidade se a resposta já está dada de antemão? "Quanto ao destino, que alguns consideram o senhor de tudo, o sábio ri-se dele. De fato, mais vale aceitar o mito dos deuses do que se sujeitar ao destino dos físicos. Pois o mito nos deixa a esperança de nos conciliarmos com os deuses, ao passo que o destino tem um caráter de necessidade inexorável".[1] Prigogine, daonde retirei a citação remarca: "embora os físicos de que fala Epicuro sejam os filósofos estóicos, esta citação soa de maneira espantosamente moderna!"[2]&lt;br /&gt;Até na matemática probabilística, o determinismo impera. Incerteza se define como ignorância, o inverso da informação. De fato, Shannon define informação como o inverso da entropia. "A entropia pode ser considerada uma medida da ignorância. Quando sabemos que um sistema  está num dado macroestado, a entropia do sistema mede o grau de ignorância acerca do seu microestado, contando os bits de informação que seriam necessários para especificá-lo considerando todos os microestados possíveis como equiprováveis".[3] Mesmo depois da relatividade e da física quântica, o universo científico permaneceu determinista. "Por um lado, há a equação de Schrödinger, que descreve de maneira perfeitamente determinista como a função de onda de qualquer sistema evolui no tempo. E depois, de maneira perfeitamente independente, há um conjunto de princípios que nos dizem como usar a função de onda para calcular as probabilidade dos diferentes resultados possíveis produzidos a partir de nossas medições"[4]&lt;br /&gt;O uso de uma equação probabilística reflete ignorância sobre as condições iniciais ou, ao contrário, a incerteza é um elemento constituinte da realidade, e a ignorância maior é a de quem pretende (tanto no sentido de querer quanto no de fingir) ter certeza?&lt;br /&gt;O que está na base do novo paradigma científico da teoria do caos, que muitos ainda não entenderam, é exatamente isso: as leis da natureza não mais se assentam em certezas, mas sobre possibilidades, no sentido de um futuro aberto à evolução. A incerteza que está na base da probabilidade não é ignorância, mas sim a própria essência do futuro.&lt;br /&gt;O interessante é que cerca de 200 AC, os fundadores da Segunda e da Nova Academia, criada por Platão séculos antes, numa reinterpretação dos muitos aspectos dos ensinamentos Socráticos, se imbuíram de argumentos céticos, negando a certeza e adotando uma visão probabilística para a condução da vida. Nada sobrou dos escritos de Arcesilau (315-241AC), mas Sextus Empiricus relata seus ensinamentos de uma filosofia das probabilidades. Carnéades (214-129AC) é um pouco menos desconhecido e fundava sua filosofia sobre três princípios: 1) nem os sentidos nem a razão podem fornecer certeza alguma; 2) a incerteza essencial do futuro; 3) a justiça é apenas uma instituição humana. Infelizmente, seus discipulos sentiram-se paralisados pela dúvida e degeneraram numa escola de filosofia "para oradores", buscando a eloqüência e o poder, como uma arte, mais do que a verdade, como ciência.&lt;br /&gt;Este é o problema maior da incerteza: para enfrentá-la é preciso coragem e confiança. A dúvida é insuportável para os fracos de caráter. Estes preferem o conforto do mito, ou a ignorância sistemática como método. O método da ignorância sistemática, o não querer nem saber, no fim das contas, se aproxima muito do niilismo budista, e paradoxalmente, junta na mesma atitude o hedonista e o estóico. A ignorância sistemática é o que eu chamo de solução da abóbora: afundar-se na rotina e no presente, justificando que pensar não leva a nada e nada importa a não ser o presente, já que o futuro é incerto. A diferença entre o hedonista e o estóico é que um escolhe (ou colhe, no dizer de Horácio) o prazer e outro escolhe aquilo que considera ser o destino inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Epicuro. Doctrines et Maximes. Trad. francesa de M. Solovine. Paris: Hermann, 1938. p.80.[2] Prigogine, Ilya. O Fim das Certezas. Trad. Roberto Leal Teixeira. São Paulo: Editora da UNESP, 1996. p.18.[3] Gell-Mann, M. The quark and the Jaguar. London: Little Brown &amp;amp; co., 1994. p. 220.[4] Weinberg, S. in Scientific American, v.271, n.4, p.44, outubro 1994.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-2061172000985945971?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/2061172000985945971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=2061172000985945971' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/2061172000985945971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/2061172000985945971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/07/ignorncia-e-incerteza.html' title='Ignorância e Incerteza'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-5920524848390411585</id><published>2007-07-14T14:33:00.000-07:00</published><updated>2011-10-14T18:31:30.818-07:00</updated><title type='text'>Prigogine, Ilya - "O fim das incertezas"</title><content type='html'>&lt;div&gt;Tenho de agradecer muito ao Jacó, que assistiu meu curso de Planejamento do Tempo esta semana e me indicou Ilya Prigogine, prêmio Nobel de química de 1977 e excelente escritor.  Comprei dois livros esta semana e estou devorando o primeiro.  Novas luzes sobre filosofia da ciência e os limites da epistemologia e da ética, tudo entremeado por uma profunda intriga com a questão do tempo e da evolução.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Resolvi então unir o útil ao mais útil e, ao passo que leio, fazer uma resenha, apondo meus comentários no blog. Se isso não ajudar ninguém, pelo menos agradará à Bebel, que se irrita com meus livros sublinhados e rabiscados. Sublinhar e comentar me ajuda a compreender e reter. Fazê-lo no blog, será mais demorado, mas pode ajudar outros a compreender e até a corrigir minha leitura, mesmo enquanto ela é feita.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/1977/prigogine-autobio.html#52"&gt;Prigogine&lt;/a&gt; (1917-2003) escreveu vários livros. Este "O fim das certezas" é de 1996. Seu tema: o desenvolvimento da física de não-equilíbrio e dos sistemas dinâmicos instáveis, associado à evolução na teoria do caos, força uma revisão do conceito de tempo, formulada por Galileu e Newton, e que, segundo ele, a teoria quântica manteve.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nas suas palavras ele&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-5920524848390411585?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/5920524848390411585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5920524848390411585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5920524848390411585'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-6354084946538758531</id><published>2007-06-05T12:08:00.000-07:00</published><updated>2007-06-05T12:25:43.491-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='moral'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ética'/><title type='text'>Moral ou Sobrevivência?</title><content type='html'>Vivemos o paradoxo de duas perspectivas (local e universal) e entre verdades opostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista local e particular, a Lei da Selva é a verdade: "o mais forte (ou rápido) come o mais fraco (ou lento)". Ao seu lado, a Lei de Gerson se impõe: "eu antes". Na perspectiva individual, o egoísmo é um dado do real. Se não do animal, do gene. Quando se radicaliza na vertente de Darwin, o egoísmo se torna moral: utilitarismo. O gene que não pensa e opera segundo as leis da natureza produz moralidade e racionalidade no homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leis da natureza? A perspectiva universal, o ponto de vista da eternidade (porque a realidade é eterna), inverte a verdade individual. Aqui impera a Lei Áurea - "não faz ao outro o que não queres que te façam" - e seu corolário, a Lei da Colheita: "colhes o que semeias". Quando o homem começa a plantar e pastorear começa a moral. Talvez por medo de outro mais forte, o forte não abate o fraco. Medo: moral de rebanho. Se se aprende a moral por medo e acata-se a lei por submissão ou prudência, pode-se depois compreendê-la através do conhecimento e adotá-la por opção. Aí, a moral do rebanho se torna uma ética indivídual e racional. Aí, a Lei Áurea encontra sua versão positiva: "faz ao outro o que queres que te façam". Uma ética de ação, e não uma moral de repressão. Chega-se ao ensinamento de Cristo: "ama ao outro como a ti mesmo". E, acrescente-se, não fica na intenção, demonstra esse amor por atos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na perspectiva da eternidade, também se inverte a métrica da valorização egoísta e imediatista. O eu, o aqui e o agora deixam de imperar. Na calma da apreciação, adquire-se a capacidade da transcendência: o todo vale mais do que a parte. Se é bom para mim e não é bom para a minha família, não é bom para mim. Se é bom para a minha família e não é bom para o meu povo, não é bom para a minha família. Se é bom para o meu povo e não é bom para a humanidade, não é bom para o meu povo. Chega-se à perspectiva ecológica: se é bom para a humanidade e não é bom para o planeta (Gaia?), não é bom para a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem pode viver acima das nuvens? Quem tem calma para avaliar? O presente, cada vez mais instante, nos chama e nos prende na circunstância imediata. É nesta circunstância presente e local que se vive. Com urgência, mais do que calma, espicaçados por um sem número de demandas e oportunidade, encontros e desencontros. Neste mundo sem tempo para pensar, a lógica é local, a lei é a da selva e o valor maior é o eu. Será que o gene egoísta conseguirá sobreviver? Não percamos a esperança: depois que as idéias e o idealismo perderam a força, os baluartes da moral são defendidos pelos genes, e o utilitarismo resiste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-6354084946538758531?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/6354084946538758531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=6354084946538758531' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/6354084946538758531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/6354084946538758531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/06/moral-ou-sobrevivncia.html' title='Moral ou Sobrevivência?'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-2568581287565938695</id><published>2007-06-03T18:37:00.000-07:00</published><updated>2007-06-03T18:47:59.156-07:00</updated><title type='text'>Dinheiro, Poder e Amor</title><content type='html'>Dinheiro todo mundo sabe o que é, mas o que significa? Meio de troca, reserva de valor, unidade de contabilização. Vários e distintos conceitos, todos aplicáveis, nem sempre inteligíveis. Um amigo diz que o valor da pessoa é dado pelo seu saldo bancário. Respondo que isso só seria verdade se todas as trocas fossem justas e imediatas e que via pelo menos dois tipos de trocas injustas: a violência e o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violência: o forte impõe, e o fraco aceita (ou até propõe, por fraqueza) o desrespeito ao seu interesse. Nietzsche diria que isso dá exatamente a medida do valor ético (diferente do valor moral) de cada um. O fraco pode ser moral (por medo) mas não ético (por consciência do seu valor). Quem não vê valor em si mesmo, não se reconhece como árbitro legítimo dos seus valores e os buscará na opinião dos outros - os fortes, que se reconhecem como e se constituem em fonte de valor. Para Nietzsche o amor-próprio é a fonte de todo valor - e de toda força, o que para ele é a mesma coisa. Idealizado ou cínico, o poder se impõe pela força e se justifica pela sua eficácia, política boa é a que triunfa. O cinismo político de Maquiavel diz tudo: os fins justificam os meios, e o fim é a vitória. A moral da política não é a moral da virtude. A moral da política é a vitória. Injustiça pois, que seja: o ganho de um e a perda de outro é a própria afirmação do poder quando se constitui em valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o amor? Como pode ser injusto se é absolutamente voluntário? Ora, o termo voluntário é empregado em dois sentidos. Num, designa o próprio agir (por oposição ao reagir): a escolha livre, consciente e responsável de um ato. No outro, vai mais além para designar a ação livre, consciente e responsável, sim, mas desinteressada ademais. Neste segundo sentido só é voluntária a ação que não visa o interesse próprio e o benefício imediato ou individual. O trabalho voluntário não pode ser remunerado. Dar sem esperar retribuição: injustiça, pois. Nada mais voluntário neste sentido do que o amor. Amor digo, não desejo. Nietzsche diria que só uma alma forte é capaz de um amor assim, totalmente independente e desinteressado. Poder-se-ia objetar, e com razão, que tal ato amoroso não é desprovido de interesse, que os interesses (valores) que o movem são de uma ordem maior, mas ainda individuais, têm sua fonte no próprio indivíduo (forte) que age e não no objeto. Amor digo de novo, não altruísmo. Só um eu forte para se libertar do peso do "caro eu", aquela fonte de engano das ilusões de ótica que privilegiam o aqui, o agora e o eu (narcísico), e simplesmente amar. Amor, a virtude mor, ou a essência de todas elas: o sentimento é tudo, a intenção basta, a conquista não é o objetivo. O poder é forte e conquista o que deseja, o que lhe falta. A virtude é boa e o amor é pleno, nada pede, nada quer, nada lhe falta. Em ética, virtude é tudo, poder não é nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas injustiças então, dizia eu: violência e amor. O desrespeito ao interesse do outro e o desrespeito ao interesse próprio (no sentido imediato). Nas trocas entre o poder violento e a virtude amorosa, o saldo pende para o primeiro. O saldo bancário, bem entendido. Talvez, para Nietzsche e Ayn Rand, para quem poder e valor se igualam e que vêm o egoísmo como fonte do bem, o valor da pessoa seria então esse saldo. Mas para Jesus, Spinoza e Diógenes, valor é ética, poder é outra coisa, e para eles, o egoísmo é a fonte de todo mal e de todo erro, e só o amor constrói, e o valor seria então o inverso do saldo bancário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde a verdade? Você escolhe. No fim, uma questão de opinião e de gosto, pois qualquer raciocínio em termos de juízos de valor chega aonde partiu. Meu amigo está certo do seu ponto de vista, ele escolhe o poder como critério de valor. Meu amigo está errado do meu ponto de vista, eu escolho a virtude.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-2568581287565938695?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/2568581287565938695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=2568581287565938695' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/2568581287565938695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/2568581287565938695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/06/dinheiro-poder-e-amor.html' title='Dinheiro, Poder e Amor'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-6256229246795862942</id><published>2007-05-20T20:21:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T20:51:54.078-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prazo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='administração do tempo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='início'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ataque'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comprometido'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='limite'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fim'/><title type='text'>Prazos</title><content type='html'>O dicionário traz duas acepções para a palavra prazo: "período de tempo" e "tempo determinado". Vamos aqui adotar a segunda acepção de tempo determinado. Neste sentido, uma ação tem vários prazos marcados por eventos. Os mais óbvios são os prazos de &lt;strong&gt;início&lt;/strong&gt; (quando se começa a trabalhar efetivamente) e &lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt; (quando se atinge o objetivo da ação). Há também o prazo limite, ou &lt;strong&gt;prazo fatal&lt;/strong&gt;, a partir do qual não adianta mais fazer a ação. O prazo fatal é o momento em que o valor de fazer aquela ação cai a zero. Não importa quanto valor tivesse, após o prazo fatal, seu valor é zero. Qual o valor nutritivo da comida estragada? Qual o valor de uma proposta comercial não entregue no prazo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas poucas coisas têm um prazo fatal assim. As coisas mais importantes não têm prazo. Não há prazo para ser feliz, não há prazo para se realizar um sonho, não há prazo para mudar. Ora, a reação natural é deixar para depois tudo que não é imediato ou que não tem prazo. Ao natural, as pessoas se mobilizam mais pela possibilidade de perda do que pela afirmação de valor. Por isso, para fazer as coisas que não têm prazo fatal ou cujo prazo fatal é distante, cria-se um outro: o &lt;strong&gt;prazo comprometido&lt;/strong&gt;. O que ocorre no prazo comprometido não é a perda de valor da ação, mas a perda de crédito do promitente, embora este prazo possa ser renegociado antecipadamente sem grande perda de crédito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro instante característico de uma ação é o momento em que sua necessidade nasce, quando nos comprometemos a fazê-la, porque nos foi solicitada ou por uma tomada de decisão. Chamo esse instante de &lt;strong&gt;surgimento&lt;/strong&gt; da ação. No surgimento, o compromisso de fazer, para ser firme, deve ter um prazo comprometido, caso não tenha um prazo fatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um erro comum (outra reação natural e pouco inteligente) é agendar a ação no prazo dado. Se lhe pedem algo para sexta-feira, anotar um lembrete na agenda na sexta-feira, não é uma boa prática. Deve-se agendar a ação no &lt;strong&gt;prazo de ataque&lt;/strong&gt; com uma folga. O prazo de ataque não é a data em que se vai fazer a ação, mas aquele no qual se começará a avaliar e a priorizar o início da ação. Ao definir um prazo de ataque com uma folga suficiente a pessoa se despreocupa. Isto é, o prazo de ataque, no fundo significa a data até a qual se pode esquecer aquela ação. Colocando estes prazos numa linha de tempo, percebe-se que a folga, na verdade, se divide em duas: a inicial, entre o prazo de ataque e o prazo de início estimado; e a final, entre o prazo de fim estimado e o prazo comprometido (ou fatal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;____!_________!________!______!________!_________!__&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Surgimento&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..&lt;/span&gt;Ataque&lt;span style="color:#ffffff;"&gt; .&lt;/span&gt;Início &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..&lt;/span&gt;Fim &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Comprometido Fatal&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..............&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;!&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;________!&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;......&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;!________!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;............&lt;/span&gt;Folga Inicial &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&lt;/span&gt;Folga Final&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.......................&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;!______!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;....................&lt;/span&gt;Duração estimada&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-6256229246795862942?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/6256229246795862942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=6256229246795862942' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/6256229246795862942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/6256229246795862942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/05/o-dicionrio-traz-duas-acepes-para.html' title='Prazos'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-2000646443943677188</id><published>2007-05-20T20:16:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T20:20:02.205-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><title type='text'>A Síndrome do FDP *</title><content type='html'>O caráter do brasileiro, mestiço por excelência, tem vários traços já apontados na literatura: a cordialidade, a tolerância, o fatalismo apático. Mas creio que um aspecto nunca foi devidamente analisado. O brasileiro, filho de pai português e mãe índia, sofre da síndrome do bastardo. Para deixar claro, bastardo é a versão culta do termo chulo fdp, e designa o filho gerado fora do matrimônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O perfil psicológico típico do fdp é o do enjeitado. Tem raiva do pai, vergonha da mãe e baixa auto-estima. É filho do erotismo, mais propenso à expressão do que à sublimação do instinto. Portanto, não tem apreço pela família como instituição e dificilmente será um pai devotado ou marido fiel, tendendo a reproduzir o seu perfil em uma nova geração de filhos bastardos.&lt;br /&gt;Por que o Brasil e os EUA tiveram índices de desenvolvimento econômico tão distintos, tendo ambos a mesma idade e extensões territoriais semelhantes? Obviamente, a diferença é cultural. A culpa é dos portugueses. Sempre é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma explicação corrente ressalta a diferença de atitude em relação à riqueza entre a ética católica dos ibéricos e a ética protestante do colono americano. Para o catolicismo "é mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no reino dos céus". Já, a ética protestante considera sinal de virtude a riqueza oriunda do trabalho. Creio, entretanto, que a síndrome do fdp se constitui em distinção ainda mais fundamental, que nunca foi devidamente ressaltada. Mais do que a Igreja, a família é a célula mater para a geração e reprodução dos valores morais e do caráter de um povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família é uma criação eminentemente feminina. Para passar adiante os seus genes, a mulher conta com poucos óvulos, relativamente aos milhões de espermatozóides masculinos. É crucial para a fêmea que a prole sobreviva em um ambiente hostil e a família (a garantia do compromisso paterno) é a mais poderosa arma nesse sentido. Já o homem produz espermatozóides suficientes para colonizar um continente sozinho. Se não lhe for cobrado nenhum compromisso posterior, ele pode até fazê-lo apenas para satisfação do desejo momentâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos EUA, a colonização foi feita por famílias. Famintas, degredadas sociais pela falta de perspectivas no velho continente, mas, ainda assim, famílias. Onde a figura da mãe era dominante, jogando um papel agregador e motivador para a construção de um novo lar definitivo. Uma visão de futuro: a recuperação da dignidade familiar na nova terra dependia da riqueza que se pudesse construir pelo trabalho. A ética protestante é um elemento facilitador, sem dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, a colonização do Brasil, assim como a da Austrália, diferentemente da americana, foi essencialmente masculina. Aventureiros e mandatários degredados que, distantes dos vínculos afetivos, familiares e sociais em que foram criados, construíram novos vínculos, mais por necessidade e interesse do que por escolha. O português "se unia" às índias (assim no plural) "em pecado" e as enjeitava como símbolo deste pecado, bem como aos frutos dessa união eminentemente carnal, consumada sem respeito pela parceira. Nessa família mestiça, o pai era a figura dominante, dada a superioridade cultural. Um pai com remorso, saudoso, aventureiro, temporário, voltado para o passado, para a terra à qual voltaria com as burras cheias e a alma vazia. Um pai cuja visão de futuro era a de um retorno ao passado. Uma mãe criança, só vivendo o presente, inocente e tragicamente sem expectativa, sem futuro. Essa preponderância do macho sem vínculos familiares, mais tarde, se reproduz na relação com a escrava negra. O erotismo se sobrepõe ao respeito e ao compromisso na noção de amor brasileira, com profundos reflexos na família como instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Texto originalmente publicado no Baguete em 22/09/2003 e posteriormente no livro "O Entregador de Sonhos"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-2000646443943677188?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/2000646443943677188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=2000646443943677188' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/2000646443943677188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/2000646443943677188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/05/sndrome-do-fdp.html' title='A Síndrome do FDP *'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-1137694539866272949</id><published>2007-05-20T17:17:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T18:55:11.298-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esquerda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='radical'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='posicionamento político'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ideologímetro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='direita'/><title type='text'>Radical de Centro *</title><content type='html'>As pessoas se declaram de esquerda ou direita por afinidade. Por afinidade de interesses ou afetiva, o posicionamento político é mais emocional do que racional: um perfilamento simpático – ou uma rejeição antipática – a pessoas mais do que a idéias. Uma variante diz respeito ao poder: ser simpático ao poder é de direita, contestá-lo é de esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar esquerda e direita condiciona linearidade em uma única dimensão. O senso comum considera o liberal à esquerda do conservador e à direita do socialista, e o anarquista ainda mais à esquerda. Entretanto, o pensamento conservador tem afinidades com o socialista pela ênfase na ordem e na segurança, enquanto o pensamento liberal converge com o anarquista na valorização da liberdade individual como princípio máximo e na desconfiança em relação ao Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo que a escolha entre esquerda e direita se dá em vários eixos, que representam conceitos opostos. Para isso desenvolvi um ideologímetro que marca a posição intermediária entre estes conceitos. Marque no ideologímetro abaixo onde você se situa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Comunidade&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..&lt;/span&gt; _____________!_____________ Indivíduo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igualdade&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;...&lt;/span&gt; _____________!_____________ Liberdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segurança&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;...&lt;/span&gt; _____________!_____________ Risco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Planificação _____________!_____________ Competição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniformidade _____________!_____________ Diversidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;"&gt;Estabilidade _____________!_____________ Mudança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;"&gt;Natureza&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;....&lt;/span&gt; _____________!_____________ Tecnologia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ideológica e politicamente me declaro um radical de centro com tendências para a direita. Muitos pensam que é blague, pois acham que radicalismo pressupõe extremismo. Mas, radical é quem vai à raiz do problema, com disposição e disciplina para refletir e analisar todos os lados da questão, suspendendo o julgamento passional interessado. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O "radical" extremado, ao contrário, adota uma posição afetiva, baseada em interesses e não em análise. O "radical" é do contra, se opõe ao que considera diferente, por antipatia baseada mais em sentimento e interesse do que em raciocínio. O "radical" não tem lógica, tem convicção. Certeza visceral, não cerebral. A raiz do conflito político está na paixão cega de quem defende o seu lado, no qual supõe toda a virtude, e joga no outro todo o vício. Isso se chama maniqueísmo. Esta paixão é veemente e o "radical" é veemente na defesa do seu interesse, sempre racionalizado como interesse comum ou verdade definitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, a veemência é a única característica do "radical" extremista que procuro manter. Defendo veementemente a liberdade de idéias, o pensamento livre e o mais desinteressado possível, o direito que todos têm de defender interesses respeitando o direito dos outros de fazer o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interesse individual deve se subordinar ao interesse coletivo. Mas não existe “o” interesse coletivo, “o” bem comum. O interesse coletivo surge da negociação dos interesses individuais. Não se trata de defender fins, mas sim de assegurar os meios para que essa negociação se efetue. A isso se chama estado de direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Platão errou ao jogar a ética para um plano metafísico afirmando a existência de um Bem absoluto e inventando a praga do idealismo. Ética não é coisa de deuses desapegados, é coisa de homens interessados. Todos têm interesses próprios e a sua defesa é legítima. Não é uma questão de fins, danem-se os fins. Os meios é que são éticos. Se o mal existe, ele se chama violência. O que há de terrível na sentença de Maquiavel de que os fins justificam os meios é que ela sanciona a violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O uso da força permite ao forte impor suas idéias e manter o poder. Pode-se pedir ao mais forte que não use a sua força? Sim, mas isso é antinatural. O forte só deixará de usar a sua força por temer a união dos fracos. Ou por aceitar o imperativo categórico de Kant. Seja por medo ou pudor, é na repressão do uso da força pelo forte que se baseia o estado de direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso pode facilmente descambar para a ditadura dos fracos – a ditadura do rebanho que, de fato, é sempre uma ditadura de pastores disfarçada. Foi essa a revolução dos séculos XIX e XX, comandada por Nietzsche e Freud: a reabilitação da potência do indivíduo, o uso consciente das forças instintivas do indivíduo como critério maior de verdade e valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o socialista todos os homens são iguais, mas, quando estão no poder, uns acabam sendo mais iguais do que outros. Os liberais defendem a livre circulação de pessoas e mercadorias, mas de preferência num sentido só – do centro (de poder) para a periferia. Socialismo e liberalismo são utopias – coisas de idealistas. Idealistas querem o poder para colocar em prática suas idéias, o que é um interesse próprio. Defender o interesse próprio é legítimo, desde que se reconheça ao outro o mesmo direito. Por isso, simpatizo um pouco mais com os liberais, embora aqui também se encontrem convictos. O idealista acha que sabe o que é melhor para os outros, pois está do lado da verdade absoluta. Eu tenho muito receio disso. Aliás, me oponho radicalmente a isso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;* Este texto é uma revisão de artigo originalmente publicado no livro "O Entregador de Sonhos"&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-1137694539866272949?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/1137694539866272949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=1137694539866272949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/1137694539866272949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/1137694539866272949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/05/radical-de-centro.html' title='Radical de Centro *'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-4128744379718286284</id><published>2007-05-18T12:05:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T18:57:51.292-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='finanças'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='investimento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dinheiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Economia, Finanças e Dinheiro</title><content type='html'>Aprendi a diferença entre economia e finanças aos 20 anos, dramaticamente, quando meu pai morreu. Herdei um apartamento e um carro, mas nem um centavo de renda. O que eu ganhava como estagiário pagava a comida, mas não a gasolina. Razoável situação econômica, situação financeira apertada. Suplementei a renda fazendo fotografia, sem deixar de estudar e sem vender o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capital rende juros ou aluguel e o trabalho rende salário. Na verdade, o trabalho é o produtor original de valor e o capital é o valor acumulado que, quando aplicado (somado ao trabalho), se reproduz por multiplicar a produtividade do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A renda é poupada ou consumida. Se há poupança, o capital tende a crescer, enquanto o consumo diminui o capital. Não é o gasto que diminui o capital, é o consumo. Porque o gasto assume duas formas: consumo e investimento, as quais têm a ver com o tempo. Consumo é o gasto sem conseqüência futura. Seu objetivo é o desfrute ou o uso aqui e agora. Do outro lado, investir é gastar agora em função de um possível ganho futuro. Aliás, o homem passou a contar o tempo quando passou a investir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinheiro não traz felicidade, mas falta de dinheiro traz infelicidade. Ganhar dinheiro é diferente de ter dinheiro. Ser rico é ter, ganhar ou gastar dinheiro? Parece mais rico quem mais gasta, e quem tem fama de rico, tem crédito - lhe oferecem dinheiro esperando retribuição. Quem guarda tem, e não gasta. Mas, acumular dinheiro, não é viver uma vida rica. Por outro lado, gastar sem poupar, pode trazer infelicidade futura ou transformar-se num vício em que a sede de consumo se torna insaciável, criando novas necessidades sem qualquer base racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rico é quem tem mais do que precisa. Porque ganha, ou porque tem mais do que gasta. E quanto cada um precisa gastar para ser feliz? Sempre fui rico, porque mesmo lá, quando ganhava apenas o suficiente para pagar a comida e a gasolina, eu era feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-4128744379718286284?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/4128744379718286284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=4128744379718286284' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/4128744379718286284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/4128744379718286284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/05/economia-finanas-e-dinheiro.html' title='Economia, Finanças e Dinheiro'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-3983528351755892306</id><published>2007-05-18T11:57:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T18:59:20.746-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='empreendedorismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='competição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Junior Achievement'/><title type='text'>Missão de Fada *</title><content type='html'>Identifico-me completamente com o lema inspirado e inspirador da Junior Achievement: “a vida é um caminho, não um destino, e você é o arquiteto do seu caminho”. Nossa missão é fomentar a cultura empreendedora e seus valores morais e mostrar aos jovens que a empresa privada é a célula matriz da geração de riqueza e das trocas justas. Num país com muitas carências é difícil para o jovem aceitar o paradigma da abundância, segundo o qual a riqueza se cria e a união de um mais um é mais do que dois. É mais natural pensar sob a ótica da escassez, da riqueza estática, que só pode ser conquistada se for tirada do outro, visto como algoz, mais do que como igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é nossa missão mostrar que competição não é algo que se faz contra os outros, mas sim com os outros, contra as próprias limitações. O sucesso dos outros e o nosso são medidas comparativas do esforço conjunto de superação, no desenvolvimento de competências. Ser competitivo é desenvolver capacidades, tornar-se mais competente. A raiz latina das duas palavras explica: “com = junto + petere = buscar”. O que se busca? A superação e o crescimento pessoal. As maiores limitações estão dentro de nós. Competição é superação e o maior exemplo disso é o esporte. Em suma, a competição não exclui a solidariedade, mas, ao contrário, é o maior sinal de respeito pelo outro, pois o auxilia no seu crescimento e o desafia a sair da zona de conforto da ignorância, da pobreza e da fraqueza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num sistema de ensino que prepara os jovens para o emprego, mais do que para o trabalho, preciso transformar sapos em príncipes, dando-lhes o beijo de fada do exemplo. Mostrar pelo exemplo, mais do que pelo discurso, que se pode criar valor sem tirá-lo de ninguém e que a criação de valor (e não a eventual remuneração ou o esforço) é a verdadeira finalidade de todo trabalho. O trabalho voluntário “é” essa mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito firmemente no poder da inspiração e do trabalho conjunto em clima de cooperação. É incomensurável a potência criativa adormecida nos corações e mentes dos jovens. O despertar desta vontade de potência é um momento mágico que o trabalho na Junior Achievement proporciona: o momento da transformação do sapo em príncipe. Mas é difícil beijar sapos. É mais fácil virar sapo e aceitar o brejo, praticando o reconfortante discurso de vítima, que louva a fraqueza, atribuindo aos outros (ou ao governo) a culpa de todos os males e, vez por outra, lavar a alma na prática do sacrifício de algum bode expiatório. Acredito que muitos empresários precisam também de uma injeção de empreendedorismo, e podem ganhar muito com o trabalho junto aos jovens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora alguns traços de temperamento favoreçam o desenvolvimento do espírito empreendedor, ele está ao alcance de qualquer um, com maior ou menor grau de dificuldade. A genética e o ambiente podem facilitar enormemente, mas não impedem o crescimento. O ambiente empreendedor se caracteriza pela flexibilidade das interações sociais e das trocas entre as pessoas. Portanto, também é nossa missão lutar pela liberdade e pela democracia como valores máximos das instituições. E, também aqui, convém unir a ação ao discurso.&lt;br /&gt;A boa nova é que a filosofia empreendedora vem se afirmando e o ambiente é cada vez mais propício ao empreendedor. Acredito que este é o século em que será reconhecida a verdade de Schumpeter de que o empreendedor é a mola mestra de todo desenvolvimento econômico. Mas vou além. Entendo que o empreendedorismo é o caminho do crescimento pessoal e do desenvolvimento do caráter: transformar sonhos em metas e buscar a sua realização; visualizar soluções para os problemas e ter a coragem de admiti-los e enfrentá-los. Empreendedorismo é uma filosofia de vida – aliás, a melhor. A vida produtiva e criativa, aquela que vale a pena ser vivida, é uma série de empreendimentos. Crescer sempre, pois apenas sobreviver é uma meta mesquinha. Parodiando o lema dos navegadores antigos: “Empreender é preciso, viver não é preciso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Discurso de Posse na AJA-RS - 2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-3983528351755892306?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/3983528351755892306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=3983528351755892306' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/3983528351755892306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/3983528351755892306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/05/misso-de-fada.html' title='Missão de Fada *'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-3712754407310080027</id><published>2007-05-16T13:43:00.001-07:00</published><updated>2007-05-16T13:47:14.901-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Epícteto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sêneca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marco Aurélio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estoicismo'/><title type='text'>Cultura In e Útil</title><content type='html'>Cultura é "in". Impressiona a memória fática, que reduz os grandes vôos do espírito às suas circunstãncias psico-sociais. Cultura é útil. Ao contar a história das idéias e dos sentimentos, encadeados como causas dos seus efeitos e efeitos das suas causas, ajuda o homem a ser agente e causa, mais do que vítima e efeito, da sua circunstância. Idéias estão aí há séculos, entrando e saindo da moda, ao sabor dos sentimentos vigentes. Parecem inatas, mas são pensadas e sentidas. Tão mais inatas parecem quanto maior a carência afetiva da época que anseia por elas. Dogmas são convicções entranhadas, portanto mais intestinas do que cerebrais. Mas chega de filosofia em primeira mão, vamos à de segunda, que tem mais autoridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estoicismo de Zeno disputou com (e perdeu para) Epicuro os corações e mentes dos séculos 2 e 3 AC. A primeira disputa entre as duas grandes filosofias morais da Antiguidade, não foi um 4x0, mas um 6x4. No segundo turno, em Roma, o estoicismo teve a sua desforra, agora sim, 4x0. Foi só mais recentemente, a partir do Renascimento e, com mais ênfase, nos séculos 19 e 20 que o epicurismo voltou à primeira divisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O princípio ético do estoicismo (aí o útil) é: o que importa é a virtude, única finalidade verdadeira. Nisto, afirma a liberdade humana. Virtude depende apenas da vontade e a vontade é sempre livre para ser boa ou má. Felicidade é praticar a virtude, evitando o engano dos prazeres mundanos. Mais do que prazer, é paz de espírito, ausência de dor, tranqüilidade e harmonia - estado de alma designado como "ataraxia". É evidente o parentesco com o desapego budista. O segundo princípio estóico, o deteriminismo, encerra uma contradição. A vontade é boa quando está de acordo com a Natureza, entendida não como realidade contingente, mas como princípio orgânico do Universo, com suas leis e finalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "in"teressante não é a história do campeonato, mas a emoção da partida, a circunstância do goleador. Os heróis do segundo turno do estoicismo romano são Sêneca, Epícteto e Marco Aurélio, um ministro, um escravo e um imperador. Sêneca foi marcado pela contradição. Adepto da virtude reta e da simplicidade, foi o tutor de Nero, e, sob seus auspícios tornou-se um dos homens mais ricos do seu tempo. Nero, porém, redimiu-o moralmente pelo suplício, condenando-o à morte, e concedendo-lhe a graça do suicídio, no que pôde imitar Sócrates, o "santo" do estoicismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Epícteto, escravo, fresteava as aulas dos filhos do amo. Espírito interessado e interessante, impressionou o tutor, que o levou para Roma com os jovens amos estultos. Voltou filósofo, estóico, mas ainda escravo. O amo questionou seu estoicismo radicalmente, colocando sua perna num torno: "quem controla a tua vontade?". "És dono do meu corpo, não da minha vontade", continuou respondendo Epícteto até ter a perna estilhaçada, coxo para sempre. O amo, acabrunhado pelo remorso deu-lhe a liberdade (de corpo). Epícteto escreveu "A Arte de Viver", com conselhos úteis repetidos pelos manuais de auto-ajuda modernos, sem citar a fonte esquecida ou ignorada: distinga o que depende da sua vontade e o que independe dela, aja apenas sobre o que pode influenciar e não se deixe influenciar pelo que está fora do seu controle; não são as coisas que nos perturbam, mas sim o significado que lhes emprestamos; o que fazemos é menos importante do que a maneira como o fazemos: a harmonia da vontade com a Natureza é o seu maior ideal; aceite a realidade como ela é, sem ilusões; concentre-se na realidade do presente, que será verdadeira para sempre; caráter importa mais do que glória. E por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marco Aurélio, último imperador da época áurea dos Antoninos, escreveu as "Meditações" para si mesmo. Precisava muito da força moral que pregava. Enfrentou pestes, guerras e insurreições. Seu único filho, Cômodo (retratado no filme Gladiador), acabou sendo um dos piores entre os imperadores maus, mas ocultou sua índole durante a vida do pai. Durante as longas ausências de Marco Aurélio nas campanhas de guerra e missões de paz, sua esposa Faustina, foi acusada de imoralidade. Ele morreu no campo de batalha, em paz consigo e admirado pelo povo. Seu legado imediato foi infeliz, mas sua influência filosófica e autoridade moral perduram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-3712754407310080027?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/3712754407310080027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=3712754407310080027' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/3712754407310080027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/3712754407310080027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/05/cultura-in-e-til.html' title='Cultura In e Útil'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-5204925613040722136</id><published>2007-05-16T13:36:00.000-07:00</published><updated>2007-05-16T13:49:16.469-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='priorização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='administração do tempo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='organização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tempo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='planejamento'/><title type='text'>Pode-se administrar o tempo?</title><content type='html'>No colégio aprendemos que tempo é a dimensão onde o movimento ocorre. Vemos então o tempo como uma reta, algo abstrato, mas ainda assim, algo. Mas Leibniz intuiu e Einstein explicou que o movimento não se dá “no tempo”. Tempo “é” o movimento das coisas, não uma coisa em si. Seu tempo é o que acontece e o que você faz acontecer. Seu tempo é sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, tempo e vida parecem distintos. Tempo é trabalho e dever, vida é nos fins de semana ou nas férias – o lazer. Cria-se o conflito entre uma persona moralista, que cumpre deveres, atarefada e ocupada; outra hedonista, que frui prazeres, ociosa e livre. Desde pequenos vamos ao colégio para aprender algo útil para, no fim, ganhar dinheiro. A mensagem subliminar é clara: a finalidade da vida é o dinheiro. Alienação do trabalho, cuja finalidade, para o indivíduo, não é mais gerar valor, mas ganhar dinheiro. A vida torna-se uma competição para acumular dinheiro, trabalha-se para deixar de trabalhar, criar uma reserva de prazer, o mito da euforia perpétua e do ócio permanente. Loucura? Psicopatia social. Porém cuidado: negar que o tempo é dinheiro pode ser uma sociopatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se administrar o tempo? Ou, por outra, pode-se viver melhor? Existe técnica para isso? Várias. A ética, a psicologia e as terapias psi, buscam isso: fórmulas para viver melhor, a felicidade possível. Então, não se controla o tempo em si, mas pode-se adquirir um pouco de autocontrole e agir de maneira mais consciente e racional. Não existe falta de tempo, mas sim falta de prioridade. O que se pode definir é a prioridade dos eventos que dependem da vontade. Essa é a base de toda disciplina moral. Mas, desde Freud, sabemos os riscos dessa disciplina se basear na repressão inconsciente da expressão emocional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Separo a questão em duas esferas que se confundem: organização e planejamento. Organização é reagir bem, responder proativamente. Planejar é agir continuada e cumulativamente para mudar o que acontece. Uma é adaptação às circunstâncias e às limitações, a outra é mudá-las e superá-las. Uma é realizar a rotina de forma correta, a outra é mudar e criar novas rotinas. Uma é adaptar-se, outra é tentar mudar. Há uma certa ruptura e até conflito. O planejamento requer uma quebra da rotina e compete com ela. É preciso ceder de um lado e dar atenção ao outro equilibradamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fórmula da organização:&lt;br /&gt;· Anotar o que acontece (para esclarecer e não esquecer) e dar respostas.&lt;br /&gt;· Contar até três antes de reagir para poder escolher a melhor resposta;&lt;br /&gt;· Ao escolher, ser fiel aos próprios princípios e valores – às bases filosóficas. Valor é o que se crê ser correto; princípio é o que se acha que é verdade.&lt;br /&gt;· Dedicar tempo à reflexão e ao diálogo para questionar e solidificar a base (princípios e valores).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fórmula do planejamento é um processo em três níveis:&lt;br /&gt;· Político: a coragem de definir metas difíceis e encarar os problemas maiores. Política é a arte do presidente.&lt;br /&gt;· Estratégico: analisar causas e dividir o problema/meta em objetivos intermediários. Estratégia é a arte do general.&lt;br /&gt;· Tático: avaliar o que já fez e decidir o que pode ser feito no próximo período, e adaptar metas e estratégia às circunstâncias reais. Tática é a arte do sargento – usar a estratégia para enfrentar o campo de batalha e adaptar a estratégia em função da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, toda organização é emocional. O método acima ajuda a pensar bem para sentir melhor, melhora a inteligência emocional. É o caminho do desenvolvimento do caráter segundo a ética das virtudes. Convém beber na fonte do ABC da virtude: Aristóteles, Buda e Confúcio. A essência é a prática de três disciplinas: reflexão, planejamento e atenção. Disciplinas não são naturais, precisam ser aprendidas e desenvolvidas. A maneira de desenvolvê-las consiste na adoção de três hábitos:&lt;br /&gt;1. Tempo Calmo de 15 minutos por dia para fazer um Plano Diário, separando as ações com prazo dos compromissos com hora marcada para iniciar e terminar, e priorizando as ações segundo o método ABC.&lt;br /&gt;· A (importante e urgente),&lt;br /&gt;· B (importante, mas não urgente)&lt;br /&gt;· C (não importante, urgente ou não).&lt;br /&gt;2. Encontro Pessoal de 30 minutos no fim de semana para repassar a semana anterior atentando para os sentimentos evocados. Não se controla os acontecimentos, mas pode-se elaborar seu significado e a forma de reagir a eles. Analisar as iniciativas a serem tomadas na próxima semana para encaminhar as metas/problemas mais difíceis.&lt;br /&gt;3. Durante o dia, anotar os contatos, idéias e pensamentos num Diário. Revisá-lo no Tempo Calmo e/ou no Encontro Pessoal.&lt;br /&gt;Também é importante saber desfrutar o presente e não esquentar demais a cabeça, pois “a longo prazo, todos estaremos mortos” (Keynes).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-5204925613040722136?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/5204925613040722136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=5204925613040722136' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5204925613040722136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/5204925613040722136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/05/pode-se-administrar-o-tempo.html' title='Pode-se administrar o tempo?'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-390727679536754575.post-8110804622964948246</id><published>2007-05-16T12:09:00.000-07:00</published><updated>2007-05-16T12:13:28.057-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='informação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><title type='text'>A verdade virou notícia</title><content type='html'>Jornalismo e filosofia lidam com informação e conhecimento de formas opostas. À filosofia interessa a informação mais perene: a verdade essencial e permanente. O jornalismo lida com a notícia: a novidade imediata e fugaz. Enquanto sabedoria mais antiga é a melhor filosofia, a notícia de ontem já é velha. A filosofia sonda os aspectos mais sutis das idéias e das palavras, procura a perspectiva múltipla que questiona a si mesma e busca o peculiar e o olhar incomum. O jornalismo, assim como a propaganda que o alimenta, busca a identidade, deve usar a linguagem popular e comum, traduzindo e filtrando tudo o que pode não ser compreendido pela cultura em que se insere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos que correm, a inundação de notícias, propaganda e informações fugazes é tanta que o público perdeu a noção das antigas verdades maiores. Assim, elas ganharam ares de novidade, viraram notícia. A sabedoria reciclada em auto-ajuda é comercializada nas esquinas da Internet da mesma maneira que os sofistas faziam na antiga Atenas.&lt;br /&gt; Mundo redondo que gira, gira e não sai do lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/390727679536754575-8110804622964948246?l=jaime-wagner.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/feeds/8110804622964948246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=390727679536754575&amp;postID=8110804622964948246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8110804622964948246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/390727679536754575/posts/default/8110804622964948246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaime-wagner.blogspot.com/2007/05/verdade-virou-notcia.html' title='A verdade virou notícia'/><author><name>Jaime Wagner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17400333285787880591</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
